Capítulo IV - Veneno

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Jogou a pele sobre o velho vestido cor de musgo que vestia, era pesada e dificultava o acompanhar das passadas ligeiras de Sasuke, ainda mais quando saíram da casa e puseram-se a caminhar sobre a superfície e o frio da neve.

‒ Se me permite perguntar, aonde estamos indo? ‒indagou receosa, era a primeira vez em alguns dias que dirigia a palavra à ele.

‒ Encontraremos as ervas de que precisa.

Caminharam até o estábulo, um guarda vigiava o local, o moreno ordenou que selasse o seu animal e mais algum entre os outros. Sakura recebeu em suas mãos a rédea de um marrom rajado de branco, quando foi subir, o peso da capa a atrapalhou e acabou desequilibrando, mas sentiu duas mãos em sua cintura a empurrando para cima, então foi capaz de passar a perna para o outro lado.

‒ Obrigada. ‒agradeceu, enquanto Sasuke já se afastava e montava em seu corcel negro.

Trotaram em ritmo acentuado, Sakura não perdia a chance de observar tudo ao seu redor, conhecendo e gravando cada vez mais do território dos Hatake, tinha um cavalo agora e só precisaria se preocupar com Sasuke naquela hora da noite, não subestimava o rapaz, mas a situação lhe fornecia um lampejo de esperança.

Quando deu por si, ele estava parando diante de uma casinha simples, desmontaram e Sasuke deu batidas na porta, que foi aberta instantes depois por um senhor de idade bem avançada.

‒ Senhor Sasuke. A que devo a honra da presença?

‒ Precisamos de algumas ervas. ‒foi direto ao ponto, dando licença para que a garota falasse.

‒ Papoula e umas três sementes de cróton, por favor.

‒ Tenho apenas a papoula, o cróton por ser venenoso é encontrado em áreas mais densas do terreno, receio que não tenho mais idade para apanhá-las.

‒ Venenoso? ‒Sasuke indagou intrigado.

‒ Em grandes doses sim, do contrário serve apenas para amenizar a inflamação. ‒a Haruno se apressou em responder.

‒ A garota está certa. Arranjarei o leite das papoulas. ‒o velho assentiu e voltou com um frasco, o qual Sasuke pagou com algumas moedas de bronze.

‒ Poderia nos indicar onde arranjar o cróton? ‒Sakura perguntou.

‒ Nas regiões do Vale Sinuoso, ele cresce próximo a raízes de outras árvores, roubando os seus nutrientes para o seu próprio crescimento.

Seguiram rumo ao lugar indicado pelo velho, como o mesmo havia dito, era uma área cercada por pedregulhos e árvores imensas que cobriam grande parte da paisagem, a luz do luar quase não passava pelos ramos exuberantes.

‒ Buscamos uma planta rasteira com folhas onduladas e de cores quentes variadas. ‒disse-lhe atenta.

Foi então que escutaram um grito estridente que não parecia distante, entreolharam-se, de início trataram de ignorar, mas ele repetiu-se. Sasuke tomou a frente em passos lentos, com a Haruno logo atrás de si, alguns sons de espadas se chocando ficavam mais próximos na medida em que adentravam a mata, acompanhado de gritos de clemência, logo avistaram um trio de homens sem identificação, cercando uma família composta por um casal e uma criança.

‒ São saqueadores. ‒o moreno concluiu, observando que os mesmos vasculhavam a carroça de suas vítimas.

Sem mais delongas, o herdeiro Hatake saiu da mata e mostrou-se, os homens surpreenderam-se, porém voltaram a ele como se não temessem sua a imponente figura:

‒ Ei, esse não é o bastardo de Kakashi?

‒ O próprio! ‒o outro confirmou com um sorriso blasfemo. ‒ Mas ouvi dizer que ele não é um bastardo, não tem nem mesmo a linhagem do conde, é apenas mais um filho de uma vadia imunda qualquer.

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