Benedict Bridgerton

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O jardim estava silencioso, exceto o farfalhar das folhas quando a brisa noturna passava por entre as roseiras. O baile, com suas luzes, risos e músicas, parecia distante, abafado pelas paredes do enorme casarão dos Bridgerton.

Benedict estava ali justamente por isso: pelo silêncio.

Encostado em uma das colunas brancas, a gravata frouxamente solta e um cigarro entre os dedos, ele soltava a fumaça devagar, observando-a dissolver-se no ar frio.

Havia algo melancólico em seu olhar, distraído, cansado, talvez entediado com a sociedade que esperava dele sempre mais do que ele estava disposto a entregar.

Ele fechou os olhos por um instante.

— Sabia que fumando assim você vai acabar virando mais assunto do que a própria rainha Charlotte?

Benedict se sobressaltou levemente. Reconheceria aquela voz em qualquer lugar, espirituosa, firme e com uma pitada de insolência educada.

(Seu nome) Ashford estava parada a poucos passos dele.

A luz da lua iluminava seu rosto, revelando olhos atentos demais, profundos demais... perigosos demais para que ele encarasse por muito tempo.

Ela estava linda naquele vestido azul escuro, discreto o suficiente para alguém que não buscava atenção, mas com detalhes que denunciavam o bom gosto de quem conhecia arte; algo que ele sempre havia admirado nela.

— Srta. Ashford — Benedict disse, tentando soar indiferente, embora o coração batesse um pouco mais rápido. — Está me espionando?

— Espionar exige energia, lorde Bridgerton. E eu gastei toda a minha fingindo interesse em um cavalheiro que só sabe falar sobre seu cavalo — ela retrucou, aproximando-se. — Vi você escapar do salão. Pensei... pensei que poderia estar precisando de companhia. Ou de alguém para repreendê-lo por seus hábitos questionáveis.

Ele sorriu, jogando a bituca no chão e apagando-a com o sapato.

— Então veio me repreender?

— Vim... — ela hesitou, passando as mãos pelo vestido como se buscasse coragem — vim ver se você estava bem.

Benedict ergueu uma sobrancelha. Ninguém perguntava isso a ele. Ninguém via para além do nome, da família, da reputação.

Mas (Seu nome) via. Sempre via.

— Estou — ele murmurou. — Ou pelo menos estava, até você aparecer e quase me fazer sentir culpa pelo que estava fazendo.

Ela sorriu, mas seus olhos... ah, seus olhos tinham outra coisa. Algo que o desarmava.

— Você fuma quando está nervoso — (seu nome) comentou, com a voz baixa. — Já percebi isso nos últimos... — ela pigarreou, desviando o olhar — nos últimos encontros sociais.

Benedict inclinou levemente a cabeça.

— Tem observado meus hábitos?

— É difícil não observar alguém que insiste em se esconder — ela rebateu, sem perceber o quanto suas palavras o atingiam.

Ele deu um passo. Depois outro.

Agora estavam perigosamente próximos.

— E por que, Srta. Ashford, alguém tão brilhante quanto você gastaria tempo observando um homem que se esconde?

(Seu nome) sentiu o ar sumir. Ela jamais confessaria que todos aqueles anos sendo amiga de Eloise só haviam intensificado o sentimento que nunca deveria ter brotado.

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⏰ Última atualização: Nov 28, 2025 ⏰

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