Capitulo extra | Por quem devemos continuar.

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Annabeth nunca parou de ter sonhos. Anos após o atentado, as memórias ainda a perseguiam, como fantasmas dançando à beira de sua consciência. Sonhava com os que perdeu naquela tragédia: Jason, Silena, Charles, Bianca, Zoë e tantos outros. Eles apareciam com rostos nítidos, vozes claras e sorrisos que desapareciam ao amanhecer. Era uma tortura silenciosa, uma visita constante ao passado.

Às vezes, no silêncio das madrugadas, Annabeth encontrava refúgio na sacada do castelo. Ali, envolta na penumbra e com uma xícara de chá fumegante nas mãos, sentia a brisa gelada acariciar seu rosto. Era um lembrete cruel de que tudo não passava de um sonho. E, ao mesmo tempo, aquele frio que a envolvia parecia trazer uma melancolia quase insuportável, porque, em seus devaneios, ela podia imaginar um mundo onde todos ainda estivessem vivos.

Mas, mesmo nas noites mais escuras, Annabeth nunca ficava sozinha por muito tempo.

— Annabeth? — A voz de Percy soou suave, quase hesitante, ao entrar na varanda. — Problemas para dormir de novo, meu amor?

Depois de tantos anos juntos, palavras entre eles eram quase desnecessárias. Percy sabia reconhecer os momentos em que Annabeth precisava de espaço para organizar seus pensamentos. E Annabeth, por sua vez, entendia os silêncios de Percy, as ocasiões em que ele se deixava consumir pela culpa e pelo arrependimento. Não era fácil, mas eles haviam aprendido a serem o porto seguro um do outro.

— Só... — Annabeth murmurou, pousando a xícara sobre a pequena mesa de ferro. — Não sei por que ainda sonho com isso.

— É natural, Sabidinha — Percy respondeu, aproximando-se e colocando uma mão em seu ombro. — Cada um lida com o trauma à sua maneira.

— Eu só queria que nunca tivesse acontecido. — Sua resposta veio rápida, como se as palavras fossem um peso que ela não pudesse mais carregar. — Talvez eles ainda estivessem vivos.

Percy respirou fundo antes de responder, cruzando os braços.

— E quem sabe você não estivesse aqui, comigo?

Annabeth olhou para ele, surpresa pela intensidade das palavras. Aquilo poderia ter se tornado uma longa discussão, cheia de emoções reprimidas e mágoas enterradas, mas algo — ou melhor, alguém — os interrompeu.

Uma figura pequena apareceu na porta da varanda, esfregando os olhos sonolentos e caminhando com passos incertos até Percy. A menina tinha os cachos castanhos de Annabeth e os olhos brilhantes e curiosos do pai. Usava um pijama estampado com pequenos polvos, e seu rosto estava úmido de lágrimas.

— Zoë? — Percy abaixou-se imediatamente, recebendo a filha em um abraço caloroso. — O que houve, minha pequena?

A criança soluçou, enterrando o rosto no pescoço do pai enquanto murmurava:

— Eu... Vocês sumiram...

— Oh, meu amor... — Percy apertou a filha contra o peito, lançando um olhar preocupado para Annabeth.

Annabeth ajoelhou-se ao lado deles, acariciando os cachos da filha com delicadeza.

— Estamos aqui, querida. Nunca vamos a lugar nenhum, eu prometo.

Zoë levantou o rosto e olhou para os pais, ainda com lágrimas escorrendo por suas bochechas redondas. Annabeth e Percy trocaram um olhar silencioso, carregado de compreensão. Apesar de todos os fantasmas do passado, havia algo mais forte no presente que os mantinha firmes: a família que escolheram construir.

Percy beijou a testa da filha, sussurrando:

— Sempre estaremos aqui, Zoë. Você nunca estará sozinha.

Annabeth sentiu uma onda de calor preencher seu coração. Inclinou-se, envolvendo a filha e o marido em um abraço. Naquele instante, ela soube que, apesar dos pesares, o amor que compartilhavam era a base de tudo.

— Vamos para a cama, minha pequena estrela — Annabeth disse suavemente, pegando a menina no colo. — Eu já volto, cabeça de alga.

Percy sorriu, assistindo enquanto Annabeth levava Zoë de volta ao quarto. A pequena ainda soluçava baixinho, deixando um rastro úmido na camisola azul da mãe.

Annabeth abriu a porta com cuidado e não conseguiu conter um sorriso ao ver outra cabeleira, dessa vez loira, espalhada pela cama desarrumada. Alex, o caçula, estava jogado de uma forma peculiar: um pé para fora da cama, um travesseiro abraçado com força e o cobertor no chão. Annabeth precisou morder o lábio para não rir.

Eles tinham quartos separados, mas quase todas as noites Alex fugia para o quarto da irmã mais velha. Depois de tantas noites assim, ela e Percy decidiram deixá-los juntos.

Colocou Zoë na cama com cuidado, ajeitando os cobertores ao redor dela.

— Mamãe? — A voz suave da menina cortou o silêncio. — Como a senhora é tão corajosa?

Annabeth parou por um instante, sentindo o peso daquela pergunta. Era como um tapa inesperado, brutal e sincero. Por um momento, pensou em desabar, confessar que não era tão corajosa quanto Zoë acreditava. Que acordava à noite quase explodindo de medo, cercada por memórias que nunca a deixavam.

Mas então uma lembrança a invadiu. Ela viu o sorriso de seu pai, tão vívido quanto nos dias de infância. Sentiu um aperto no peito ao pensar que sua filha nunca teria a chance de conhecer o avô.

Respirou fundo e, com um sorriso sereno, inclinou-se para beijar a testa de Zoë.

— Para proteger vocês, minha pequena estrela — respondeu. — Igual meu pai fazia.


👑🩵

Oi pessoal, vou voltar para vocês com esse pequeno extra, esse aqui mais para fazer chorar mesmo kkkk 

Se ficaram curiosos sobre os filhos de Annabeth e Percy Jackson, recomendo vocês lerem "Legados, Percabeth" de luminaxs. Ela tem todo o credito por essas crianças e obrigada por me dar permissão para usar na minha historia.

Eu agradeço a vocês.

A Realeza | Percabeth | Livro 2Histórias para pegar e não largar. Descubra agora