queda do céu

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Em completo desespero, saí do carro. Meus olhos se arregalaram ao ver o carro onde Kendall e S/n estavam rolando barranco abaixo. Vi alguém ser arremessado para fora e comecei a pedir a todos os deuses que fossem capazes de salvar S/n. Ela não poderia ter morrido. Uma das duas não estava usando cinto de segurança.

Tudo acabou como esperado. Kendall preferiu levá-la à morte do que deixá-la livre. Mesmo com dificuldade, desci com cuidado o caminho íngreme. Acabei deslizando e perdendo o equilíbrio, levantei-me e fui até o carro, que estava vazando gasolina e a qualquer momento poderia explodir.

Aproximei-me tentando encontrar S/n. Já era noite e estava difícil encontrá-la na escuridão. Aproximei-me do carro e vi que estava vazio, o que me intrigou. Caminhei procurando pelas duas e de longe avistei alguém caído no chão. Fui para perto e identifiquei Kendall, seu rosto estava cheio de arranhões, seu corpo cheio de ferimentos e ela respirava com dificuldade.

Aproximei-me dela, tentando não tocá-la, pois isso poderia piorar sua situação. Apesar de tudo, Kendall é minha irmã e jamais a deixaria morrer.

― Calma, eu vou ligar para a ambulância ― Peguei meu celular e liguei para a emergência. Minhas mãos estavam trêmulas. Olhei em volta desesperada, tentando saber onde S/n estava.

― Kylie...― Sua voz estava falha.

― Não se esforce Kendall, a ajuda já está vindo. ― Encarei seu rosto, ela sorriu fraco e negou com a cabeça.

― Eu queria que nós duas tivéssemos morrido, porque só assim ficaríamos juntas sem que você atrapalhasse, mas acho que esse é o fim. ― Lágrimas começaram a se formar no canto dos meus olhos.

Kendall estava se referindo a S/n. Ela preferia matar as duas do que deixar o caminho livre para mim.

― Você nunca vai ficar com Sn! Eu não vou permitir e não me arrependo de nada, faria tudo exatamente igual. ― As lágrimas começaram a rolar sem parar.

Neguei com a cabeça. ― Não fale besteiras, irmã. ― Um soluço escapou dos meus lábios. Ela estava morrendo e não havia nada que eu pudesse fazer. Esse era o fim.

― A Sn é minha Kylie, e nem você e nem ninguém pode mudar isso, nem mesmo a morte. Seria hipocrisia da minha parte querer se arrepender no final como alguns vilões fazem, mas não! Por que sempre pegou tudo o que era meu? Você já tinha tudo que precisava, mesmo assim desejou ter a Sn? Eu sou orgulhosa demais para admitir que jamais tive Sn por completo, ela sempre amou você, sempre foi você, e o ódio me consumia todos os dias por saber disso, mas sabe de uma coisa? Eu alimentava a ilusão de tê-la ao meu lado, mas ainda vamos nos encontrar e eu vou ter o amor dela apenas para mim. ― Seu olhar se fixou em mim por um instante até que ela fechou os olhos.

― Kendall? ― Gritei desesperada. Não, não pode ser!

Toquei em seu rosto frio tentando acordá-la, mas nada acontecia. Pressionei minhas mãos contra seu peito, utilizei o peso do meu próprio corpo, tentando reanimá-la, entrei em desespero quando ela não reagia. Toquei seu pulso, que estava fraco.

Sentindo pingos molharem a minha pele, olhei para o céu e vi que começava a chover. Puxei Kendall para os meus braços e gritei, sentindo uma dor na alma. Perder minha irmã doeu. Nunca a vi como minha inimiga, mas ela me odiava e continuou odiando até seu último suspiro.

Um som de explosão me fez virar, o carro havia explodido, espalhando pedaços para todos os lados. Estávamos a uma distância segura. Sons de sirene se aproximaram e luzes vermelhas e azuis iluminaram o local. Os paramédicos chegaram, descendo com cuidado o barranco.

Braços firmes me afastaram da minha irmã. Senti-me atordoada e fiquei parada, sem reação, vendo os médicos tentarem reanimá-la. Por um milagre, ela voltou. Rapidamente a colocaram na maca e um colar cervical foi colocado em seu pescoço. A vi ser levada para a ambulância.

― Onde está a outra garota que estava no carro? ― O homem negou com a cabeça, confuso.

― Não havia ninguém com ela, se tiver, não encontramos, senhorita. ― Um medo tomou conta de mim. Onde S/n estava?― Continuem procurando, talvez a encontrem. Fique calma. ― Ele me tranquilizou.

Caminhei sem rumo pela floresta escura, tentando encontrar S/n. O chão estava cheio de lama por conta da chuva, tornando-o escorregadio. Apoiei-me nas árvores para não cair. Milhares de pensamentos tomavam conta da minha mente. Não posso perder S/n, não agora que estava tão perto de recuperá-la. Algo dentro de mim dizia que S/n estava viva, ainda podia sentir isso.

Meus pensamentos foram interrompidos quando meus olhos viram um corpo jogado perto de um pequeno rio. Corri rapidamente em direção a S/n e coloquei a mão sobre a boca, chocada ao ver seu estado.
S/n estava destruída. Seu corpo estava cheio de arranhões e feridas, sua perna estava com uma fratura exposta, seu braço claramente quebrado. Havia muito sangue ao seu redor, acredito que ela tenha batido com a cabeça, havia um sangramento. O desespero só aumentava.

Gritei chamando pelos médicos, que rapidamente correram na minha direção. Checaram a pulsação de S/n e pelo suspiro aliviado do homem, notei que ela estava viva. Mas isso não significa que ela pode sobreviver, ainda há riscos e S/n corre perigo de morrer a caminho do hospital. Ela perdeu muito sangue. E, diferente de Kendall, ela estava mais ferida. As chances dela não aguentar são grandes e isso me assustava. O medo me consumia por completo. Eu não quero perdê-la. Não suportaria essa dor. Os paramédicos rapidamente se aproximaram de S/n. Com agilidade, eles a colocaram em uma maca e começaram a administrar os primeiros socorros ali mesmo. Eu observava tudo a uma distância segura, tentando não atrapalhar, mas sentindo uma angústia terrível.

Não posso perder S/n. Não agora.

Os paramédicos trabalhavam com eficiência, mas eu podia ver a preocupação em seus rostos. S/n estava gravemente ferida. O medo de perdê-la me consumia por completo.

Enquanto eles a preparavam para ser transportada, fiquei ao lado de S/n, segurando sua mão. Seu pulso estava fraco, mas ainda havia vida ali. Eu podia sentir isso.

"Você vai ficar bem, S/n. Você tem que ficar," sussurrei, mais para mim mesma do que para ela. Precisava acreditar nisso.

Quando a ambulância partiu, me senti vazia. S/n e Kendall, as duas pessoas que eu mais amava no mundo, estavam lutando por suas vidas e eu não podia fazer nada para ajudá-las.

Fiquei ali, sozinha na chuva, até que a polícia chegou. Eles fizeram perguntas, muitas delas eu não conseguia responder. Tudo estava borrado, confuso. A única coisa que eu sabia com certeza era que eu não perderia S/n. Eu não poderia.

Depois de conversar com a polícia, finalmente consegui um transporte para o hospital. O trajeto pareceu durar uma eternidade. Quando cheguei, fui informada que S/n e Kendall estavam em cirurgia. A espera foi agonizante. Cada segundo parecia uma eternidade.

Eu não posso perder S/n. Eu não suportaria essa dor.

(...)

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𝐎𝐁𝐒𝐄𝐒𝐒𝐈𝐎𝐍| 𝐊𝐘𝐋𝐈𝐄 𝐉𝐄𝐍𝐍𝐄𝐑 Onde histórias criam vida. Descubra agora