Meus dias começavam a retornar para uma simples rotina depois que percebi que a vida continuava, mesmo depois de algo tão estranho ter ocorrido, mesmo estando debaixo das asas dos meus pais, mesmo ainda tendo pesadelos durante a noite ou qualquer outro horário que meu corpo ousasse descansar. Eu ainda continuava a ser o mesmo, gostando das mesmas coisas, lugares, bebidas, roupas, era só como se um lado meu quisesse deitar naquela cama e ficar no quarto escuro por muitos anos e o outro lado quisesse levantar e voltar para minha casa em Seul no mesmo instante. Mas eu sabia que os dois lados iriam colapsar e desabar de uma única vez se eu o fizesse, então permaneci na chácara com meus pais, afastado da cidade, das câmeras e de toda a situação constrangedora na qual Choi havia me enfiado.
Bang estava mais solicito e concordava com tudo que eu dizia, como alguém que não quer, nem por um segundo, discordar ou gerar desconforto. Seu jeito de me olhar também havia mudado e recebi mais visitas dele do que de qualquer outra pessoa nos últimos dias. Em suma, o que ele tinha era medo. Medo de que eu largasse tudo e fosse viver isolado, medo de que eu perdesse a guerra para conflitos internos e até mesmo, medo de eu fazer, de alguma forma, sua fortuna diminuir.
Meus pais não estavam ligando para meu trabalho, só queriam que eu conseguisse sair do buraco onde estava enfiado e isso me parecia bem difícil, pelo menos por agora.
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A primavera se aproximava, com o final de Fevereiro e do inverno que havia sido rigoroso. Não tínhamos mais neve caindo, só chuvas que estavam ficando cada vez mais fracas e rápidas e um frio que não exigia mais luvas e duas meias nos pés. Lá embaixo, na estufa, os morangueiros já ousavam tentar iniciar sua floração e da entrada, era fácil ver o caminho verde estendido de um canto ao outro, todos prontos para darem frutos. Eu amava aquela parte da chácara, sempre havia silencio, só o som do laguinho deixava tudo preenchido, com a fonte jorrando água. Se houvesse um lugar no mundo para eu determinar ponto de paz, seria aquele, até mesmo por eu conseguir lembrar de coisas boas quando estava lá.
Era minha inspiração para um patrono, caso eu precisasse de um feitiço que exigisse uma memória feliz para ser lançado. Lá, se tornava possível pensar em Sn e até passarmos horas em vídeo chamada, enquanto eu "pentelhava" os pezinhos de morango, assim como ela dizia, e a moça me olhava do outro lado da tela, deitada numa cama quentinha e vestida num pijama lindo. A amizade dela sempre sendo o item mais que essencial para que minha vida continuasse e eu jamais ousaria fazer quaisquer coisa que fosse me privar de ver os olhos e aquele sorriso de novo, então sempre que um pensamento assim queria me atacar, eu pensava nela com todas as forças do meu ser, levantava da cama e ia fumar um cigarro ou dar uma volta pelos arredores.
Sinceramente, minhas memórias não sabiam ao certo quando meu instinto mudou de -odiar muito o cheiro de cigarro- para -e se eu fumasse um cigarro bem agora?-. Minhas emoções permaneciam condensadas dentro de mim, assim como meus pensamentos que aos poucos tornaram ao lugar de origem depois de horas e horas em terapia.
Não pode se culpar por coisas que não estavam em suas mãos, você não tinha como prever.
Dizia minha psicóloga, mas dentro de mim, o capetinha da discórdia dizia que aquilo era mentira, tudo tinha sim sido culpa minha, eu deveria ter prestado atenção antes de abrir, deveria ter chutado Choi para fora antes de ir para o banho, deveria ter aberto um processo contra a empresa por me colocar naquela situação e não ter sido um completo imbecil e aceitado tudo calado.
Na verdade, a coisa que eu mais sentia era ódio e repulsa, por isso, qualquer outro sentimento sucumbia ao poder desses dois e quase nada restava para iluminar os dias cinza, além é claro do sorriso dela, Sn me mantinha em sã consciência e longe de cometer uma besteira maior, então falei muito dela na terapia, falei dos pés de morango, das cerejeiras florindo e do quanto ela ficava linda enquanto me contava uma fofoca que descobriu. Minha psicóloga descobriu antes de mim que, na verdade, o que eu sentia por Sn não era apenas admiração e amizade como eu repetia tantas e tantas vezes, mas eu insisti que as palavras amor romântico não fossem colocadas na mesma frase e já estava até me sentindo melhor quando um dos meninos me mandou mensagens, esbravejando e dizendo que todo o grupo iria acabar se eu não tomasse atitude de macho e encarasse meus medos de frente. Um dos meus Hyungs explosivos e mais sinceros do mundo, me olhou nos olhos em uma chamada de vídeos e disse claramente "ou volta para sua vida, ou esse monstro do seu passado vai engolir quem você é", o típico sermão vindo de um irmão mais velho e por mais incrível que pareça, eu descobri que aquele tipo de verdade sendo dito na cara sempre funcionava, percebi também que estar escondido mascarava todos os lutos e as coisas que significavam para mim, isso se tornava meu elixir e eu estava totalmente confortável nessa zona de desconforto, mas Yoongi foi até meu refúgio me buscar para a realidade.
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Melhores Amigos
Fan-FictionNamjoon e Sn encontram-se quase que por acaso em um parque e desde esse dia, a história de ambos se cruza em detrimento de um futuro feliz. Ele um k-idol e ela uma brasileira que vai até a Coréia do Sul para aprender coreano e acaba, por sorte ou az...
