17 - Capítulo ( Revisado)

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                                Ester

Continuo ao lado de Eliane, caminhando em direção ao senhor Elias. Percebo que ele estava visivelmente incomodado com a conversa que estava tendo com o senhor Alcântara e sua filha.

— Com licença. — Digo de forma educada, olhando para eles.

O senhor Alcântara mantém o semblante sério, enquanto sua filha revira os olhos ao me ver.

— Ainda bem que a senhorita chegou, Ester! — Meu chefe diz com um tom sério, mas quem o conhece bem percebe o alívio em sua voz.

— O que o senhor deseja? — Pergunto, também séria.

— A revista Veja quer fazer uma entrevista comigo, e a senhorita Estefane foi muito gentil ao se oferecer para participar. No entanto, quero que a senhorita participe, pois nada mais justo do que quem organizou o baile receber os devidos créditos. — O senhor Elias responde, enquanto a senhorita Estefane me lança um olhar de raiva e inveja. Não sei o motivo para isso.

Suspiro, já imaginando que essa será uma longa noite.

— Certo. — Concordo com o que ele falou. Meu chefe é um homem honesto e não gosta de receber crédito pelo trabalho dos outros.

Tiramos as fotos e falamos sobre alguns aspectos do baile. Algum tempo depois, a entrevista terminou.

— Vocês formam um belo casal. — Comentou a entrevistadora, sorrindo.

Sinto minhas bochechas corarem. Por que tantas pessoas pensam que somos um casal? Não faço ideia de onde tiram isso.

— Nós não somos um casal! — Respondo com um sorriso sem graça, ao mesmo tempo que o senhor Elias fica sério.

Será que ele ficou chateado por pensarem que somos um casal? Faz sentido, afinal, sou apenas sua secretária e amiga.

— Me desculpem. — A entrevistadora diz, nervosa, como se temesse que meu chefe se irritasse e pedisse sua demissão.

— Está tudo bem! — Digo, dando um pequeno sorriso para tranquilizá-la. Parece que funcionou, pois ela relaxou imediatamente.

— Com licença, preciso ir agora. Meu colega de trabalho está me chamando. — Ela se despede e se dirige ao jovem homem moreno, magro, que aparenta ter 27 anos. Assim como ela, ele estava com uma câmera e um gravador.

— Precisa de mais alguma coisa? — Pergunto ao meu chefe, que parecia pensativo.

— Não… Quer dizer, sim! — Ele responde, balançando a cabeça. — Meus pais estão te procurando. Onde você estava na hora em que eu estava fazendo o discurso e leilão das joias? — Pergunta, curioso.

— Eu estava com Laura, ela não estava se sentindo muito bem. — Respondo, revelando apenas parte do que realmente aconteceu, pois não é um assunto meu para discutir.

— Ela está bem? — Ele pergunta, preocupado.

— Ela está melhor, foi ao banheiro. — Digo, lembrando do celular. Pego o aparelho na bolsa que estava ao meu lado e ligo-o, vendo mensagens de Laura informando que já tinha ido embora com Hadassa e o irmão.

— Se você quiser, pode ir embora com ela. — Ele sugere, ainda preocupado.

— Está tudo bem, ela já foi para casa com nossa outra amiga. — Respondo enquanto respondo as mensagens e, em seguida, guardo o celular.

— Ok, então vamos. Ainda precisamos conversar com mais algumas pessoas. — O senhor Elias diz, sério.

Conversamos com os sócios da empresa e novos investidores por cerca de uma hora. Quando olho para o celular, já são meia-noite.

— Já estou indo. — Digo ao meu chefe.

— Fica mais um pouco, querida. — Melinda pede, sorrindo.

— Não posso, está ficando tarde e estou com um pouco de dor de cabeça. — Respondo com um sorriso discreto.

— Tudo bem! Meu filho vai levar você para casa. — Ela diz, vindo em minha direção e me abraçando apertado.

— Não precisa, posso chamar um táxi. — Respondo, receosa de incomodar o senhor Elias.

— Está tarde para você ir sozinha. Não será nenhum problema para o meu filho levar você. — O senhor Lorenzo responde, sério.

— Eu posso te levar de volta, Ester. — O senhor Elias afirma, decidido, deixando claro que eu não tinha outra opção a não ser aceitar.

Solto o ar lentamente e concordo. Me despeço dos pais dele mais uma vez.

Saímos do salão e entramos no carro. O senhor Elias deu a partida e seguimos em silêncio.

— Obrigado por tudo, senhorita Ester. — Ele agradece ao estacionar o carro em frente ao prédio.

— De nada, só fiz o meu trabalho. — Respondo, esboçando um pequeno sorriso.

— Não é só por isso que estou agradecendo. Também por ser minha amiga, por ter me ajudado quando eu mais precisava. Agora reconheço que foi Deus que a colocou no meu caminho. — Ele diz, sério.

— Que toda a honra e glória sejam dadas a Ele, pois é por causa Dele que eu não desisti e perseverei. — Digo, lembrando de tudo pelo que passei e pelo que ainda passo. Com Jesus ao meu lado, tudo fica melhor, porque Ele é a razão do meu viver.

Me despeço do chefe e saio do carro. Entro no prédio e vejo que o zelador noturno estava assistindo a algo no celular. Vou direto para o meu apartamento.

Abro a porta com a chave e entro devagar, para não acordar as meninas que dormem no sofá. Vejo que a TV estava ligada e a desligo.

Vou para o banheiro, tomo um banho rápido, visto o pijama e, de tão cansada, apenas me jogo na cama, dormindo imediatamente.

                                 [...]

Acordo com a luz do sol no meu rosto. Não acredito que esqueci a janela aberta ontem.

Estou exausta, parece que um caminhão passou por cima de mim, deixando meu corpo todo dolorido.

Levanto da cama, ajoelho-me no chão e começo a oração.

Obrigada, Pai, por mais um dia, pelos livramentos e principalmente pela sua presença que está comigo. Eu te amo por quem o Senhor é. Por favor, revele-se mais e mais para mim, eu te peço em nome de Jesus, amém.

Abro minha Bíblia e o Espírito Santo me direciona para o livro de 1 João 1:5-7.

"A mensagem que Dele ouvimos e que anunciamos a vocês é esta: Deus é luz; nele não há trevas nenhumas. Se dissermos que mantemos comunhão com ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Mas, se andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado."

Pego meu pequeno caderno de anotações e escrevo essas passagens bíblicas.

Deus é bom, e quando andamos com Ele, passamos a manifestar a nova natureza que temos, que é a de filhos Dele. Isso significa que perdoamos e amamos uns aos outros, pois o amor Dele permanece em nós.

Minha Secretária CristãOnde histórias criam vida. Descubra agora