30 | Tentar

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boa leitura meus amores


Autch!

“Porcaria.” sussurrou, puxando a mão para perto de si ao encostar os dedos na panela quente, indo em direção à pia, abrindo a torneira e colocando os dedos sob o jato de água, tentando minimizar a dor e qualquer possível ferimento.

Resmungou a todo momento, pensando nos estragos que sua distração poderia ter feito, suspirando ao fechar a torneira novamente, secando as mãos num pano de prato antes de apoiá-las em sua bancada, atrás de si, os olhos focando-se em um ponto aleatório do chão ao que, mais uma vez, o alfa perdia-se em seus pensamentos.

Algo que havia feito durante o dia inteiro.

Depois de passar parte da noite anterior conversando e assistindo com o vizinho, Harry encontrava-se reflexivo, tendo dificuldades para se concentrar em suas tarefas durante o dia, sua mente traindo-o frequentemente ao repassar a imagem de Louis dormindo, relembrando-o do quão adorável o alfa parecia encolhido em seu cobertor, fazendo beicinho e bagunçando o cabelo, a franja, que a cada dia parecia mais comprida, caindo sobre seus olhos de forma quase angelical, deixando-o mais inocente, e até infantil, do que Styles jamais havia visto.

Magnífico.

Essa era a palavra que usaria para descrever, tendo chegado à esta conclusão após um dia inteiro de buscas.

O que, novamente, fazia o alfa questionar-se repetidamente. Principalmente a respeito do menor, afinal, Louis deixava claro que tinha sentimentos por ele.

Mesmo se não deixasse anteriormente, seu cio revelou o que ele realmente queria, o lobo do alfa vindo a tona, pedindo por ele, chamando-o. Louis havia questionado se ele não queria sua marca, seus filhos e seu nó. Até o mais idiota entre todos os burros entenderia o recado. O Tomlinson tinha o denominado como seu alfa, e referiu-se a si mesmo como o alfa de Styles, trazendo-o mais sensações daquele tipo, as que sempre preferiu evitar ao estar perto do outro − nunca sendo bem sucedido nisso.

Porque Harry não estava muito longe de retribuir, muito pelo contrário. Os cafés que entregava diariamente, as mensagens carinhosas, a preocupação, os encontros... até mesmo os programas com seus filhotes onde recentemente todos eles, sem exceção, faziam questão da presença alheia provavam, para qualquer um que pudesse ver, o quanto aquilo era recíproco.

Mesmo que demonstrassem de formas diferentes, ambos se gostavam.

Ele admitia isso para si.

Seu lobo sabia disso.

Porém, o receio conseguia ser ainda maior do que a emoção que sentia, não tendo certeza do quanto era real já que, da última vez, as coisas também pareciam tão boas quanto agora. Algo que não passava de uma grande farsa. E, olhando onde ele havia acabado no momento, isso era comprovado, seus traumas e anos de consultas com profissionais não deixando-o escapar, a bagagem que carregava sendo muito pesada para esquecer-se.

Havia sofrido muitas consequências, e aquele era um erro que não deveria cometer de novo.

Agora ele era pai, pelo amor de Deus! Tinha filhotes para criar e deviam ser os primeiros em sua lista de prioridades, fazendo-o pensar dez vezes antes de realizar qualquer coisa, analisando sempre suas escolhas com muita cautela, coisa que havia feito em todos aqueles anos mas que, em poucos meses de convivência, tornava-se cada vez mais complicado de executar.

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