NOVEMBRO DE 1973
Sentada no sofá de casa, olhando para Harper brincando no chão com seus brinquedos, Jane tinha os pensamentos longes. Estava se sentindo sozinha, apesar de ter colegas na rua nenhuma delas se comparava a Mary.
Patrick entrou em casa deixando os sapatos ao lado da porta, ele sorriu se aproximando ao escutar a filha gritando em animação chamando sua atenção.
- É muito bom te ver também, Harpie. - Disse rindo enquanto pegava-a no colo - Como está meu amor?
Perguntou para a esposa beijando-a na testa fazendo-a sorrir de canto.
- Estou com saudades de Mary, mas estou muito bem. - Sorriu levantando-se - Vou te servir algo para comer.
- Obrigado, gata. - Beijou-a na bochecha, seguiu-a até a cozinha com a filha ainda no colo - Se está com saudades da Mary, ligue para ela Jan. Já confirmou a presença dela no aniversário de um ano da Harper?
- Ainda não. - Pegou a carne com alguns legumes que ainda estava quente - Vou fazer a pequena dormir enquanto você janta e depois eu ligo pra ela.
- Isso. - Patrick beijou a bochecha da bebê que soltou uma gargalhada - Durma muito bem minha princesinha, o papai te ama de todo o coração e lembre-se, mesmo depois de grande você será sempre o meu tesourinho.
Rindo, Jane pegou a filha no colo depois de colocar o prato do marido na mesa.
- Vamos ir para a terra dos sonhos? - Deitou-a no colo - Já volto, Rick.
- Não tenha pressa. - Disse se sentando à mesa.
Naquela noite Harper demorou para dormir, precisou do carinho do papai que a levou para andar de carro enquanto a mamãe ficava em casa ligando para a tia Mary.
- Alô?
- Oi Mary, é a Jane.
- Ai meu Deus, eu estava pensando em te ligar agora! - Disse animada, dava para saber que estava pulando em animação do outro lado da linha - Como está?
- Morrendo de saudades da minha melhor amiga. - Apoiou a mão no rosto.
- Só Deus sabe como tem sido os dias sem vocês três aqui comigo.
- Eu liguei para saber se você vai poder vir para Pasadena para o aniversário de um ano da Harper. - Coçou a nuca - Se não puder, fique tranquila...
- Jane. - Interrompeu-a - É claro que eu vou no aniversário da HarHar! Ela é a minha afilhadinha, tenho que estar presente.
- Fico muito feliz em saber disso, Ma. - Riu. Escutou o barulho do motor do carro se aproximar. - Eu tenho que ir, eu te mando pelo correio o convite e a passagem de avião.
- Que chique. - Disse rindo - Tudo bem, amo você Jane.
- Amo você Mary.
Ao mandar o último beijo, colocou o telefone no gancho e se levantou, suspirou tomando fôlego pois a saudade de sua irmã de alma era tanta que a tirava o ar.
Jane abriu a porta da frente, desceu as pequenas escadas e sorriu ao ver Patrick com Harper no colo dentro do carro. Tentou entrar sem fazer barulho algum.
Ficou alguns minutos apenas olhando para Patrick e Harper juntos, estava hipnotizada pela maneira que a filha dormia nos braços do pai, a forma que se sentia segura para ficar do jeito mais vulnerável possível.
- O que foi? - Ele perguntou ao ver uma pequena lágrima escorrer no rosto da esposa.
- Gosto de ver vocês dois assim, pai e filha juntinhos. Nunca pensei que isso fosse acontecer comigo. - Encostou a cabeça no ombro do marido - Obrigada Rick, obrigada por cuidar de nós duas.
- Eu que agradeço por me dar uma família maravilhosa e uma filha perfeita. - Encostou sua cabeça na dela - Eu te amo demais, minha Jan.
- Eu também te amo demais, meu Rick.
Selaram os lábios enquanto se olhavam nos olhos transmitindo um para o outro o amor que sentiam, não precisavam dizer mais nada porque seus olhos falam por si só.
***
FEVEREIRO DE 1974
Era o primeiro aniversário de Harper, ela estava completando um ano de missão. E qual era essa missão? A de fazer todos que cruzassem o caminho dela feliz.
Jane organizou uma pequena festa no jardim de casa com alguns balões, bandeirolas, toalhas de piquenique e mesas bonitas. Convidou seus vizinhos e seus filhos, alguns eram até amigos de Harper.
Com um enorme sorriso no rosto, ela filmava a todos com sua filmadora, achava de extrema importância registrar tudo para que as memórias não se perdessem. Mary fazia careta toda vez que aparecia, isso influenciaria a afilhada mais para frente.
Muita coisa aconteceu desde novembro. Harper comemorou o primeiro dia de ação de graças, o primeiro natal onde ganhou um lindo vestido da tia Ruth, um lindo urso de pelúcia de Jane e uma boneca de Patrick. Sua primeira palavra foi "papai" e logo em seguida disse "mamãe". Aprendeu a andar e seus dentinhos nasciam. Harper estava desabrochando como uma flor e o papai e a mamãe não podiam estar mais orgulhosos.
Jane escutou o telefone tocar e rapidamente correu para dentro de casa para atende-lo.
- Alô?
- Oi irmãzinha, gostaria de desejar um feliz aniversário para a minha sobrinha.
- Como descobriu meu número? - Tentou manter a aparência pois Mary a observava do lado de fora.
- Brian está desconfiado que Harper, olhe que nome ridículo, é filha dele. - Respirava pesado - Por sua culpa brigamos o tempo todo, por que foi engravidar Jane? Tudo isso foi para tomar o Brian de mim?
- Jolene, preste atenção no que está falando. Fique com o Brian para você, estou casada com Patrick e a Harper é filha dele! Não me ligue mais e nunca mais tente entrar em contato de alguma forma conosco. Passar bem.
Sem dizer mais nada bateu o telefone no gancho, respirou fundo tentando não chorar. Jolene havia afundado-a para o fundo do poço, tirou quase tudo o que amava dela, não via mais saída mas Mary, Harper e Patrick a tiraram de lá, principalmente a melhor amiga.
- Janie, venha vamos cantar parabéns. - Ela disse entrando na casa, mas percebeu que algo estava estranho - O que aconteceu Jane Robinson?
- Jolene me ligou. - Suspirou.
- Aquela vadia! Ainda bem que ela não cruza o meu caminho, senão eu iria acabar com aquela piranha! - Aproximou-se da amiga - Quer conversar?
- Não. Hoje é aniversário da minha filha e eu não vou deixar com que Jolene e aquele caráter podre dela acabem com um dos dias mais felizes da minha vida.
E não deixou. A festa foi divina, todos se divertiram bastante, principalmente Harper que caiu no sono cedo e foi acordar bem tarde no dia seguinte.
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All Too Well
RomanceSinopse: Jane Robinson é uma jovem estudante de biologia em Chicago, perdeu sua mãe ao dezoito anos e seu pai abandonou ela e a irmã mais nova, Jolene Robinson, semanas depois. Sozinha, Jane cria a irmã, que na época tinha apenas onze anos de idade...
