12 - De volta para casa

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Andrew não havia gostado muito do fato de Dylan ter levado Ethan até sua casa. Segundo ele, eu deveria ter ido em seu lugar e ter explicado o motivo de estar voltando para casa antes do previsto.

Me mandou inúmeras mensagens querendo saber o real motivo, e precisei inventar desculpas relacionada ao meu trabalho e os projetos que estava supervisionando.

Ethan acabou passando o dia todo na casa de Andrew, como havíamos planejado. A sua alegria ao chegar na casa de mamãe era contagiante. Ele parecia estar ligado a tomada. Não parava de contar um segundo sequer sobre o seu dia.

Contou sobre ter ficado apenas seu pai e ele na casa.

— Você acha que o papai também irá viajar conosco? — Ethan perguntou curioso.

— Eu acho que não, ele trabalha aqui, lembra? — Perguntei.

— Eu vi algumas malas prontas perto da porta, eles estavam colocando dentro do porta malas de um carro. — Contou.

Não sabia o que pensar, ninguém havia comentado nada comigo. Andrew muito menos, não havia dito nada.

As minhas malas já estavam quase prontas. Na manhã seguinte papai nos levaria até o aeroporto para pegarmos o avião.

Avisei Ethan que ele não poderia ficar brincando muito tempo com Katie, era necessário que dormisse bem a noite para viajarmos de volta para casa.

— Irei sentir tanta saudade. — Mamãe falou chorosa.

— Eu também mãe, não fique assim. — Avisei ao abraçá-la.

— Você deveria nos visitar mais vezes. — Pediu.

— Talvez eu não consiga vir tanto, mas acredito que agora que Andrew sabe sobre Ethan, ele venha com mais frequência. — Contei.

Existem coisas na vida para as quais nunca estamos preparados, quando de fato elas acontecem. Dividir Ethan com alguém me parecia bastante complicado, e talvez até triste. Eu deveria estar feliz por vê-lo realizado com a presença de seu pai, e de certo modo, eu estava muito feliz.

Estava muito feliz que Andrew estivesse suprindo as expectativas de meu filho e estivesse se doando a ele.

Decidi que me despediria de todos antes de ir para cama, uma vez que nosso voo era cedo demais e não queria fazê-los acordar cedo, mesmo porque Emily e Natalie não estariam ali para me ver sair.

Algumas lágrimas foram derramadas como de costume. Uma despedida nossa sem muito choro, não é uma despedida.

— Venha filho, vamos para cama. — O chamei. — Amanhã iremos sair cedo.

Nos aconchegamos na cama, bem abraçadinhos como de costume. Seus dedos estavam em meu cabelo, fazendo carinho como sempre.

— Você promete que eu vou ver meu papai de novo? — Pediu.

— Prometo. — Prometi. — Agora feche os olhos e durma.

Beijei a ponta do seu nariz e agora fora a minha vez de acariciar seu cabelo. Não demorou para que sua respiração se suavizasse, mostrando que o sono havia chegado.

Meu sono não havia sido tão generoso como o de Ethan. Ele ainda estava dormindo em meu colo, enquanto papai descia com as malas e eu ficara responsável por levá-lo por conta da prática.

O caminho do aeroporto fora tranquilo e rápido como o esperado. Embora mamãe estivesse acordada quando saímos, não quis nos acompanhar para evitar mais lágrimas.

— Você está aqui, mas ao mesmo tempo parece estar tão longe. — Papai comentou em uma breve olhada que me deu com o canto dos olhos.

— Meu corpo está aqui, mas a minha mente já está em Nova York. — Afirmei.

— Ontem, de longe deu para perceber que a conversa estava um tanto séria em relação a você e Andrew. — Contou.

Respirei fundo e olhei para fora, avistando o aeroporto logo a nossa frente.

— Ah, coisas do passado. — Comentei. — Nada que possamos mudar agora.

— Se passaram cinco anos, seis praticamente, você ainda sente algo por ele? — Perguntou preocupado ao estacionar.

Eu ainda o amava? Era claro que meu amor não havia ido embora. Era óbvio que havia uma chama que não havia sido apagada.

Apenas olhei papai nos olhos e não precisei dizer nada ao vê-lo balançar a cabeça positivamente. Seu olhar era tão triste quanto o meu, como se sentisse pena pela minha situação e quem sabe agora entendesse o motivo de eu estar indo embora mais cedo.

O abracei fortemente assim que me ajudou com as malas e com Ethan ainda sonolento em meu colo. Agora eu me dobrava em duas para puxar as duas malas e carregá-lo.

Estava distraída procurando o local de despache de mala, quando vi mãos tocarem minhas malas, rapidamente achei que estava sendo roubada em pleno aeroporto, mas quando olhei para o lado encontrei os olhos de Andrew em mim.

— Deixa que eu levo as malas. — Avisou, levando com ele também uma outra.

Não tive reação, não estava o esperando encontrar.

— Espero que você não se importe de eu passar alguns dias em seu apartamento. — Avisou.

Eu não consegui responder em palavras, apenas balancei a cabeça positivamente. Andrew percebeu meu cansaço com Ethan e o colocou em seu colo.

Eu não sabia nem como ele havia conseguido uma passagem em uma poltrona ao lado da nossa. As nossas passagens aéreas estavam bem guardadas, e por isso desconfiava muito que alguém houvesse visto.

Andrew colocou Ethan na poltrona do meio, com cuidado para que ele continuasse dormindo. Sentei-me a sua esquerda e ele a sua direita. Evitei olhá-lo, não conseguia nem ao menos falar.

— Ethan contou sobre as malas, mas não imaginava que você estaria indo para Nova York. — Comentei, fazendo que sua atenção fosse de seu celular para mim.

— Samantha foi embora. — Falou cabisbaixo.

— Vocês pareciam tão bem. — Comentei lembrando um pouco da noite de natal.

— Não estávamos bem, embora tentássemos. — Afirmou. — E depois da nossa conversa, ela teve a certeza de que gostaria mesmo se separar.

— Nessas horas me pergunto se eu houvesse contado na época sobre Ethan, se teria evitado tudo isso. — Talvez minhas palavras houvessem saído mais alta do que o esperado, aquele era para ser apenas um pensamento meu.

De volta ao NATAL 2Histórias para pegar e não largar. Descubra agora