Brincando de médico

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Ele me levou pra casa.

Tentei me separar de seu corpo no percurso. Mas dessa vez não porque eu quisesse fazer birra e ficar longe dele, mas sim porque eu sentia uma fisgada no peito. Sentia que eu tinha um machucado debaixo da minha camisa e estava sangrando bastante.

— Você está bem? — ele pergunta de novo, assim que tiro meu capacete e me agacho na garagem. — Sakura?

— Eu acho que vou... — miro o mais longe da moto e vomito sem ao menos completar a frase - não com palavras -.

— Alô. A gente teve um problema... — tento me concentrar na conversa que Sasuke tem pelo telefone, mas estou "ocupada" demais para me importar com quem quer que seja que ele está falando. — Mais ou menos... Não, ela não pode falar agora. Estou falando sério, Naruto! Tá. — ele aproxima o aparelho o mais perto possível sem que eu pudesse sujá-lo. Aposto que o barulho do vômito foi o bastante para convencer nosso amigo loiro do outro lado da linha que eu não podia atendê-lo. — Ouviu? Ela tá passando mal, caiu da moto mas não parece ter quebrado nada. — ele respondia as perguntas com os olhos grudados aos meus. Que vergonha. — A culpa não foi minha! Ela não quis se segurar em mim. — Sasuke bufa, visivelmente puto da vida. — Eu vou ficar aqui sim. Okay. — então ele desliga o telefone. — Já acabou?

— Se quiser pode ir atrás deles.

— Se eu for para lá beber com eles, antes eu vou te levar para o hospital.

— Como se você se preocupasse mesmo comigo, é quase fofo de sua parte.

— Tsc. Podemos subir agora? Já acabou de vomitar?

Respiro fundo antes de assentir com a cabeça. Ainda tento manter a compostura, mesmo sabendo que minha dignidade tinha sido expelida pela minha garganta junto com o vômito.

Meus machucados ardem, o do peito em especial, e isso me faz divagar sobre a sorte que eu tive no final das contas. Tudo podia ter sido tão pior do que realmente foi.

— Ainda bem eu ando igual um homenzinho. Imagina se fosse a Ino que tivesse caído? — agradeço mentalmente por eu estar de calça e botas.

— As pernas delas estariam todas arranhadas agora. — Sasuke tinha um sorriso no rosto, talvez essa hipótese também já tivesse passado na cabeça dele, principalmente ao considerar nossa breve discussão antes de subirmos em sua moto e por isso, ele estivesse grato pela minha escolha por algo que me protegesse mais.

Bom, eu estava feliz - grata ao universo por não ter morrido, pelo menos -.

Quando entramos no elevador, eu tento me manter calma. Mexo o mínimo possível para que o evidente ferimento em meu torso não me faça reclamar ou gemer de dor.

Porém, acho que minha cara não engana muito. Eu devia estar péssima.

— Está doendo, não está? — a voz grossa de Sasuke sai num sussurro firme. Sua presença é capaz de preencher todo e qualquer espaço daquela caixa de metal. Seus dedos digitam rapidamente alguma mensagem curta para Ino. Aquilo atiça minha curiosidade, mas me mantenho quieta, encostada numa das paredes do elevador para conseguir equilíbrio de maneira fácil.

— Isso importa? — a ânsia de vômito tinha passado, mas eu estava começando a ficar nervosa. Eu só queria tomar banho, me deitar e fingir que tudo aquilo não havia realmente acontecido.

O elevador balança levemente indicando que tínhamos chegado finalmente ao andar do apartamento. Só que, mesmo depois das portas abertas, continuamos ali, naquele espaço mínimo, como se não nos importássemos de conversar por mais meia hora ali dentro.

Lorde SasukeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora