O dia ontem havia sido seco, o mais quente de toda estação, ele ainda se perguntava como em um mês tinham dias que chegavam á temperaturas como aquela e dois meses depois o inverno congelante arrasava tudo. Era simplesmente incompreensível.
Brick não era um cara apegado á temperaturas, mas ele definitivamente odiava o inverno, só mesmo Boomer e todo frio da sua alma pra gostar disso. Mas infelizmente não é como se ele pudesse evitar, ele viria e transformaria tudo ao seu redor por longos dois meses.
Era bizarro o quanto o clima tinha mudado drasticamente nos últimos anos, sem uma das maiores potências mundiais emitindo gases poluentes e produzindo resíduos, o clima nos Estados Unidos (ou o que sobrou dele) era novo e imprevisível. Nada mais era como era antes do ARSE, ele não tinha ideia de como o mundo estava lá fora, mas o Jojo sabia que seu país estava vivendo uma verdadeira realidade paralela.
Graças a isso, nem ele nem seus companheiros tinham certeza exata de quando o frio chegaria, só que ele duraria cerca de dois meses. Ao menos era por um curto período de tempo, então eles não sofreriam muito. Mas todo ano as preparações pra nevasca o deixavam nervoso, tantas coisas podiam dar errado que Brick sempre se perguntava como seus pais davam conta.
Eram dois cientistas brilhantes que simplesmente adaptaram uma cidade inteira ás condições impostas pelo vírus destrutivo, mesmo antes de tudo acontecer eles previram esse desastre e se prepararam pra o que estava por vir, acertaram em cheio, naqueles cinco anos quanto mais ele se espalhava mais as pessoas fugiam das cidades pequenas rumo ás capitais, logo essas cidadezinhas ficaram sem abastecimento e em muitas a situação ficou crítica.
Isso por que a superlotação nas capitais e cidades grandes teve o efeito contrário, a contaminação foi a maior já vista, um enorme ciclo migratório fez com que as disputas por hospitais e vagas por um tratamento aumentassem muito e o sistema não conseguia suprir a demanda. Muitas pessoas morreram nesse processo, não demorou para que as produções monetárias em solo estadounidense entrassem em colapso, fechando as portas com milhares de desempregados. As transacionais também não tardaram em mudar suas cedes de Nova York transferindo-se pros complexos industriais na Ásia, onde tudo era produzido antes mandado das sedes americanas, agravando ainda mais a crise.
Sempre que estava com a mente "livre" - o que era uma grande piada pois o garoto raramente se desligava de seus problemas - Brick voltava aos cenários caóticos que havia vivido se levando a pensar o que ele , como governante, faria pra resolver a situação. O que não era muito distante da sua realidade, mas em múltiplas crises em grandes proporções ele sempre gostava de estar preparado. Geralmente sua mente sempre divagava de volta aos pais com suas longas carreiras como cientistas e pesquisadores de políticas públicas, mesmo inconscientemente, ele se perguntava o que eles fariam, pois nas suas memórias eles sempre sabiam o que fazer, não importava o problema ou o tamanho do desafio eles sempre trabalhavam juntos e bolavam uma solução criativa até.
O ruivo olhou pro seu próprio reflexo através da água e deu mais um gole na bebida, do trecho do rio que ele se encontrava era possível ver a cidade em seu sono tranquilo, a casa dos irmãos Desordeiros se encontrava num pequeno morro ao Sul de Lyons o que possibilitava uma vista de cima da pequena cidade, agora estava pontilhada pelos postos de vigia com suas lanterninhas acesas da Patrulha rondando pelos muros, olhava aquilo tudo com orgulho e certo receio, ainda não descobrira o responsável pela cratera "derretida", e aquilo ainda lhe cutucava.
Apesar da hipótese de Dexter/Diana, sobre tudo aquilo ter sido um teste do desconhecido pra sua arma, não diminui em nada a sensação de perigo crescente.
Soltou o ar levemente irritado, passou a mão pelos cabelos vermelhos indomáveis tentando por em ordem tanto eles quanto sua própria mente, aquilo tudo era muito complicado, a vida dele era meio complicada, tirou os olhos do céu concentrando-se no surrado boné vermelho em seu colo que simplesmente representava o elo mais importante que tinha com o passado. Agora em suas mãos, ele se lembrava do quão cotidiano e monótono foi o dia que o ganhou do pai como brinde de uma loja de camisetas, o quadrado de tecido com o nome da loja há tempos foi retirada do boné por vontade de seu dono, quem diria que aquele mero objeto se tornara uma das coisas mais praciosas que restava do passado, o boné o fazia se lembrar dos pais e pensar nos pais fazia seu peito doer, mas ao mesmo tempo era uma dor gostosa que trazia conforto à sua mente lotada por preocupações ao ocupar seus pensamentos com lembranças de uma vida que a muito se perdeu.
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O Refúgio
Novela JuvenilNesta releitura das três meninas que marcaram nossa(minha) infância, os Estados Unidos foi devastado por um vírus estranho, ele transforma seu hospedeiro numa espécie de zumbi que ataca todos a sua volta. Ninguém sabe de onde veio ou como foi cri...
