Parte 15

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Hoje foi o bordô, amanhã o branco, ontem um tinto seco. O vinho, um lembrete constante do seu cheiro cítrico, da sua pele manchada. Aceitei há pouco que não te amo, mas não te esqueço. Pertenço a você como as estrelas pertencem ao céu, fadadas a amá-lo mesmo que odeiem. Ele é a casa delas, e tu a minha. Onde me sinto eu, me sinto seguro. Onde sinto você.

E mais do que nunca hoje, sinto sua falta. Hoje é um tipo de aniversário diferente, daqueles que ninguém comemora, ou ao menos costuma lembrar. Mas hoje é o aniversário da última vez em que estivemos juntos. Onde a sua pele tocou a minha, e nossos lábios não foram suficientes para calar o fogo que subia entre nossas pernas.

Hoje, vivo sua falta com um fantasma. Me perdoe se pareci como um pesadelo para você. Me perdoe se não fui um sonho bom. Mesmo assim, não queria acordar. Te viver foi como um paraíso, e nos ver morrer, como o próprio inferno de Dante.

Era nas suas mãos que meu coração repousava calmo, e não sentia dor. E sem elas, a ansiedade me corrói como um metal no salitre. Espero que um dia leia isso e me diga o que fazer sem ter você.

Com amor, Nico.

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