Eu só queria meu café - _ -

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Boomer dormiu maravilhosamente bem. Acordou um pouco antes das seis como sempre, já tinha se acostumado, sentou-se e deu uma boa espreguiçada com os braços pra trás. Não estava em casa, a que dividia com os irmãos no final da cidade, estava no depósito de madeira que usava como escritório na área rural. Não era grande, quando encontrou aquele lugar não passava de um depósito de tralhas de fazenda completamente abandonado, mas depois de uma limpe total dos objetos e uma boa faxina ele transformou aquele lugar no seu cantinho. Tinha tudo que precisava ali, sua mesa de trabalho com seu pc, uma TV velha que Butch recuperou numa saída e que agora usava como monitor do seu playstation, seus jogos, quadrinhos, alguma roupa aqui e ali, tinha até um pequeno autofalante pra ouvir música quando funcionava. E o melhor de tudo, era afastado do centro da cidade longe de bagunça e agitação, ali podia curtir a paz e a tranquilidade do campo, fazendo seu trabalho sem o atrapalho de ninguém.

Não que ele quisesse evitar seus irmãos ou seus amigos, mas o loiro tinha um tempo só dele, um tempo precioso que ele curtia pra pensar e se manter equilibrado. Ao contrário de Brick e Butch o loiro nunca foi o mais popular, gostava de brincar sozinho e usar a imaginação, e não sentia falta nenhuma. Tanto que ele nunca entendeu muito bem quando seus amigos reclamavam de relacionamentos ou de amizades falsas que tinham que aturar, ele nunca ligou pra opinião alheia e muito menos fazia questão de quem não acrescentava em nada, talvez por isso alguns o viam como frio, mas como disse, ele não se importava, quem importava ele tinha por perto, o resto é lucro.

Deu uma olhada na janela vendo que faltava pouco para o sol nascer de vez, hora de trabalhar.

Levantou e guardou o colchonete pra dois e o cobertor, caçou rapidamente a camiseta azul no chão se vestindo. Depois de pôr os tênis ele saiu do depósito e se pôs a caminhar pela trilha de terra batida que ligava as plantações. Aquela pra ele era uma das melhores partes do dia, ia caminhando silenciosamente pela mata ouvindo os pássaros e os sons da natureza, o cheiro de cevada e trigo cutucavam suas narinas quase como um incenso, trazendo uma paz atemporal. Pequenos momentos assim faziam Boomer acreditar que a esperança está nas pequenas coisas, por mais que soubesse muito bem como era essa nova realidade e o mundo que o cercava agora momentos banais como uma caminhada no campo o lembravam que ainda há coisas bonitas no mundo, que enquanto os humanos se destroem num banho de sangue as flores de lavanda nas bordas da trilha ainda floresceriam, os pássaros ainda cantariam, o sol ainda nasceria, mais um dia que tinha as pessoas que ama do seu lado, as que ainda restavam. Quando se pensa nisso, outros pormenores como ego, popularidade ou poder pareciam tão insignificantes. Só de ter um lar com sua família em segurança já era o suficiente.

Assim era a filosofia de Boomer Johrsten. Ou Jojo como era conhecido, o caçula dos irmãos Jojo, o Trio Desordeiro, Butch a força, Brick a inteligência, Boomer a astúcia, juntos eram os os braços direitos sob a liderança de Brick. Protegiam a cidade e quem estivesse nela, mantinham todos vivos e sãos, assim foi há cinco anos, assim era agora.

Descia as ruas calmamente, cumprimentava as velinhas nas portas das casas, as pessoas que vinham o cumprimentavam também, algumas meninas quando passavam lhe direcionavam sorrisos tímidos, fazer o que, o DNA favoreceu muito os irmãos Jojo. Se fossem interessantes chegaria nelas depois, quando estivesse a fim.

Nessa manhã nosso anjinho loiro estava de humor maravilhoso, radiante como a luz do dia. Nada lhe tiraria a paz. Lindo e pleno.

Mas como alguns já devem ter percebido, o universo desta história tem um humor debochado nível máximo, então não foi nem Boomer virar a esquina em direção ao Woody's na avenida principal que o grupinho todo de Steve Stevenson se virou com caras nada boas para o loiro. O grupo estava plantado na porta do café analisando cada um que entrava e pela forma que encararam em sua direção estavam claramente esperando por ele.

O RefúgioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora