Ciência pra quem?

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Os sons eram altos e vinham de todos os lados. Muita coisa estava acontecendo ao mesmo tempo. Grunhidos cortavam o vento, rompendo o silêncio da noite que, até então, reinava absoluto. Agora, a escuridão era preenchida por ruídos vindos de diferentes direções. Os irmãos não sabiam para onde olhar.

Os sons eram abafados e roucos, como se viessem de gargantas consumidas pelo tempo e pela insanidade. Dentro do carro, com a respiração presa, eles espiavam pela janela em busca da origem daqueles barulhos. Mas o que quer que estivesse lá fora já havia se movido. Ainda assim, continuavam vasculhando a escuridão com os olhos.

O veículo estava estacionado de frente para um pátio deserto. A traseira apontava diretamente para um enorme prédio cinza. De repente, um som de porta batendo ecoou atrás deles, à esquerda. Instintivamente, os três se viraram ao mesmo tempo.

Nada. A porta vermelha de metal, isolada na parede do edifício, permanecia imóvel sob uma única luz fraca que a iluminava de cima. Por um instante, Brick achou que poderia estar alucinando. Talvez tudo aquilo fosse apenas fruto de sua imaginação, barulhos vindos da floresta, sensações distorcidas pelo medo. Mas então percebeu que Boomer também havia escutado. E ele também estava tenso.

Mesmo a uns bons vinte metros da porta e do portão duplo do prédio, era possível perceber uma leve movimentação ao redor. O lugar era simplesmente sinistro. Não havia um único poste de luz naquele estacionamento vasto e vazio. As janelas ao redor estavam todas apagadas. Fora os guardas que patrulhavam os muros do complexo, não havia sinal de vida. Eles estavam completamente sozinhos.

Foi então que ouviram passos arrastados à frente do carro. Ninguém conseguia enxergar nada naquela escuridão.

— O que foi isso? — sussurrou Boomer, encolhido no banco e se aproximando de Brick.

— Não foi nada — respondeu o mais velho, os olhos atentos vasculhando o entorno.

— Foi um esquilo, seu medroso — zombou Butch, sem desviar os olhos de seu minigame portátil.

Outro som veio do lado de fora. Algo havia caído, ou sido derrubado.

— E um esquilo faz isso? — perguntou Boomer, apontando para o entorno.

— Um esquilo, um rato, sei lá! Só cala a boca! — retrucou Butch, fingindo indiferença enquanto bufava de raiva por seu minigame ter perdido o sinal novamente. — Que merda! Essa porcaria não funciona!

— Que tal você calar a boca? — rebateu Brick.

Butch ignorou o irmão, batendo no aparelho com força e soltando uma sequência de palavrões. Brick se perguntou, pela milésima vez, como alguém conseguia ser tão burro. Mas é claro, era isso que se ganha ao matar aula para jogar videogame com os amigos.

De repente, passos mais firmes e pesados romperam o silêncio do estacionamento. Um grunhido grotesco e nada humano ecoou na escuridão. Boomer empalideceu, visivelmente apavorado. Butch, que até então fingia indiferença, levantou-se no banco de trás com os punhos cerrados, encarando a janela com seriedade.

— Mano... — sussurrou Boomer com a voz trêmula — Que barulho foi esse?

Aquela foi a confirmação final de que Brick precisava: havia, de fato, algo perigoso lá fora. Sem hesitar, começou a trancar rapidamente cada uma das portas do carro, os olhos alternando entre as travas e a janela, onde os passos do lado de fora soavam cada vez mais próximos.

— Brick... — chamou Boomer, a voz tão fraca que mal passava de um sussurro. Ele cutucou o irmão com mãos trêmulas. — Vamos achar a mamãe e o papai, p-por favor?

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⏰ Última atualização: Feb 10 ⏰

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