capítulo três.

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O outro dia tinha chegado mais cedo do que o previsto e evitar a qualquer custo a presença de Pete estava sendo difícil. Parecia que quanto mais tentava evitar, mais o destino o colocava de frente para si. Em certo momento, o professor de educação física tinha sofrido um acidente feio e Saengtham foi o escolhido para ocupar o cargo por enquanto. Um professor de artes com um físico de quem nem sequer malhava e provavelmente sedentário do tipo que tinha medo do sol de tão branco que era.

Pelo menos estavam na quadra e como o novo professor não tinha experiência na área, decidiu dar aula livre, inclusive havia distribuído tabuleiros e outros objetos para os alunos passarem o tempo sem tédio. Porsche se mantinha entretido com cartas de uno e a cada grito que dava, era possível perceber que estava ganhando e um passo à frente dos outros jogadores.

"Tem certeza de que não quer participar?"

Queria ser surdo e cego naquele momento. Pete parecia um tipo de encosto novo de Vegas, havia passado o dia inteiro tentando evitar qualquer contato e quanto mais evitava, mais tinha encontros.

"Tenho certeza, prefiro apenas observar Porsche jogando." Deu de ombros sem virar o rosto para o lado em que o outro se mantinha. "Só isso, professor?"

Não fazia nenhum movimento brusco, falava ou desviava o campo de visão no amigo espatifado no chão e gritando 'uno' a cada dez minutos.

"Não me olha e mal me responde quando falo com você, tem certeza que gosta de mim?" A voz baixa do mais velho chegou aos ouvidos de Vegas, fazendo suas orelhas tomarem uma coloração vermelha.

"Vee, vem me ajudar aqui!"

Vegas não esperou mais de um minuto. Deixou Pete plantado onde estavam há pouco e correu até o amigo, tirando à força Tay de cima dele e, em seguida, erguendo Porsche do chão. Porra, quando esses dois começaram a se matar? Estava olhando Pitchaya desde o início da aula e mesmo com Pete do lado, não desviou a atenção um minuto sequer do garoto.

"Esse desgraçado tá trapaceando no jogo" Tay desferiu irritado enquanto procurava jeito de escapar das mãos de Big, que segurava fortemente sua cintura. "Ele merece levar uma surra pra deixar de ser um babaca! Me solta cacete."

"Não trapaceei, você que não sabe perder." Rebateu mostrando a língua.

Totalmente infantil e conhecendo ele desde criança, Tay poderia não estar errado.

"Tem certeza de que não trapaceou, Porsche? Solta ele." Mesmo com o pé atrás, Big soltou e o outro não perdeu tempo em ir pra cima novamente, mas sendo parado a tempo por Pongsakorn que o olhou sério. Sua expressão estava igual à do dia anterior e Vegas sentia seu sangue borbulhando de frustração ao lembrar.

"Tenho cara de quem iria trapacear em um jogo feito para criança?"

"Você realmente quer resposta pra isso?" Caminhou até Porsche e Vegas, apontando para os bolsos laterais da calça do primeiro. "Tem uma das cartas quase caindo no chão, então sim, você tem cara de quem gosta de trapacear em um jogo feito pra crianças e não só a cara pelo visto."

A sala, que havia se reunido para ver a briga mais de perto, caiu na risada e apontavam para o Pitchaya envergonhado que a todo custo se atrapalhava com as mãos procurando esconder as cartas no bolso. Vegas engoliu a risada que queria escapar da garganta e deu passos para trás.

"Theerapanyakul." Pete chamou por si e pela primeira vez no dia, seus olhares se encontraram.

"Acompanhe seu amigo trapaceiro até a enfermaria, não quero que a diretora veja meus alunos sangrando e diga que estou colocando eles em rinhas."

Sangrando? Vegas puxou Porsche pelo pulso fazendo-o parar abruptamente de esconder as peças das cartas na calça, chamando sua atenção. Não tinha motivos para preocupação, os cortes mal sangravam na verdade e não precisariam ir a enfermaria. Entretanto, teria alguns minutos longe da aula do Pongsakorn e seria o suficiente para o término dela. Então sem perder tempo começou a arrastar o amigo pra fora do ginásio.

"Quando voltar, quero conversar com você."





"Não entendo". Fazia poucos minutos que tinha entrado com o outro em uma cabine minúscula no banheiro masculino, fechado a porta e sentado no vaso após abaixar a tampa dele. Deixando Porsche em pé enquanto cutucava o próprio machucado. "Indiretamente me chamou de esquisito ontem e agora quer conversar comigo. O que você acha?"

"Eu acho que ele não estava errado em te chamar de esquisito", Vegas arqueou a sobrancelha esperando pela explicação. "Você me puxou para dentro da cabine do banheiro, ao invés de me levar para a enfermaria. Trancou a porta com nós dois juntos e está sentado em cima do vaso, enquanto chora igual menininha desesperada, e isso tudo porque Pete deu a entender que te vê como um esquisito e não quer dar a bunda para você."

Estava desabafando e não chorando, era duas coisas diferentes.

"Cala a boca! Eu não estou chorando, nem nada do tipo, ultimamente você está realmente merecendo mesmo levar um esporro." Levantou o punho e fez um gesto ameaçador em direção a Porsche, que riu sarcasticamente sem desviar. "Eu só não te bato aqui e agora porquê te devo um favor pelo que aconteceu ontem, e se Kinn te visse machucado, eu levaria uma surra também."

"Faço questão de apanhar agora." Porsche empurrou levemente Vegas, sorrindo. "Mas fala sério, qual o problema de Pete?

"Que tal perguntar pra ele pessoalmente?" A voz do professor soou do outro lado da porta.

Porsche arregalou os olhos devolvendo o contato visual a Vegas que começava a empalidecer enquanto levantava subitamente do vaso sanitário e subia em cima da tampa, tentando esconder seus pés da parte exposta da porta.

"É melhor vocês saírem daí antes que eu quebre essa porcaria e leve os dois pra uma suspensão e não adianta subir em cima do vaso pra se esconder porque sei que estão aí." Pete começou a bater na porta, completamente irritado e bufando alto.

Vegas continuava olhando para o amigo, completamente apavorado. Era sua culpa, ele havia puxado Porsche consigo para matar aula, ao invés de levá-lo para colocar band-aids nos machucados.

Decidido: desceu de onde tinha subido minutos atrás, destrancou a porta e sem demora Pete já empurrava o objeto para fora dando de cara com os dois na cabine.

"Acho que fui claro quando disse para levá-lo à enfermaria e pelo que conheço, vocês não são surdos. Então por qual motivo estão os dois dentro de uma cabine quando minha ordem foi clara?" Pete disparou, a expressão enrugada como se estivesse segurando algo pesado.

"Foi minha culpa professor." Vegas tomou dianteira para explicar enquanto arrastava o amigo pra fora da cabine e entrelaçando suas mãos com certa força para passar sensação de conforto já que ao seu lado, o moreno ainda parecia estar esperando o download da alma. "Porsche queria ir pra enfermaria, eu que o arrastei. Por favor não dê advertência, ele já tem muitas."

"Pelo que eu saiba, quem decide se culparei os dois ou apenas um por furarem minha aula ou não sou eu." Pete sorriu forçadamente, olhando de relance para as mãos e voltando o olhar para cima, prendendo em Vegas. "Vai para a enfermaria e dessa vez sem dar passeios ou se trancar com outro aluno em lugares pequenos, ficou claro Porsche?"

"Como água irrit..-" Porsche engoliu o apelido e se prontificou em corrigir. "Quero dizer, professor. Claro como água, professor!"

Vegas concluiu que deveria arranjar novos amigos no exato momento em que ele soltou as mãos sem contestar e se apressou em sair do banheiro, deixando-o completamente sozinho com Pete. O silêncio horrível tinha se alastrado por todo o banheiro, ter o Pongsakorn olhando-o dos pés a cabeça quietamente e ainda com aquela expressão torta como se estivesse pronto para vomitar era um pouco desconfortável.

"Você sabe o caminho para a diretoria ou quer que eu te carregue no colo?" encarou Pete, ponderando respondê-lo. "Quero dizer Porsche. Ou quer que o Porsche te carregue no colo até a diretoria? Talvez possam explicar juntos o motivo de se trancarem dentro do banheiro. Sozinhos"



"Não precisa, eu sei o caminho."

professor PeteOnde histórias criam vida. Descubra agora