Demorei, mas quem
é vivo sempre aparece ✊
No final havia comprado três potes de sorvete. Pra comemorar o boquete ganhado, se depreciar pelo fora levado logo após e se depreciar ainda mais por ter criado esperança de que o professor pudesse estar no estacionamento, o que causou uma corrida desengonçada pra lá como se sua vida dependesse disso.
Ficou minutos procurando-o dentre as vagas e carros estacionados pra no final se sentir um idiota ao ousar ter pensamentos positivos sobre o homem mais velho. Agora estava no segundo sorvete e Macau chorando ao lado como uma criança enquanto assistia o final de Titanic, o infeliz do seu primo Anakinn também estava sentado no chão enquanto esperava Porsche aparecer para irem juntos a um barzinho da cidade.
"Ele está demorando, será que vem?"
Anakinn quebrou o silêncio olhando para Vegas, ignorando totalmente a choradeira do outro primo por causa do falecimento de Jack. Depois de dever um favor para o amigo, tinha dado um jeito de juntá-los novamente e fazê-los parar de brigar um com o outro sobre motivos fúteis dos quais não se importava ou fazia questão de saber
"Vai ver que percebeu o grande idiota que você é e decidiu fugir pra longe." Sussurrou enquanto enfiada uma colherada generosa da massa feita com menta e gotas de chocolate, engolindo apressadamente para sentir o frio penetrando rapidamente em seu cérebro. Apesar de horrível, essa sensação o distraía da tristeza.
"Esse foi Pete depois de perceber o pau que colocava na boca." O som da risada de Anakinn fez seu sangue ferver, Vegas mordeu a língua irritado. "Doeu, né?"
Não entendia por que tinha se atrevido a abrir a boca e contar tudo o que tinha acontecido entre ele e Phongsakorn na biblioteca, desde o início até o fim para seu primo, todas as negações e até mesmo os cartazes com a palavra "não" em diferentes línguas que Pete erguia para ele no estacionamento.
Foi um tiro no próprio pé e agora seria obrigado a suportar aquele troglodita zuando-o por ter passe livre ao ser namorado do único amigo que tinha praticamente.
"Não fale assim com ele, Kinny. Vegas tá sofrendo por amor negado." Macau sorria e Vegas devolvia com uma descrença visível.
"Não estou sofrendo de amor negado!" Ralhou descontente, removendo o porte quase vazio do colo e se sentando melhor no sofá. "Eu não estou apaixonado por Pete. Pela bunda dele sim, mas por Pete não."
"Claro, e esses potes de sorvete são pra chorar pela bunda do seu professor? Larga de tentar ser sonso, você é caidinho por ele."
Definitivamente queria afogar o namorado do amigo, será que ele reclamaria caso perdesse aquele loiro aguado? Talvez ele choraria no mínimo. Talvez devesse testar a teoria na prática. Caidinho por Pete? Não estava na idade pra focar em uma pessoa só, estava na idade de pensar em corpos pequenos, talvez barriguinhas fofas onduladas, covinhas se formando ao sorrir, cabelo de tigela e um olhar amendoado como se estivesse perdido.
E claramente isso não era uma definição sobre Pete, existiam variadas pessoas com essa descrição. Só isso. Vegas definitivamente não nutria sentimentos românticos por Pete.
"Não posso mais chorar por uma bunda? Agora é proibido chorar pela bunda de alguém?"
"Chorar pela bunda de quem? Cheguei." Porsche largou uma pequena bolsinha na estante logo depois de abrir a porta abruptamente, se aproximando de onde estavam e se jogando em cima de Kinn. Melosidade era a coisa mais nojenta pra si.
Se fosse Pete e ele ali até daria um certo desconto sobre odiar pessoas melosas…
"Eu deveria realmente mudar a fechadura. Maldito dia que resolvi dar as cópias das chave pra vocês dois, não pedem nem licença antes de invadir." Murmurou vendo Porsche sequestrar o sorvete que antes comia e começar a devorar sozinho. "Roubam até mesmo meu sorvete, esse mundo não serve mais pra mim."
"Deixa de ser assim, ridículo." Macau riu da fala do recém-chegado e desligou a televisão, ninguém além dele estava realmente focado no filme que aparecia. Não queria assistir sozinho. "Sobre quem vocês estavam falando?"
"Por quem você acredita que Vee está chorando enquanto come sorvete?" A voz de seu primo fez questão de vir acompanhada de risadas zombeteiras, maldito fofoqueiro. "Esse tal de Pete chupou ele na biblioteca."
Revirou os olhos o máximo que pôde.
Por qual razão Anakin não alugava logo um carro de som e divulgava a fofoca completa para toda a cidade ouvir? Levantou-se de supetão atraindo atenção e subiu para o quarto com um Porsche curioso percorrendo o mesmo caminho, seguindo-o e deixando o namorado para trás sem pensar muito.
"Quer parar de vir atrás de mim? Não estou num dia bom." Avisou abrindo a porta e entrando para dentro.
Precisava se distrair de todo aquele peso ruim que carregava desde cedo nos pensamentos e nada melhor que fechar os olhos e dormir. Só esperava que Pete não lhe assombrasse fazendo um loop indo embora depois de mamá-lo. Pachara repetiu seus movimentos entrando e se deitando espaçadamente na cama onde estava, jogando os braços quase na sua cara.
Folgado.
"O que você tanto queria a tempos aconteceu e agora tá parecendo um zumbi com essa carranca feia." Era a única cara que tinha, quis rebater. "Vamos, me conta essa história direito e o motivo dessa cara."
"Pete fez apenas um por cento do que eu quero, só pra deixar bem claro." Sorriu amarelo, cobrindo o rosto com o travesseiro como uma garotinha prestes a ter crise de gritos histéricos. "Ele me deu um bolo. Me chupou e saiu andando…"
Porsche observava lamentavelmente o amigo enquanto a voz embargada e abafada de Vegas saía por baixo do travesseiro, explicando o ocorrido sem dar muitos detalhes.
"E sabe o que é pior?" Vegas tirou a almofada do rosto e a colocou cuidadosamente no colo, erguendo o tronco e sentando em posição de pernas cruzadas na cama. "Ele disse que tinha acabado. Como caralhos Pete quer que eu pare de correr atrás dele depois de ter me dado a porra da esperança pagando um boquete pra mim?"
Mesmo que tivesse sido beneficiado em certa parte, se sentia meio afetado pelo fato do homem mais velho ter lhe dado uma esperança de que, talvez, a pedra que ficava no seu caminho para realizar seus desejos tivesse sido removida. Bom, de fato ela foi removida. Entretanto, ao remover a pedra, não sabia que ia encontrar praticamente uma muralha enorme do outro lado dela.
Ver o Saengtham levantar como se não tivesse feito nada e se distanciar como se estivesse com nojo tinha sido um soco no estômago.
"E você está tendo esse surto depreciativo pelo fato de querer comê-lo e não por estar apaixonado por ele?"
Por que todo mundo estava dando indiretas sobre estar gostando dele? Não gostava de Pete e muito menos se sentia apaixonado, era um lance carnal. Apenas isso e só isso.
"Quero transar com ele, não colocar um anel no dedo e adotar gatos juntos." Crispou os lábios, sua cabeça tinha começado a doer. "Anakinn está esperando você, podemos conversar pelo telefone depois do seu encontro no barzinho da cidade super emocionante se quiser. Não deixe ele esperando."
Pachara coçou a nuca preguiçosamente e se levantou, parecendo ter se dado por vencido. Conversar com o Kornwit era sempre uma montanha russa, ou ele aceitava conselhos ou ele te expulsava disfarçadamente de perto. O recado se tornou bem óbvio depois de anos de convivência.
"Se precisar de alguma coisa é só me ligar, tudo bem?" Porsche depositou um beijo no topo da sua cabeça e saiu pela porta, não antes de pedi-lo para pensar sobre isso, desaparecendo em seguida.
Ele não tinha nada pra pensar a respeito sobre paixonite boba e sem cabimento.
Pete parecia não gostar de ninguém pelo que se ouvia nos corredores do colégio e pelo seu comportamento grotesco com qualquer aluno que ousasse se aproximar —isso incluía ele mesmo,— apenas com exceção dos outros professores. Não faria sentido Vegas sentir algo romântico por alguém com personalidade explosiva além do tesão por causa da estrutura corporal. Não faria sentido e qualquer um, inclusive Porsche, estava errado em pensar que ele sentia mais do que um simples desejo carnal pelo Saengtham que desapareceria logo após transarem
Ele daria um jeito de provar.
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professor Pete
FanfictionVegas encontrava-se completamente obcecado pelo seu professor de artes, Pete. Desde o momento em que ele entrou na sala de aula pela primeira vez, Vegas sentiu uma conexão imediata, uma atração magnética regada a pensamentos invasivos que desviava s...
