Elayne Baeta

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— Vem, (seu nome)! Vamos logo, já estamos atrasadas — ouço minha irmã de 16 anos gritar da sala, com aquela mistura de histeria e ansiedade típica de fã prestes a conhecer seu ídolo.

Passo mais uma camada leve de gloss, pego minha bolsa e caminho até ela.

— Ok, apressada, vamos logo — digo, abrindo a porta do meu apartamento e a mais nova vem atrás, praticamente pulando de felicidade.

Hoje é um dos dias mais importantes da vida dela: finalmente vai conhecer sua autora favorita, Elayne Baeta.

A sessão de autógrafos vai acontecer numa livraria do shopping perto da minha casa, então claro que me ofereci para levá-la.

— Você está linda — minha irmã diz assim que entramos no elevador.

— Obrigada! — respondo, me olhando no espelho e ajeitando um fio de cabelo rebelde.

Estou usando uma blusa tomara-que-caia branca, calça larga e minha sandália alta favorita, que disfarça meus 1,65 e me dá uma confiança.

Quando chegamos na garagem, o abafado do calor me abraça de um jeito que não pedi. Cumprimento o porteiro, entro no carro e começo a dirigir.

— Tá muito calor. Liga esse ar, pelo amor de Deus — minha irmã resmunga, como se estivesse derretendo.

— Tá muito calor ou você que tá nervosa? — provoco, lançando um olhar de canto. Ela faz cara feia. — Que foi? Eu entendo. Quando fui no show do One Direction...

— São experiências completamente diferentes — ela corta, conectando o celular no bluetooth. — Você ficou no meio da multidão, eles nem olharam pra você. Eu vou falar com a Elayne. Cara a cara.

— Ai, doeu. — coloco a mão no peito, dramatizando. — Eu prefiro acreditar que eles me notaram, ok?

Ela ri enquanto coloca uma música aleatória da Taylor Swift no volume alto.

— Relaxe, vai dar tudo certo. — digo, e ela concorda, mordendo o lábio nervosa.

Cerca de 25 minutos depois, chegamos. Ela já abre o Instagram da livraria e vai guiando o caminho com pressa até a tal livraria. Quando encontramos, ela solta:

— Porra... — reclama baixo — Tá muito cheio.

— Olha a boca! — repreendo, mesmo surpresa com a fila quilométrica. — Mas tá cheio mesmo...

— Tudo pela Elayne — ela suspira, entrando na fila e abrindo o celular para se distrair.

Depois de muito tempo, finalmente chega a vez dela. Sussurro um "boa sorte" e ela caminha em direção à escritora.

De longe, vejo as duas se abraçando. Depois minha irmã entrega o livro com mãos trêmulas. Mas o que realmente prende minha atenção é... Elayne.

O cabelo dela parece absurdamente macio. A tatuagem no pescoço é o tipo de detalhe que me faz perder o foco. Deus... eu realmente tenho um fraco por mulheres tatuadas.

Minha irmã aponta para mim. Elayne ergue o rosto, me encontra no meio da fila e sorri, um sorriso cheio, bonito, fácil. Ela acena. E meu corpo todo parece... esquecer como respira.

Ela diz algo no ouvido da minha irmã, que sorri e anota algo num papel antes de entregar para a escritora.

Quando minha irmã volta pulando até mim, eu nem preciso perguntar.

— Isso foi muito bom! — ela comemora.

— Gostou? — pergunto enquanto saímos da livraria, passando por adolescentes e mulheres ansiosas para ganhar um autógrafo da Elayne.

— Eu amei! Tô sem acreditar — ela abre o livro e mostra o autógrafo com orgulho.

— E aí, o que vocês conversaram? — pergunto, curiosa, já caminhando para a praça de alimentação.

— Não foi uma conversa, conversa... — ela faz suspense.

— Conta logo — eu cutuco.

— Às vezes você é grossa — ela dramatiza, pondo a mão no peito. — Ela só perguntou com quem eu vim, porque percebeu que eu era menor. Eu apontei pra você.

— Ah, foi nessa hora que ela me deu tchau.

— Isso. E você ficou toda derretida — ela ri alto.

— Não fiquei — minto, horrorosamente mal.

— Pra quê mentir? Eu te entendo, é a Elayne. — ela dá de ombros, sentando-se à mesa. — Mas enfim... você viu ela sussurrando no meu ouvido?

Assinto, prendendo a respiração sem querer.

— Ela disse que você é bonita. Perguntou se você é solteira. E pediu seu Instagram.

Meu estômago dá um salto estranho.

— E...? — solto, quase num sussurro.

— E eu passei! — ela diz, triunfante. — Anotei num papel pra ela.

Dou um sorriso que não consigo controlar.

— Isso é um sorriso?! — ela arregala os olhos. — Eu jurei que você ia brigar comigo. Mas pelo visto...

— Ela é linda. E... parece ser legal. Por que eu ficaria brava?

A mais nova praticamente grita, fazendo algumas pessoas olharem:

— Imagina minha irmã namorando a minha escritora favorita!!

— Deixa de ser besta — rio, mas minhas bochechas estão quentes demais.

Horas depois, deixo minha irmã na casa da nossa mãe e volto pro meu apartamento. Depois de um banho longo e gelado, me jogo na cama, com o cabelo úmido, pensando no dia inteiro.

Quase estou pegando no sono quando o celular vibra. Instagram. "Elaynebaeta te enviou uma mensagem."

Abro.

Elaynebaeta: Oi! Sou eu, Elayne, a escritora que você levou sua irmã pra conhecer. Achei você muito linda.

Meu coração erra o compasso. Sinto as bochechas queimarem. E antes que eu possa decidir o que responder...

Chega outra mensagem.

Elaynebaeta: E espero que você não ache estranho, mas... queria muito continuar aquela conversa que não tivemos.

𝗂𝗆𝖺𝗀𝗂𝗇𝖾𝗌 𝖽𝗂𝗏𝖾𝗋𝗌𝗈𝗌Onde histórias criam vida. Descubra agora