Chapter Nine

15.3K 1.7K 776
                                        

Sra.Sinclair não gostava de sair de casa com Enid. Mas não por conta da menina, e sim por conta das pessoas e de seus olhares maldosos ou comentários inconvenientes como: "Você devia ter educado melhor sua filha" que ouvia desde sempre.

Mas Enid fez muito progresso desde os sete, consegue manter-se calma por um tempo maior do que aquela época, agora sabe fazer várias coisas sozinha e consegue ir à escola.

Um acontecimento despertou grande desespero na loira mais velha. Era o aniversário de oito anos da filha mais velha, e foi ao shopping comprar a boneca que a mesma tanto queria.

- Vem, Enid. - Segurou a mão da menina que à puxou de volta e tapou os ouvidos. - Não, não começe. Hoje é aniversário da sua irmã, tente se comportar.

Andou na frente e olhou para trás vendo que não estava sendo seguida. Bufou e segurou o pulso da menor puxando-a para uma loja de brinquedos mas logo soltou ao ouvir o grito da mesma fazendo olhares de pessoas da loja e até as que passavam pelos corredores do local focar nas duas.

- Enid Sinclair. - Inclinou-se para ficar da mesma altura da filha. - Nos vinhemos aqui para comprar o presente da Isabel, pare com suas cenas.

Enid olhava o teto da loja observando o enorme arco-íris ursinhos e unicórnio desenhados. Não dava a mínima para mãe. Era como se Enid falasse inglês e a mãe grego.

- Enid. - Chamou. - Enid, olhe para mim quando eu estou falando contigo. - Segurou o queixo da menor com uma certa força e forçou à olha-lá.

A criança empurrou a mulher e olhou ao redor, várias informações passaram em sua cabeça. Então correu. Desceu a escada rolante empurrando todas as pessoas que estavam em seu caminho e finalmente saiu do shopping e tudo piorou. Correu entre ruas e dobrou esquinas até estar totalmente perdida. Sua última escolha foi se jogar no chão e chorar. Em um lugar completamente diferente e com pessoas estranhas que tentaram ajudar a menina

- Você está bem?

- Cadê a mamãe, menininha?

- Vem aqui que a tia te ajuda a encontrar sua mãe.

Uma mulher ligou para a polícia para que buscassem a criança perdida. Não demorou tanto para que chegassem e a levassem.

Junto com uma assistente social, tentaram arrancar algo da boca de Sinclair.

- Qual é seu nome? - Um homem perguntou sentando do lado do corpinho de Enid. - Talvez ela seja surda, ela não parece nos escutar.

- Talvez esteja apenas nervosa.

Depois de horas que pareciam séculos para a pequena Sinclair, sua mãe finalmente a encontrou.

Naquele dia não teve mais aniversário nem presente para Isabel.

- Tudo é a Enid, papai! Ela sempre estraga tudo, até meu aniversário. - Dizia a loira enquanto chorava no colo de seu pai. - Eu odeio ela.

[...]

Enid tomou um banho e colocou uma roupa confortável. Olhou pela janela do quarto e viu a irmã sair da casa da frente e acenar para si. Ela realmente achava que a caçula não sabia de sua amante.

Ficou observando os carros passarem pela pista. Observou os cinzas, cada vez que um passava ela anotava em um caderninho. 23 carros cinzas no total

Sentou em sua cama e viu uma foto na parede que tinha seu pai e sua irmã em um parquinho.

Franziu o cenho, odiava aquela foto, odiava aquele homem. Todas as lembranças que tinha dele, que por mais que fossem poucas,eram ruins.

- Eu não posso ficar. - O homem disse antes de sair do quarto.

Crayons - WenclairOnde histórias criam vida. Descubra agora