Ela definitivamente precisava acordar mais cedo. O sol já tinha subido no horizonte, embora não fosse muito tarde naquela manhã, Butter corria sem rumo pelas ruas quadriculadas em ritmo constante como há tempos não fazia.
Tentava manter a velocidade sem variações, mas constatou com grande desprazer o quanto estava fora de forma, em dias normais em sua antiga vida ela teria percorrido a cidade inteira em menos de duas horas num ritmo acelerado, entretanto, aquela já era a segunda pausa que fazia em meros cinquenta minutos de corrida. Suor brotava de todos os poros de seus corpo, e a familiar queimação na parte de trás das coxas se fazia presente mais intensa do que ela gostaria.
Ah qual é, menos de uma hora e já estou coberta de suor? Não fode Butter.
Ela inspirou irritada com sigo mesma e com seu corpo por necessitar de descanso. A princípio pareceria mera cobrança, mas vindo de alguém que era conhecida por superar barreiras físicas frequentemente era frustrante. Butter sempre estivera acostumada a funcionar dentro de certos limites que ela conhecia de seu corpo, aprendera a trabalhar com eles e como superá-los sem se desgastar. Em outras palavras, ela sabia até onde podia ir, e podia ir bem longe.
Contudo, os meses que passara andando pelo país como nômade junto de suas irmãs desestabilizou toda sua rotina de treinamentos. Antes disso sua vida já estava comprometida, os meses que precederam perda total de Dallas foram tensos como o inferno. Vários estados tinham decretado estado de calamidade pública e os militares foram requeridos em todas as linhas de frente contra os zumbis, até mesmo Butter e seus companheiros que se quer eram soldados formados eram enviados á todos os cantos do país. Ela mesma passou por no mínimo cinco estados e tantas cidadezinhas como aquela que perdeu a conta, ás vezes com outros colegas do quartel, a maioria das vezes sozinha. Toda vez que voltava o número de cadetes tinha reduzido, cada vez menos pessoas voltavam das missões, fazendo com que Butter visse toda sua divisão ir reduzindo pouco a pouco.
Alguns foram mortos em combate, outros sofreram graves ferimentos, uns até desertaram, mas a esmagadora maioria infelizmente acabou contraindo o vírus. Muitos não voltaram de suas missões. A morena cansava de ver a lista dos residentes no quartel diminuindo drasticamente todo mês.
Todos eram seus colegas. Eram seus companheiros e amigos com quem passou quatro valiosos anos, todos desapareceram sem despedida por destinos que Butter nem tinha conhecimento. Alguns nem sabia se estavam vivos. E com certeza nunca saberia que fim tiveram. Junto á isso, sua própria família estava sob risco tanto pela questão de saúde quanto por que Blossom e Bubbles também eram solicitadas em vários lugares, todas as vezes Butter passava os dias preocupada com a possibilidade de algo acontecer com elas, ou até mesmo de contraírem o ARSE-51. Por isso agradecia a cada momento que estavam juntas quando retornavam, cada vez que elas voltavam ilesas e saudáveis era mais uma batalha vencida pelas irmãs Utonium.
Aquilo minava suas energias, sem falar no stress da tensão constante. Ela se sentia exausta, e os resultados vinham nas dores musculares, nas noites em claro, nos cabelos caídos durante o banho. Mas ela nunca parava, estava sempre em movimento, ia em frente, tomava analgésicos, bebia seus energéticos, cortou seu cabelo...
E aí tudo aconteceu. Essas lembranças pareciam tão distantes, de outra dimensão até. De onde tirar forças pra seguir em frente? Ela se pergunta todo dia. Mas de alguma forma sempre deu um jeito.
Ela levantou-se do meio fio. Esfregou o rosto e se alongou novamente. Não era hora de se lamentar, nem de ficar triste pelo que ela conseguia fazer antes. Isso foi antes, antes das mortes, antes da calamidade, antes do ARSE. Aquela era sua realidade, aquilo era o que seu corpo podia fazer agora. Hora de pensar em como faria pra voltar a ativa.
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O Refúgio
Teen FictionNesta releitura das três meninas que marcaram nossa(minha) infância, os Estados Unidos foi devastado por um vírus estranho, ele transforma seu hospedeiro numa espécie de zumbi que ataca todos a sua volta. Ninguém sabe de onde veio ou como foi cri...
