Capítulo quatorze

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Vegas respirou fundo ao adentrar o portão do habitual colégio e ver a maioria dos alunos reunidos em volta de alguém com o pescoço enfaixado, este que conseguiu reconhecer rapidamente ser o professor de educação física.

Então ele tinha voltado mais cedo que o previsto? 

Não que a recuperação rápida não fosse uma notícia boa, mas a volta do homem também significaria que o Phongsakorn não precisava mais substituir as aulas e consequentemente não poderia apreciar com mais tempos as curvas do outro. Suspirou frustrado, pelo menos sua voz tinha melhorado muito graças ao remédio do dia anterior.

Bateu o caderninho pequeno na palma da mão enquanto passava a multidão, entrando nos corredores e olhando para os lados na tentativa de encontrar o professor de química.

"Me procurando?" Sentiu duas mãos enlaçando seu pescoço e puxando-o para trás, fazendo-o parar e virar para a pessoa. Porsche tinha um sorriso imenso e claramente devolveu a altura. "Macau avisou que tinha ficado rouco por conta daquele dia, melhorou?"

"Melhorei sim." Inflou a bochecha desviando a atenção apenas por alguns segundos para o caderninho com figurinhas espalhadas dos ursinhos carinhosos. "Pete apareceu lá em casa ontem, comprou remédio pra mim e veio entregar."

Porsche parou de sorrir para dar lugar a uma feição bagunçada, parecendo surpreso, assustado e ao mesmo tempo feliz. Não conseguia entender bem, mas claro que ele ficaria assim, quem em sã consciência pensaria que Pete pudesse ter uma alma gentil ou melhor, se preocupar com Vegas?

"Ele não tentou te envenenar? Cara, ele te dá sermões e nega todas suas investidas desde…" Apoiou a mão no queixo, fingindo passar o polegar e indicador numa barba inexistente. "Tipo, desde sempre. Não faz sentido Pete se preocupar em levar remédios pra alguém que ele vive tentando afastar."

"E não é?" Jogou o queixo para o lado de outro corredor, pedindo mudamente que eles andassem enquanto conversavam. Porsche começou a seguir seus passos. "Ele disse que pediu para o meu irmão o endereço de casa, apareceu por lá com uma sacola cheia de remédios e alguns até caros, não aceitou que eu devolvesse dinheiro."

Olhou para a sala da direita ao passar por ela, conferindo que o professor de química ou Pete não estivesse nela. Precisava entregar o caderno de anotações o quanto antes. Na realidade, nem mesmo tinha precisado dele já que a matéria tinha sido do seu conhecimento um tempinho atrás ao estudar mais a matéria sozinho em seu quarto. 

Engraçado dizer que era bom na matéria e avançado quando suas notas diziam ao contrário, mas não tinha culpa se a bunda ou a curvatura dos lábios de Pete quando ele sorria — o que era raro,— parecia ser mais interessante.

"Ficaram sozinhos na sua casa?" Prendeu a ponta da língua entre os dentes entendendo onde o amigo queria chegar, afirmando com a cabeça e caminhando para uma sala qualquer do colégio vazia ainda. "Vocês transaram?"

"Ele não deu brecha." Respondeu sentindo a frustração atingir e sentou desajeitadamente na mesa de algum aluno aleatório. O Pitchaya encostou na parede ao seu lado. "Macau chegou também depois de um tempo com olho roxo e Pete levantou todo esquentadinho pra ir embora, levei ele até a porta e milagrosamente, a gente deu uns amassos..."

Tentava evitar a todo custo pensar no beijo, não poderia abaixar a calça no colégio e dar um jeito no tesão que sentia ao lembrar detalhadamente. Deixaria para mais tarde sua imaginação.

"Você conseguiu beijar Pete? Sério mesmo!?" 

"Dessa vez ele não tem desculpas." Sorriu presunçoso. "Perguntei antes se podia beijar e dei chances pra ele correr, Pete não fez nada e a gente se beijou. Mas acho que ficou bravo com alguma coisa de última hora."

Deu de ombros. Claro que o homem mais velho tinha ficado irritado com alguma coisa que talvez soubesse o que era pela forma que falou e saiu em direção a rua, mas não queria pensar muito sobre isso. Ficaria paranoico se pensasse demais.

"Vai parecer uma pergunta engraçada, visto que ele está sempre irritadinho" Riu concordando, Pete era um poço de pessoa feliz. "Acha que sabe o que aconteceu pra deixá-lo irritado?

Mais uma vez deu de ombros, tentando parecer desinteressado no assunto repentinamente. 

"O que você fez pra ele ficar irritado, Vegas?" Porsche endireitou a postura, olhando-o acusadoramente.

"Acho que Pete não quer apenas ser um caso de uma noite pra alguém, ele deve estar querendo ter algo sério." Murmurou desgostoso lembrando da reação do homem dizendo que não seria objeto antes da partida. "Mas eu não posso fazer nada com isso, eu quero foder com ele e não namorar ele."

O que deveria fazer com essa informação? 

Deveria concordar, mudar todos seus ideais e comprar um anel com um diamante exagerado para pedir o professor em namoro no mesmo minuto? Não estava apaixonado e muito menos gostava do homem de qualquer forma que não envolvesse ambos nus numa cama de motel ou até mesmo em seu quarto se tivesse opção. Pensava que havia deixado bem claro desde a primeira vez que começou a perseguir Pete como um cachorro no cio e a olhar para ele com outros olhos nada inocentes.

"Pete é um homem formado, Vegas. Ele não é um adolescente com hormônios à flor da pele que pensa em foder em cada canto dessa cidade sem compromisso." Fez careta, não queria receber sermões a essa hora. Tinha um caderno pra entregar. "Provavelmente quer alguém para chamar de seu e se você não quer namorar com ele, se é que ele quer namorar com você, acho que devia procurar alguém da sua idade que pensa como você."

"Ele já chupou meu pau e me beijou, não vai arrancar pedaço se ele ficar de quatro pra mim." Levantou da mesa, não queria de maneira alguma ouvir discurso de como deveria agir. Ousou dar alguns passos em direção a saída, mas uma mão segurou seu ombro esquerdo.

"Eu sempre te apoiei nisso com Pete, você sabe." Não fez menção em virar de costas, não queria olhar para o Porsche naquele momento. Sua barriga doía. "Mas acho que está na hora de desistir dele. Pete é irritante, esquentadinho e provavelmente sorri enquanto dá zero nas provas dos alunos, mas ele não merece ter os sentimentos quebrados por capricho seu. Se não quer amá-lo, deixe outra pessoa fazer isso no seu lugar."

Ficou parado por alguns segundos após o moreno terminar de falar e logo balançou o ombro segurado, retirando a mão de cima dele em seguida.

"Não tem essa de outra pessoa." Trincou o maxilar, tentando não transparecer a pontada ruim de dentro do estômago. "Pete é meu e mesmo que eu só queira foder com ele, ninguém vai tomar o que deveria ser o meu lugar."

Apertou o caderno entre as mãos e sem esperar um minuto sequer, caminhou para fora da sala deixando o namorado de seu primo para trás com sabe se lá qual expressão devido a sua resposta. 

Não deixaria outra pessoa tomar seu lugar, mesmo que não amasse o Phongsakorn. Não queria ter que lidar com o professor caminhando de mãos dadas com outra pessoa, seja pelos corredores do colégio como também fora dele. O queria somente para si, sem nenhum tipo de interferência. Não admitiria e não gostava da ideia de ter outra pessoa além dele tocando em Pete intimamente.

Vegas mordeu a bochecha tentando controlar a irritação enquanto procurava o bendito professor de química o quanto antes. Deveria ter faltado de novo se soubesse que passaria raiva logo de manhã.








( 🎒 )

corre que o Veve ficou puto. Quem achou que não teria ele possessivo, achou errado ☝😋

professor PeteHistórias para pegar e não largar. Descubra agora