Natal

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POV Percy

Percy era apenas uma criança naquela época, mas no castelo, crescer rápido não era uma escolha — era uma necessidade. Entre os corredores luxuosos e os salões repletos de intrigas, ele aprendera desde cedo que a inocência era um luxo que poucos podiam manter. Naquele Natal, ele brincava com seu irmão Tyson no meio do salão de festas, cercado por primos que riam e se divertiam com os presentes que haviam recebido. O ambiente era alegre, mas Percy sentia uma tensão no ar, como se algo estivesse prestes a mudar.

— Querido Perseu — chamou sua tia Maria Di'Angelo, sua voz suave e cansada ecoando pelo salão. Ela estava sentada em uma poltrona próxima à lareira, seu rosto pálido e marcado pela doença, mas ainda assim carregando uma dignidade que inspirava respeito. — Venha aqui. Eu quero lhe pedir um favor.

Percy obedeceu imediatamente, deixando Tyson brincando com um cavalo de madeira. Ele se acomodou ao lado da tia, seu coração batendo mais rápido do que o normal. Maria sempre contava as melhores histórias, especialmente aquelas sobre um herói filho do mar, desastrado e corajoso, que salvara o Olimpo. Percy se identificava com aquele herói, e as histórias dela eram como um refúgio em meio à rigidez da vida no castelo.

— Por favor, cuide do Nico para mim — ela disse, sua voz carregada de uma seriedade que fez Percy estremecer. — Ele é forte, mas eu temo que, com minha partida, ele se torne cada vez mais amargo.

Percy olhou para ela, confuso e um pouco assustado. 

— Você vai embora, tia?

Maria sorriu, um sorriso triste que não chegava aos olhos. 

— Um dia, Perseu. Todos nós vamos embora. — Ela o puxou para seu colo, envolvendo-o em um abraço que cheirava a lavanda e a algo mais profundo, algo que Percy não conseguia nomear. — Por favor, não falhe como eu falhei ao tentar proteger aqueles que amo.

— A senhora nunca falhou comigo, tia — Percy murmurou, abraçando-a com toda a força que uma criança de sua idade podia ter. Ele não entendia completamente o que ela estava dizendo, mas sabia que aquelas palavras eram importantes.

Naquela mesma noite, às 22h48, Maria Di'Angelo foi declarada morta devido ao seu frágil estado de saúde. O castelo, outrora repleto de risadas e luzes de Natal, mergulhou em um silêncio pesado. Percy nunca mais esqueceu o peso daquela promessa.

🩵👑

Dois anos depois

Percy já não era mais a mesma criança ingênua. Aos 12 anos, ele começava a entender as complexidades da vida no castelo. A família Di'Angelo não comemorava mais o Natal. Nico, seu primo, havia se tornado mais reservado, quase sombrio, e Leo, outro primo, estava no Havaí, impossibilitado de vir devido à neve que cobria o reino.

Seu pai, Poseidon, estava ausente, ocupado com tempestades de neve e, segundo os rumores, com uma nova amante. Percy fingia não saber, mas as fofocas ecoavam pelos corredores do palácio, e sua mãe, Sally, estava devastada. Ela sempre tentara proteger Percy da verdade, mas naquele ano, nem mesmo seus esforços foram suficientes.

Aquele foi, sem dúvida, um dos piores Natais de Percy. Se não fosse pela companhia de Tyson, ele não teria suportado.

🩵👑

Um ano depois

Sally já não estava mais trancada no quarto, mas sua dor ainda era visível. As fofocas sobre as amantes de Poseidon haviam diminuído, graças aos esforços dela para manter a aparência de uma família perfeita. Mas Percy sabia que aquilo era apenas uma fachada. Aquele Natal, eles fingiram ser felizes, sentados à mesa de jantar com sorrisos forçados e conversas vazias. Foi o Natal mais terrível que Percy já vivera.

🩵👑

Muitos anos depois

Percy já era rei. O peso da coroa era imenso, mas ele tinha Annabeth ao seu lado, sua rainha, e um conselho competente que cuidava dos assuntos do reino. Naquele Natal, porém, não havia trabalho, diplomacia ou negociações. Apenas ele, sua família e amigos, celebrando a vida e enchendo a cara de vinho e risadas.

Mais tarde, Percy estava na sacada, envolto em um moletom que mal o protegia do frio cortante do inverno. A festa continuava lá dentro, mas ele precisava de um momento sozinho. Foi então que Annabeth apareceu, saindo do banheiro com seu roupão de seda azul que parecia brilhar sob a luz da lua.

— Está louco, cabeça de alga? — ela disse, encolhendo-se ao sentir o frio. — Está congelando aí fora!

— Coloque um moletom, por favor — Percy respondeu, tentando não se distrair com a visão dela. — Você consegue me deixar louco toda vez que usa esse roupão.

— Apenas quando uso ele? — Annabeth perguntou, amarrando o cabelo que já estava seco. Seu sorriso era desafiador, e Percy não conseguia evitar cair naquela armadilha.

— Você tem várias maneiras de me deixar louco — ele admitiu, fechando a porta da sacada e puxando-a para perto. — Quando está com esse roupão propositalmente azul, quando está mandando em todos lá embaixo como um sargento, quando fica tão concentrada em algo que começa a fazer aquele biquinho...

— Ok, Percy, já entendi que você é louco por mim — Annabeth riu, abraçando-o. Apesar do frio, seu abraço era quente e reconfortante.

— Desde sempre, minha querida — ele murmurou, beijando-a suavemente.

🩵👑

Atualmente

Percy acordou daquele sonho maravilhoso, ainda sentindo o calor de Annabeth ao seu lado. Ela estava brincando com suas mechas de cabelo, e ele não precisava abrir os olhos para saber que ela estava sorrindo. Apesar das olheiras e do cansaço visível em seu rosto, Annabeth estava perfeita, como sempre.

— Você está se sentindo melhor? — Percy perguntou, abrindo os olhos e encontrando o olhar dela.

— Desculpe, não queria te acordar — Annabeth respondeu, afastando a mão, mas ele a puxou de volta para perto.

— Continua — ele pediu, fechando os olhos novamente e se aconchegando mais perto dela.

Ela era sua âncora, sua luz, sua razão para continuar. E, naquele momento, ele sabia que não importava o que o futuro reservasse, ele sempre estaria ao lado dela. Na mente de Percy, Annabeth era a maior obra-prima que o mundo já havia criado.


A Realeza | Percabeth | Livro 2Histórias para pegar e não largar. Descubra agora