Enquanto deitada em sua cama, Sakura repousava as mãos sobre o corpo e mantinha o olhar para cima. Gostava de ficar analisando os finos detalhes em ouro que rodeavam o teto enquanto se esforçava para cair no sono. Inventava infinitas histórias para cada segmento, se questionando sobre como haviam sido criados, quando e por que. Uma de suas manias que faziam questão de manter.
Mesmo perdendo inúmeros minutos em seus próprios pensamentos particulares, virou-se para o homem deitado ao seu lado. Sasuke dormia relaxado, com os cabelos não tão arrumados quanto de costume. A jovem achou graça da imagem, tirando com cuidado alguns fios negros que recaíam sobre os olhos fechados do marido. Lindos olhos negros que não poderiam ser vistos. Esboçou um sorriso suave e leve, piscando algumas vezes para se certificar que ainda estava acordada.
Tudo estava correndo bem. Alguns dias após o casamento, havia descoberto pelas damas de companhia que seu bem estar e tranquilidade repentinos eram comuns a mulheres recém casadas, principalmente quando aos poucos se sentia mais confortável e íntima de Sasuke. Agora tinha tempo para descobrir o que quisesse, fossem prazeres ou as inseguranças que deveria superar, o que lhe proporcionou uma estranha sensação de renovação.
Após muita conversa e debate, as famílias haviam decidido que seria melhor que o Uchiha permanecesse com a esposa em Almenia a princípio. Conforme possuíssem mais tempo e tudo fosse ajeitado, iriam para Servéria e então poderiam revezar entre os reinos, estando em qualquer um deles pelo período desejado. Isso os trouxe uma paz imensurável, já que muitos casais não tinham esta oportunidade.
Encontrava-se em uma nova fase de sua vida, fase que causava medo mas também a presenteava com força para enfrentá-lo, afinal nunca mais precisaria mais encarar suas dificuldades sozinha.
Todavia, mesmo em meio ao momento de calmaria e felicidade em que se encontrava, a insônia ainda lhe perseguia. Enquanto seus dias corriam de forma equilibrada, as noites de sono fugiam de si por causa de um pequeno fato que ainda a mantinha presa a algumas preocupações.
Seu pai não falava mais consigo. Meramente.
Depois do "eu aceito", as coisas simplesmente mudaram. Era como se Kizashi não quisesse olhá-la, como se odiasse que agora sua filha carregasse o nome dos Uchiha como uma coroa. Sakura não se orgulhava em admitir, porém no fundo isso a deixou não somente magoada como também furiosa, tendo em vista que o casamento nem ao menos tinha sido sua ideia - por mais que agora fosse apreciada.
Era uma coisa pequena, quase ínfima, que entretanto estava sendo um pequeno ponto manchado em seu paraíso.
Bufou ao recordar-se do fato e observou com atenção a grande e chamativa janela a alguns metros da cama. Como sempre, a lua mantinha-se alta e encantadora entre as árvores que balançavam sem muito esforço por conta da brisa agradável que por ali passava, jamais abrindo mão de sua posição gloriosa.
Suas nuances de tons conferiam aos seres humanos a noção de que suas proporções eram infinitamente maiores do que as deles, e que sua beleza e luz jamais poderia ser alcançada. E, sendo tão magnífica, ninguém poderia tocá-la.
Seus olhos brilharam com a constatação de como ela mesma queria ser. Apreciar o quão impassível e forte era a lua a fez invejá-la. Tanto que sua admiração forneceu-lhe um pequeno lapso de coragem para fazer o que reunia coragem para realizar há muito tempo: levantar-se de sua cama e, em passos silenciosos, deixar o quarto com cuidado. Assim o fez, vagarosamente.
Antes de fechar a porta, deu uma última olhada em Sasuke. Havia percebido nos últimos dias que também adorava vê-lo dormindo, levemente distante da imagem sempre tão impassível que ele passava. Tal visão era reservada unicamente a ela e isso a deixou muito mais satisfeita do que acreditava ser normal, muito mais realizada, e por coisas como essas que não deixaria que algo tão tolo como a indiferença de Kizashi atrapalhasse a felicidade deles.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Aliança
RomanceSeu reino estava devastado, sua honra manchada e sua dignidade destruída. A única opção restante para o rei de Almenia, Kizashi Haruno, foi se envolver em um acordo com uma feiticeira para obter sua tão almejada vingança. Cego pela dor, imprudenteme...
