Passado

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— Anda, você precisa comer, patricinha — Izuku acompanhava Jirou e Momo, que estava sendo puxada pela outra garota — O refeitório vai estar muito cheio, vamos ficar por aqui mesmo.

— Eu sei, gente, eu tô indo — Momo tropeçava nos próprios pés pela velocidade que era levada.

— Aqui, chegamos as vendinhas — Jirou parou, ainda segurando a mão de Momo — O que quer comer?

— Ah, não sei. Izuku, alguma sugestão?

— Eu iria sugerir Katsudon, mas eu não tenho dinheiro para comprar nada, preciso ir até o professor antes que ele me crucifique mentalmente por estar sem supervisão.

— Eu pago para você e o Aizawa-Sensei sabe que você tá com a gente, é só falarmos com ele depois — Momo ofereceu para Midoriya, que a olhou com olhos brilhantes — Eu não disse que é só uma criança, Jirou?

— Já que você está oferecendo, quem sou eu pra negar — Izuku deu de ombros com um sorriso contido em seu rosto.

Pouco depois, o trio estava sentado em um banco perto das barraquinhas, comiam enquanto observavam as famílias passarem com um ar leve e esperançoso. Com essa visão, também podiam ver quem os olhavam com desdém por estarem com Izuku, outros, encaravam o mesmo diretamente, aquilo estava deixando Izuku animado. Satisfeitos? O vilão ganhou o primeiro lugar não só na primeira, como na segunda rodada também, isso, pelo menos, deixava o esverdeado satisfeito. Estavam prestes a voltar para as salas de espera para se prepararem para a última rodada, quando Shoto apareceu, ficando na frente de Midoriya.

— Midoriya, pode vir comigo?

— Eu deveria? — Izuku olhou nos olhos de Shoto, indiferentes, como sempre.

— Preciso falar com você, a sós.

— Sobre? Não lembro de ter começado algum assunto com você.

— Vai descobrir se vier.

— Não se faz isso com curioso — Jirou riu breve — Agora o coitado não vai saber nem recusar.

— Hum, bom então.

— Filho da… — o vilão queria o xingar, mas lembrou-se que a mãe do bicolor não merecia aquilo — Vamos logo.

Shoto o guiou até uma entrada permitida apenas para alunos e funcionários no estádio, local bastante afastado do público. Izuku só se questionava o que aquele garoto queria, sendo que sequer tinha falado uma palavra para si até aquele momento.

— Fala logo, o que quer?

— Eu quase usei meu lado esquerdo — começou — Mesmo que eu não tenha usado, você me superou.

— Eu normalmente fico feliz em ouvir coisas do tipo, mas o seu tom de voz não fazendo isso acontecer.

— Sei que odeia o All Might, mas vocês têm uma coisa em comum com ele, se não percebeu.

— Eu vou fingir que não ouvi isso e se você continuar no assunto “All Might”, eu vou embora no mesmo momento.

— Sabe que o Endeavor é o meu pai, ele passou boa parte do tempo sendo o número dois. Ele tem uma obsessão em crescer no mundo. Como super-herói, ele fez o seu nome com uma grande fama. Por isso ele odeia o herói número um, o All Might. Ele não conseguiu superar o All Might e por isso passou pro plano B.

— O que eu tenho a ver com isso? — perguntou com tom de desinteresse, mas a verdade era que estava mais do que atento aos detalhes daquela história.

— Sabe o que é casamento por individualidade? — Shoto indagou fazendo Izuku arquear as sobrancelhas curioso — Aquilo se tornou um tormento para a 2ª e a 3ª geração, depois que as individualidades apareceram. Escolher um cônjuge pensando apenas em fortalecer a própria individualidade e passá-la para os filhos em casamentos forçados. É uma forma antiquada de pensar, trazida pela falta de ética. Meu pai é um homem com tanto mérito quanto dinheiro. Ganhou dos parentes da minha mãe e se apropriou da individualidade dela. Ele está tentando cumprir seu próprio desejo, me criou para ser o super-herói que vai superar o All Might.

Minha SalvaçãoOnde histórias criam vida. Descubra agora