Sempre temos escolha

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Boa leitura.

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Nevermore

Narrador

- Sua mente continua a ser perturbada?- Wandinha questiona.

Havia se passado algumas horas e Enid se manteve na mesma posição durante todo esse tempo, costas na cabeceira da cama, braços cruzados e olhos fixos na parede a sua frente. Wandinha tinha seu palpite da causa de tamanha distração.

Desde que entrara pela porta ao fim da última aula, Enid se encontrava daquela maneira, e Wandinha não estava acostumada com tanta quietude, ainda mais vindo de alguém tão enérgica como a loira.

- Hm?- Murmura ao tirar os olhos da parede e mira-los em Wandinha.

- Está calada e dissociada.- Aponta enquanto se vira em sua cadeira da escrivaninha.- Se for por conta daquela vampira abusada, eu tenho uma estaca.

- Não pode cravar uma estaca nela, Wandinha.- Um sorriso curto escapa pelos lábios rosadinhos de Enid.

- Não posso?- Se vira novamente e volta a batucar os dedos nas teclas de sua máquina de escrever.

Havia retomado sua escrita após seu lapso de criatividade esvair-se. Algumas páginas já estavam prontas e perfeitamente colocadas dentro de sua maleta, a pilha de papéis pronta para receber a próxima página. Enid retirou o cobertor que estava sobre suas pernas, e calmamente desceu da cama para capturar suas pantufas rosas de coelhinho com os pés.

- Estava pensando...- Apanhando a cadeira de sua própria escrivaninha, a levou até que estivesse ao lado de Wandinha, recebendo aquele olhar acusador que aprendeu a ignorar.

- Você pensa demais.- Se vira e volta a escrever.

- Você acha que a errada fui eu?- Questiona.- Seja sincera.

- Você acha?- Devolve a pergunta, assistindo Enid não ter exatamente uma resposta.

- Eu estou destinada a odiar vampiros.- Responde sem saber se aquilo fazia algum sentido.

- Você não odeia Yoko.

- Ela é diferente.- Bufa ao se jogar sobre a escrivaninha, imediatamente sentindo algo tocar a ponta de seus dedos.- Oi, mãozinha.

- O que faz Yoko ser diferente? Ela ainda tem presas, já que esse parece ser o seu problema.- O som irritante da máquina continuava sem parar.

Sinclair ponderou um pouco antes de responder.

- Trabalhamos esse ódio juntas, mas ela me irritava muito no início.- Deixa uma risadinha sair, mas então, se lembra de algo.- E ela não tentou arrancar minha cabeça com um sabre de esgrima.- Resmunga ajeitando sua postura na cadeira.- E não me derrubava nos corredores por prazer próprio.

GAC | Enid SinclairOnde histórias criam vida. Descubra agora