Oi, gente. Como estão? Se ainda tiver leitoras nessa história, peço desculpas pela demora e feliz ano com muitas histórias novas e leituras maravilhosas!!!
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Mari
Eu tinha medo.
Tomei a decisão de adotar o Dom. A Carla não deve voltar e essa situação está
insustentável, essa criança precisa de um rumo na vida dela.
Quando contei ao Danilo, ele disse que já esperava, que o meu coração só
precisava de tempo pra notar o óbvio, que o destino colocou o Dom na minha
vida.
Não era fácil, eu tinha medo e insegurança. Quando pensei na tia da Carla, não
era uma opção entregá-lo nas mãos dela.
Aquela mulher não sentia amor pelo sobrinho neto, apenas interesse.
— Estou feliz por você. — a Sofia disse — Mas principalmente pelo Dom.
— Ainda estou com medo. — tentei sorrir.
— Mas vai com medo mesmo. — ela gargalhou e me senti tranquilizada.
O Dom dormia e a dona Natália veio outra vez porque queria me ajudar a cuidar
dele.
— E você deve aceitar a nossa ajuda, Mari. Você não precisa fazer nada sozinha.
— Eu sei, dona Natália, só que são muitos anos cuidando de mim e de tudo
sozinha e ajudando os outros. É difícil deixar de fazer tudo sozinha no
automático.
— Entendo que existem coisas que somente a gente resolve, mas a gente sempre
esteve com você.
— Por favor, isso não é ingratidão minha.
— Nós sabemos. Isso é só o jeito de Mari cuidar de tudo. Hoje você querendo ou
não, nós não estamos te perguntando nada ou pedindo permissão, iremos te
ajudar sim a cuidar do bebê.
— Obrigada, vocês são maravilhosas. — segurei as lágrimas — Sempre foram
também uma família pra mim.
A dona Natália saiu limpando os olhos e dizendo que arrumaria as roupinhas
dele.
A Sofia limpou tudo e me disse para descansar. Mesmo tudo sendo estranho,
não fui contra, só não sabia como desacelerar e tirar um tempo pra mim, foram
muitos anos vivendo em modo de sobrevivência e sempre muito atarefada.
No início da noite, a Sofia e a dona Natália se despediam quando o Danilo
entrou pela porta.
— Como está a mulher mais linda desse mundo?
Elas riram. O Danilo era assim.
— Bem. Mas a mais bonita é forçar a barra.
— Pra mim, é linda e maravilhosa. Sei do que estou falando, meu amor.
— Ai, tá bom. — ele me apertou em seus braços e sorri.
— Nós vamos indo e vocês continuem aí. — a Sofia disse maldosa.
— Obrigado por terem vindo e ajudado. Sei que fazem pela Mari e o bebê, mas
eu quero agradecer e dizer que vocês são muito importantes pra nós. Obrigado.
— Podem contar com a gente. — a Sofia falou.
— No começo vocês podem se sentirem perdidos, mas depois tudo entra nos
eixos e vocês estão com ele adulto por aqui. E tomam o rumo da vida dele e você
vai sentir falta do seu bebê, mas saber que fez o seu melhor e criou a melhor
pessoa desse mundo.
Não resisti e a abracei. Os conselhos da dona Natália sempre tiveram o meu
respeito, uma mulher corajosa que sempre lutou por tudo e as suas filhas.
Mesmo a Monique não valendo nada, a mãe dela fez o que pôde, ela que não foi
gente o suficiente pra aprender com amor e aprendeu com a dor.
— Tudo vai ficar bem.
Elas saíram e me deixaram com as suas palavras, foi inevitável não lembrar do
meu pai.
Tenho certeza que ele me apoiaria e ainda amaria cuidar do Dom.
Nunca fui egoísta, sempre me doei muito, principalmente para os meus irmãos e
hoje eu vejo a maternidade com um peso muito maior.
— Estamos juntos. — o Danilo me beijou.
— As coisas são...
Eu só tinha medo do futuro.
— Você quer mesmo cuidar dele?
— Sim. Com certeza.
— Então, não se preocupa. O bebê ficará bem e seremos bons pais.
— Ser boa mãe é isso que também me preocupa.
— Mari, você nunca será como a Ivete. Nem se você quisesse e se esforçasse
muito. Aquela mulher tem o dom da maldade.
Concordei, acho que nenhum filho merecia tê-la também como mãe.
— Tomou a decisão certa.
— Eu sinto que sim.
Olhei para o bebê e me doeria que ele tivesse uma vida ruim sendo que eu podia
cuidar melhor dele.
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MARI
Romance*** Se quiser leia o livro Imperfeito Amor para saber mais sobre o início da história da Mari*** Mari foi abandonada quando criança pela mãe. Ela nunca entendeu os motivos não ditos para isso, o sumiço repentino e a ruptura da sua família. Desde que...
