O sol já havia se retirado do céu de Almenia. A noite começava a tomar um rumo frio e repleto de fortes ventos, com as ruas vazias e comércios fechados. Todas as pessoas haviam se deslocado para suas casas, aconchegando-se quietos em suas camas quentes, torcendo para que aquilo passasse em breve. O ruído baixinho do vento era o único som que sussurrava aos ouvidos de quem se atentasse a ouvir em meio ao silêncio, em uma atmosfera pouco convidativa.
No castelo, poucos se atreviam a andar pelos corredores gelados, pois nem mesmo as tochas das paredes eram capazes de diminuir o frio que tomava conta do ambiente. Alguns guardas se mantinham em seus deveres contra suas vontades, mas nada além disso podia ser visto.
Exceto por um homem.
Na biblioteca do palácio, Fugaku dedilhava os livros em busca de algo que pudesse fazê-lo sanar algumas questões que rondavam sua mente. Desde o dia em que invadira Almenia, algo lhe tirava a paz e roubava suas noites de sono:
As criaturas que derrotaram seu exército.
Nunca havia conseguido informações valiosas sobre o que poderiam ser, aquela tinha sido sua primeira vez em contato com aqueles seres e desde então se perguntava se não poderia tudo ser um delírio de sua cabeça. Afinal, como seria possível? Desde então, aquele tema lhe perturbou fortemente durante todos os seus dias, furtando sua paz.
Talvez ali, no local onde tudo ocorreu, existisse uma explicação escrita em algum lugar e era isso que estava disposto a buscar. Não estava sendo uma tarefa fácil, visto que a biblioteca possuía milhares de livros e uma complexidade impenetrável.
Com pouca luz e enormes corredores estreitos, encontrar algo que pudesse explicar seus anseios parecia árduo e demorado. Centenas de estantes de madeira de madeira velha permaneciam dispostas pelo local, enquanto uma montanha de pergaminhos e livros abertos estavam abertos em cima de uma longa mesa. O rei já tinha perdido a conta de quantas escrituras tinha lido na esperança de achar algo que sanasse suas dúvidas.
Uma grande lareira lhe ajudava a se esquentar do ar gelado que rodeava a biblioteca e lhe proporcionava a luz necessária para ler, porém ainda assim nada o ajudava. Não conseguia nenhuma informação em escritura alguma. Apoiou os braços na mesa e afundou o rosto, exaurido por todos aqueles esforços não recompensados. Suspirou em cansaço, estava de volta à estaca zero.
Após tortuosos minutos lutando contra a vontade de desistir, resolveu realizar uma última tentativa. Pensou que se procurasse por materiais escritos pouco depois do massacre, talvez tivesse uma mínima chance de conseguir o que queria.
Passou mais um longo período buscando, folheando páginas e desenrolando pergaminhos, até que um título o chamou a atenção.
"Elementos da guerra."
Começou a virar rapidamente as folhas, sentindo a ansiedade lhe dominar. Com o passar das páginas, o autor comentava diversos relatos e avistamentos nas guerras em que Almenia participou durante os séculos.
Até que em uma página específica seu corpo gelou por completo, mas não por causa do frio.
Um desenho sem forma e criado a partir de traços fortes e escuros fez com um arrepio subisse por sua espinha, enquanto demorava os olhos pela figura. A página só continha isso e uma breve anotação.
"Nome: Tenebris Movet.
Origem: Desconhecida.
Descrição: Essas criaturas assemelham-se a sombras e assumem quaisquer formas que desejarem. Camuflam-se em sombras reais, em um dos disfarces mais difíceis de se reconhecer por tornarem-se imperceptíveis aos humanos. Podem também se transformar em uma figura humana disforme e macabra, similar a uma silhueta. Pouco se sabe sobre estes seres, no entanto aparentemente o sofrimento humano os deixa mais forte e serve até mesmo como um tipo de alimento. Ao passar dos anos se tornou perceptível a diminuição em número dessas criaturas, tendo avistamentos cada vez mais raros.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Aliança
RomanceSeu reino estava devastado, sua honra manchada e sua dignidade destruída. A única opção restante para o rei de Almenia, Kizashi Haruno, foi se envolver em um acordo com uma feiticeira para obter sua tão almejada vingança. Cego pela dor, imprudenteme...
