"Não repara na bagunça." Pediu, removendo o balde e o rodo que tinham caído no chão do meio da sala, levando-os até a pequena dispensa. Depois daria um jeito de limpar tudo. "Macau foi ao colégio e não tive tempo de arrumar muito bem, estava queimando de febre até a pouco."
Uma mentira não faria mal, Pete achava que ele estava adoentado demais e também precisava ocultar que passou praticamente a manhã inteira assistindo Mackenzie se degradar para uma mulher. Ninguém além dele precisava saber que andava assistindo filmes de romance clichê quando livre.
"Não se preocupe com isso, minha casa também fica uma bagunça na maioria das vezes." Seu coração descompassou uma batida ao ouvir a risada ecoando até ele. "Parece que um furacão passou por lá."
"Você é muito bagunceiro?"
Questionou entrando na brincadeira enquanto caminhava até a mesinha e removia os remédios da sacola. Aquilo não parecia nada ter sido barato e nem mesmo o preço se mantinha ali para dar uma checada, o adesivo do valor tinha sido borrado e desgastado. Vegas mordeu a língua, precisava devolver o dinheiro gasto consigo de alguma forma.
"Não sou alguém que gosta de algo desarrumado, gosto de organização mas é impossível manter minha casa arrumada." Pete se acomodou mais no sofá, observando-o minuciosamente. "Procurando o preço?"
"Preciso devolver o valor."
Declarou por fim, endireitando a postura e ficando de frente para o outro. Phongsakorn negou com a cabeça sem tirar o sorriso amigável que lhe dava, porra, aquele cara não se parecia nada com o professor do colégio que lhe encarava como se estivesse prestes a sugar sua alma de tanta careta que fazia.
Será que realmente aquela imagem era delírio?
"Não se preocupe com isso, apenas beba o remédio." Pete levantou-se do estofado e buscou um dos frascos da sua mão, abrindo-o e virando o conteúdo rosa na tampinha em formato de copinho de plástico. "Abra a boca."
Definitivamente aquilo não é real.
"Eu posso tomar sozinho, mas mesmo assim obrigado." Vegas tomou o copo e virou na boca, ignorando a oportunidade pra se aproximar e o azedinho no final do paladar. "Tolice a minha, te convidei para tomar algo e o único que está tomando alguma coisa sou eu. Quer suco, refrigerante ou água?"
"Refrigerante, se não for incômodo."
Assentiu e devolveu o copinho de plástico vazio para o professor que pegou com delicadeza de suas mãos e encaixou no recipiente, fechando-o. Dirigiu-se rapidamente à cozinha e não demorou muito em voltar com duas latinhas, uma pepsi e uma cerveja. Ele já o aguardava sentado novamente no mesmo lugar de antes e com as pernas cruzadas.
Se ele soubesse como ficava sentado daquela maneira utilizando shorts, provavelmente andaria com um cobertor o cobrindo da cabeça aos pés. Pelo menos quando estivesse perto de um Vegas com imaginação fértil.
"Se importaria se eu bebesse?"
Balançou a lata de cerveja entre os dedos, sentando-se no mesmo sofá, um pouco afastado, e entregou a lata de refrigerante. Mais uma vez, Pete negou com a cabeça e pegou o que lhe foi entregue. O som das latinhas se abrindo simultaneamente preencheu o ambiente, seguidamente pelo silêncio que gradualmente se instalou entre eles.
Desconfortável por não saber o que fazer ou falar, era uma das coisas que sentia naquele minuto.
De qualquer maneira, nunca haviam chegado a esse ponto, trazendo-o para dentro de casa apenas para sentarem lado a lado e beberem algo juntos. Imaginava que quando tivesse a oportunidade de tê-lo ali, estariam rolando no tapete no mesmo instante, tendo uma foda intensa e selvagem até o sol aparecer na janela no outro dia.
Definitivamente estava acontecendo algo bem distante do que havia imaginado.
"Eu não sei bem o que dizer…" O tom de voz baixo lhe chamou atenção, Pete parecia ter lido sua mente quando disse aquilo. Olhou para o lado notando que as orelhas do mais velho pareciam ter dado lugar a pequenas pimentas de tão vermelhas. "Acho que devo pedir desculpas por aparecer do nada sem te consultar se poderia ou não. Principalmente depois, sabe, do que aconteceu na biblioteca."
Ele estava falando de qual parte exatamente do que ocorreu na biblioteca?
Correr pra longe depois de ter chupado seu pau aleatoriamente como se estivesse faminto dando justificativas de que era pra antecipar o horário de ficar brocha ou de ter lhe dado um belo de um tapa na cara com as palavras após o fato anterior?
"Eu não deveria ter falado daquele jeito, sendo grosso e ido embora, me desculpe."
Pete tinha dado um jeito de achar seu endereço, aproveitando o pretexto de trazer remédios para poder falar sobre isso? Para poder se desculpar por tê-lo deixado plantado na biblioteca?
"Está tudo bem, não precisa se desculpar por algo que eu mereci de certa maneira." Sem contar que não precisa se desculpar em nada, ganhei um boquete de graça vindo de você. Vegas segurou a voz que queria escapar do fundo da sua alma enquanto virava o líquido da latinha mais uma vez entre os lábios.
"Devo me desculpar também por ter feito aquilo." Piscou com força, parando de beber imediatamente e se inclinando suficientemente para a direção da mesinha da sala recém limpa, descansando o objeto ali. Seu estômago embrulhou violentamente, se continuasse bebendo vomitaria a bebida toda. "Naquela hora, me faltou um pouco de senso de responsabilidade e eu não quero que as coisas fiquem estranhas entre nossa relação na sala."
Relação na sala?
A qual Vegas deixava bem claro suas intenções relacionadas ao professor até mesmo para os outros alunos na sala?
Praticamente todos que conseguissem ter o dom de enxergar poderiam ver nitidamente que ele só faltava uivar e selvagemente marcar território toda vez que alguém ousava se aproximar do Phongsakorn. Então que tipo de estranheza se referia?
Além disso, Pete não lhe dava nem mesmo atenção na sala a não ser para lhe dar sermões ou fazer caretas quando o flagrava observando seu corpo de forma minuciosa.
"Você só fala comigo por meio de sermões, Pete." Iniciou e um biquinho adorável se formou nos lábios corados dele. "Todo mundo sabe que você me odeia e, se você evitar minha presença na sala por achar que há um clima estranho entre nós dois, acho que ninguém vai notar sua mudança de comportamento sobre mim. Você agirá praticamente da mesma forma que sempre agiu."
Despejou, ignorando a vontade de se jogar contra o homem mais velho e encher aquele bico vermelhinho de beijos, desde os carinhosos até os mais agressivos. Porra, ele conseguia ser fodidamente adorável mesmo sendo um babaca na maioria das vezes e carregando um coração de pedra quando se tratava do Kornwit, pelo menos dentro do colégio.
"Dou sermões porque me sinto desconcertado com o modo como me encara, parecendo que vai se atirar em cima de mim a qualquer momento que eu entro na sala."
Desconcertado?
"Como assim desconcertado?" Perguntou curioso e confuso. Vegas, então, se acomodou mais no sofá, jogando-se contra o encosto e ficando levemente inclinado na direção do homem. "Quis dizer desconfortável?"
"Não", disse Pete enquanto colocava a pequena lata de refrigerante entre as duas palmas das mãos e a segurava entre o colo, brincando de passar os polegares timidamente por ela. "Não me sinto assim, só desconcertado mesmo."
Vegas examinou-o completamente, procurando algum traço do que ele realmente poderia dizer com aquilo.
"Não estou entendendo onde quer chegar."
O mais velho suspirou alto, como se tivesse lhe faltado ar e girou a lata de refrigerante em suas mãos antes de finalmente olhar diretamente em seus olhos. Dando um jeito de se inclinar também, imitando sua posição de ficar de lado no estofado e sorriu sem jeito.
"Na verdade eu…"
"Você não vai acreditar no que aconteceu" A porta fez um estrondo se abrindo totalmente e a imagem de um Macau suando desarrumado apareceu, parecia que um trator tinha atropelado-o a mochila. Vegas sem perder tempo deixou Pete falando sozinho na sala e correu até o irmão, notando o olho direito com uma coloração mais escura e roxa do que deveria ser o normal. "Levei uma bolada na cara de propósito e quando fui tirar satisfação, aquele desgraçado do Venice partiu pra cima de mim!"
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professor Pete
FanfictieVegas encontrava-se completamente obcecado pelo seu professor de artes, Pete. Desde o momento em que ele entrou na sala de aula pela primeira vez, Vegas sentiu uma conexão imediata, uma atração magnética regada a pensamentos invasivos que desviava s...
