Beijo de pistache

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Perceber que meus dias eram vividos em função dela, não foi um problema. A situação começou me deixar alerta quando Bang me ligou. Isso mesmo. Ligou. Não mandou mensagem, não marcou reunião. Simplesmente pegou o telefone e ligou.

Duas horas da manhã.

Imagine meu espanto. Eu estava na cama do hotel com Sn e não havia acontecido nada. Só ficamos trabalhando em Índigo e acabei dormindo no quarto dela. Não tínhamos ficado novamente desde o dia do vinho lá em casa, mas éramos próximos e eu amava sua companhia, suas risadas e a forma que ela me fazia sentir. Então julguei que não voltar para minha casa não seria um problema, uma vez que sou um homem adulto e solteiro. A única coisa que não coloquei na balança foi Choi Yu-Jin, fazendo inferno para todo mundo que poderia me influenciar ou dar concelhos sobre aceitar a droga do contrato.

-Senhor? -Atendi saindo na varanda depois de deixa-la deitada, enrolada na colcha. A rua de Sn ser a mesma da Hybe era um problema, fazia barulho demais do lado de fora, mesmo estando frio demais.
-Foi numa balada sem seus amigos?
-Estou em casa, senhor.
-Só se for na de outra pessoa, da sua você saiu de manhã e ainda não voltou.
-Não senhor, estou na casa de uma amiga.
-E espero que esteja usando preservativos enquanto o faz.
-Só dormindo, senhor.

Minha índole me fazia ser extremamente educado e cordial com ele e nossas conversas eram sinceras, embora eu nunca deixasse de tratá-lo com respeito, não tínhamos filtros para falar sobre nada, mas um silêncio ficou no ar tempo demais e Bang suspirou do outro lado.

-Fiquei sabendo do contrato.
-Senhor, eu não... -Fui interrompido antes mesmo de comentar algo.
-Estou avaliando as possibilidades.
-Não quero namorar com ela.
-Vai querer a brasileira, então? Alguém que ninguém sabe quem é?
-Prefiro, senhor.
-Eu sei. Você é meu menino e crescemos juntos, mas dessa vez não posso fazer todos os seus gostos.
-Senhor, Choi não tem um bom histórico.
-Você acha que não sei?

Mais uma pausa desconfortável se seguiu.

-Tenho sete Idols do melhor grupo da empresa para enviar ao exército depois de uma pandemia fodida. Você até pode ter e ser da brasileira se quiser, onde coloca seu pau nunca foi problema meu, mas vai para o exército tendo a Choi Yu-Jin como sua namorada. -Meu corpo inteiro pareceu reiniciar enquanto ouvi tudo aquilo. Não seria a primeira vez que a empresa quase me obriga a fazer algo.

-Senhor?
-Não é para te punir, é para deixar essa sonsa sem nenhuma arma. Ela viu a Sn sair da sua casa, está fazendo chantagem usando o nome do Jeon, Jimin, Yoongi e até do Seokjin, só por ter visto Sn trabalhar com eles.
-Ela não tem nada com ninguém.
-Nós dois sabemos disso, mas Choi não vale muita coisa, se você quer ficar com essa menina, vou precisar proteger a imagem, a cara dela e suas costas como idol e líder do grupo. Não vai te adiantar muito aparecer na mídia e uma mentira grande vir logo atrás.
-O que faço com a Choi Yu-Jin?
-Vou redigir um contrato melhor, algo que não seja de tudo uma merda para você e logo após tudo resolvido, você entra no exército e ela fica aqui fora, não vai precisar passar muito tempo com ela, é só um nome, mais um trabalho.
-Senhor, Sn pode não me querer depois disso.
-Ela é sua menor preocupação agora. Conversei com os meninos sobre ela, tenho bons exemplos sobre, se você quiser essa moça e ela te quiser de volta, vocês serão um do outro, nem que leve alguns anos para isso.


Deitei na cama observando-a. Os lábios em um biquinho e me forcei para não roubar um beijinho. Mas foi impossível segurar minhas lágrimas aquela noite. Não consegui mais dormir e fiquei olhando-a e pensando nas coisas que deveria fazer para protege-la. Se você quiser essa moça e ela te quiser de volta, vocês serão um do outro, nem que leve alguns anos para isso. A frase de Bang martelava em minha cabeça, soava em meus ouvidos até que senti uma mão quente tocar minha cintura, por baixo da camisa.
-Perdeu o sono? -Sussurrou com a voz rouca, forçando os olhinhos abertos.
-Acordei quase agora. Fui no banheiro. -Menti e ela riu.
-Você é ruim com mentiras. -Brincou se aproximando de mim e deixando a pontinha do nariz roçar meu pescoço.
-Você viu alguém quando saiu lá de casa aquele dia?
-Encontrei a moça que te abordou no café.
-No corredor? -Sn assentiu.
-Te arranjei problemas?
-Claro que não. Você é todas as minhas soluções.

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