Benedict Bridgerton

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— Estou exausta, só quero minha casa... — Eloise reclama ao meu lado, a voz carregada de tédio. Eu rio.

— Mas faz apenas meia hora que estamos aqui.

— Isso não importa — ela resmunga, ajeitando o vestido, claramente irritada. — Esse vestido está me apertando em lugares que eu nem sabia que existiam.

Dou uma olhada pelo salão, e é impossível não admirar como o lugar parece vivo. Lady Danbury realmente sabe dar um baile: música impecável, convidados animados, risos por toda parte e luzes que fazem as cores dos vestidos brilharem como joias.

Meus olhos se movem instintivamente para a esquerda...e lá está ele. Benedict Bridgerton, sorrindo enquanto dança com uma jovem de vestido rosa. Ela ri de algo que ele diz, e eu reviro os olhos antes de perceber o quão óbvia devo ter parecido.

— Por que está com essa cara? — Eloise pergunta, já com um bolinho na mão.

— Nada! — respondo rápido demais, estalando os dedos para disfarçar o nervosismo.

Eloise segue meu olhar e arqueia uma sobrancelha, sorrindo como quem descobriu um segredo antigo.

— Estava olhando meu irmão...

— Estava, mas... não é nada demais — tento soar casual. — Só acho que os dois ficam lindos juntos.

— Ah, me poupe — ela murmurra. — Está na cara que você gosta do meu irmão, minha querida amiga.

— Eu? — minha voz falha, traindo meu nervosismo. — Eu não...

— (seu nome), te conheço há anos — Eloise diz com simplicidade, como se estivesse comentando sobre o clima. — Você não engana ninguém.

E antes que eu possa protestar, vejo Benedict despedir-se da moça quando a música termina. Ele caminha em nossa direção, elegante, calmo, confiante demais para o meu próprio bem.

— Senhoritas — ele nos cumprimenta com uma reverência leve — O que fazem paradas aqui?

— N-nada — gaguejo, e Eloise sorri como se aquilo fosse o ápice do entretenimento dela no baile.

— Eu e minha querida amiga — ela me envolve com o braço — estávamos comentando o quanto este baile é entediante.

— Está achando o baile entediante, (seu nome)? — Benedict pergunta, inclinando levemente a cabeça enquanto lança um daqueles sorrisos que fazem aparecer borboletas no meu estômago.

— Sim — respondo, passando a mão nervosa pelo tecido do meu vestido.

Ele observa meu vestido azul-claro como se analisasse uma obra de arte e sorri com aprovação.

— Uma mulher linda com um vestido tão encantador não deveria ficar parada. Permite-me esta dança?

Meu coração bate tão forte que temo que Eloise possa escutar. Ainda assim, assinto, e Benedict segura minha mão com delicadeza, guiando-me para o centro do salão.

— Ficarei sozinha. Ótimo. — escuto Eloise resmungar enquanto me afasto.

Assim que a música recomeça e começamos a dançar, Benedict fala:

— Você deveria parar de se esconder pelos cantos com minha irmã. Uma moça linda como você deveria brilhar pelo salão, não se camuflar nele.

Um sorriso tímido surge em meus lábios.

— Gosto das coisas do jeito que são. Além disso, sua irmã é ótima companhia.

— Então imagino que você compartilha da filosofia dela — ele comenta, girando-me com leveza. — A de não querer um marido.

— Na verdade, quero sim. Só não estou desesperada para encontrar um.

— Prudente — ele reconhece, sincero. — Espero que você e Eloise encontrem homens que realmente as mereçam. Vocês são mulheres extraordinárias demais para qualquer um.

Minhas bochechas queimam.

— Obrigada. E como vão suas pinturas?

Ele parece surpreso.

— Estão ótimas.

— Gostaria de vê-las um dia.

Um sorriso lento, charmoso, aparece em seu rosto.

— E eu gostaria de mostrar. Só me falta inspiração no momento.

— Inspirar-se pode ser complicado... — digo em um suspiro. — Mas, se quiser, pode me pintar um dia. Vestida, é claro.

Ele dá uma leve risada.

— Tem certeza?

— Claro. Seria um prazer.

— Ótimo. Que tal amanhã?

— Amanhã está ótimo.

A música termina. Ele segura minha mão, levando-a aos lábios para um beijo educado que ainda assim faz meus joelhos ameaçarem falhar.

— Até amanhã, (seu nome).

Ele se afasta em direção a Violet, e quando volto para onde Eloise estava, ela surge ao meu lado quase tropeçando de empolgação.

— O que foi isso? — ela pergunta, os olhos arregalados.

— Nada demais. Apenas duas pessoas conversando e dançando.

— Aham — ela cruza os braços. — Estou de olho em você.

Seu olhar é tão exagerado que não consigo evitar rir.

𝗂𝗆𝖺𝗀𝗂𝗇𝖾𝗌 𝖽𝗂𝗏𝖾𝗋𝗌𝗈𝗌Onde histórias criam vida. Descubra agora