— Eu vou te chamar pela última vez, (seu nome)! Você já está atrasada — minha mãe grita da sala, naquele tom que mistura impaciência com preocupação.
— Já estou indo! — grito de volta, enquanto termino de puxar a calça jeans justa pelas pernas e ajeito meu cropped preto.
Dou uma última conferida no espelho: cabelo ok, gloss ok, expressão de "estudante nova fingindo confiança" ok. Pego minha mochila e vou até a sala.
— Vai tomar café antes de ir? — minha mãe pergunta, sentada à mesa com sua caneca de café entre as mãos. Ela me observa como se ainda tentasse entender em que momento a filha dela cresceu.
— Não, mãe. Não tô com fome — me aproximo e beijo sua bochecha — Tchau, tô indo.
— Tenha um bom primeiro dia! E não esquece de passar na sala da diretora pra saber sobre suas aulas! — ela grita enquanto eu já estou fechando a porta.
Coloco meu fone, dou play na minha música favorita e deixo meus passos me guiarem até minha nova escola. Ser "a novata" já virou rotina. Triste, talvez, mas real.
Quase não sinto o frio na barriga tradicional do primeiro dia. Quase.
Uns quinze minutos depois, chego. O portão está aberto e um mar de adolescentes toma o pátio. É cedo, mas a animação ali parece de intervalo. Gente rindo, abraçando, beijando... parece até cena de série.
Preciso achar a diretora. Minha mãe falou da tal "Woodsy", mas eu nem sei por onde começar. Então avisto um garoto loiro, alto, encostado na parede com cara de quem sabe tudo sobre todo mundo.
Vou até ele.
— Com licença — digo, e ele vira para mim com um sorriso de canto. Um sorriso irritante, daqueles treinados em frente ao espelho.
— Pois não? — ele responde, me olhando dos pés à cabeça com descaramento.
— Você sabe onde fica a diretoria? — pergunto, tentando ser educada.
Ele inclina a cabeça, o sorriso crescendo.
— Pensei que você fosse perguntar onde fica meu quarto, linda.
Reviro os olhos tão forte que quase vejo meu cérebro. Abro a boca para mandá-lo pra merda, mas alguém aparece ao meu lado e me puxa suavemente para trás.
— Oi — diz uma voz grave.
Levanto a cabeça e... meu Deus.
Ele é alto, moreno, tem o cabelo ondulado curto, sobrancelhas grossas e um rosto tão bonito que chega a ser sacanagem. E o jeito como ele me olha... como se eu fosse uma pessoa e não um corpo andando por aí.
Diferente do loiro idiota.
— Me chamo Malakai — ele diz, estendendo a mão.
Eu aperto, meio distraída, porque estou ocupada encarando o sorriso dele. Merda. Aquele sorriso deveria ser ilegal.
— (Seu nome). Prazer — respondo.
— O Spider é um idiota — Malakai diz, apontando o polegar para o loiro, que dá de ombros como se estivesse acostumado a ser chamado assim — Foi mal por ele.
— De boa — resmungo — Ele é um idiota mesmo. Só queria saber onde é a diretoria. — passo a mão pelo meu cabelo, ainda irritada.
— Quer que eu te leve até lá? — ele pergunta com uma gentileza que faz meu peito esquentar. Eu só balanço a cabeça afirmando.
— Essa escola parece bem agitada... — comento, enquanto seguimos.
— É bem agitada mesmo — ele ri — Ano passado fizeram um mapa sexual.
— Sério? — paro, chocada. E ele assente.
— Pois é. A Amerie inventou aquilo. Foi um caos por semanas — ele passa a mão pelo cabelo e por um segundo eu só observo o movimento. Aquele cabelo parece muito macio.
De repente, uma garota baixa, de cabelo escuro e feições marcantes se aproxima de nós.
— E aí — Malakai diz. — Missy, essa aqui é a (seu nome), a aluna nova.
— Oi! — digo, mas ela nem pensa duas vezes: passa o braço ao redor do meu pescoço como se fôssemos amigas desde o ensino fundamental.
— Oi, você é gata — ela fala com naturalidade e eu fico vermelha instantaneamente — Leva ela na festa com a gente hoje, Malakai. — ela manda, antes de simplesmente... ir embora.
Fico parada, piscando.
— A Missy é meio maluca às vezes — Malakai diz, rindo sem graça — Foi mal.
— Ela parece ser legal — rio também — Mas então... essa festa aí...?
— É que o Ant vai dar uma festa hoje — ele começa a explicar, coçando a nuca, claramente nervoso — Eu pensei... tipo... você pode ir comigo. Pra conhecer o pessoal, sabe? Nada demais.
— Eu vou — respondo rápido até demais — Vai ser legal sair com você, quero dizer. Com... vocês. — deixo a frase morrer porque não sei mais o que tô falando.
Ele sorri de novo. Aquele sorriso.
Inferno.
— Aqui — ele aponta para uma porta — Sala da diretora Woodsy. Você está entregue.
Dou um passo até a porta, mas me viro antes de entrar.
— Malakai?
— Oi? — ele já está alguns passos afastado, mas vira de volta para mim.
— Até mais tarde.
Ele dá outro daqueles sorrisos perfeitos e some no corredor. E eu fico ali, parada, tentando recuperar a capacidade de respirar.
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