Esse capítulo é o maior de toda a história. O comecinho dele tá pesado e pode ser gatilho sobre abuso sexual, então se você não quiser ler, pule até a frase que está em negrito.
O final tbm tá pesado, mas é por outro motivo 👀
Me deixem saber se estão gostando, porque eu sinceramente amo o que tenho planejado para essa história.
Dublin
17 de março
Penelope permaneceu parada na porta da cabine do banheiro, em choque. Levou mais alguns segundos para erguer o olhar e confirmar o que já sabia.
Lá estava ele, parado, olhando-a desde os pés até a cabeça: era o cara esquisito do ônibus que tinha tentado se aproximar dela na parada em Athlone.
– Esse é o banheiro feminino – Penelope falou, tirando coragem sabe-se lá de onde. Seu peito que antes subia e descia pelo choro, agora subia e descia pela dificuldade em respirar com toda aquela adrenalina de antecipação acontecendo. Seus instintos gritavam.
Os olhos escuros dele brilharam e ele abriu um sorriso diabólico enquanto respondia, com calma:
– Eu sei.
Penelope rapidamente olhou em direção a mochila em cima da pia, ainda com a nécessaire para fora. Se perguntava se entre todas as futilidades que carregava, tinha algo que poderia ser usado como uma arma. Não conseguiu pensar em nada além de uma pinça.
Quando olhou novamente na direção do homem, seu corpo inteiro começou a tremer. Ele se aproximava lentamente, sem tirar os olhos dela, assim como um predador diante de sua presa.
– Eu estou de olho em você desde Limerick, sabia? – disse ele, com o tom de voz baixo, como se estivesse se deliciando com os olhos arregalados de Penelope.
Ela deu um passo para trás e ele deu mais um passo para frente. Então, ela parou de andar, sabendo que se desse mais um passo acabaria dentro da cabine - o que impossibilitaria uma fuga.
Penelope queria reagir, mas não conseguia mexer seu corpo ou falar algo, como se estivesse presa numa paralisia do sono - só que, infelizmente, ela estava acordada.
O homem parou com o corpo colado nela. Com o olhar escuro, ele usou uma das mãos sujas para erguer o rosto dela com uma força desnecessária, apertando suas bochechas e fazendo doer seu maxilar.
– Esse seu rostinho... Seu cabelo... – Ele começou, quase rosnando – Fiquei com tanto tesão quando vi seu namoradinho marcando território...
Penelope apertava os lábios com força enquanto lágrimas silenciosas rolavam. Suas mãos, suas pernas, seus ombros, seu corpo inteiro tremia em reação à consciência do perigo.
Por que tinha ido para Dublin? Por que tinha decidido pegar aquele maldito ônibus? Por que tinha decidido usar o banheiro mais distante? Por que não tinha ido embora há uma hora? Por que não tinha aceitado carona com Colin?
Ah, Colin...
Ele jamais saberia que ela mentiu quando disse que tava pouco se fodendo para ele, jamais saberia do quanto ela amava ouvir ele contar sobre suas viagens.
Penelope soluçou e o homem pareceu sorrir ainda mais. Maníaco.
Ele se deliciava com o medo dela.
– Eu vou socar o meu pau você do jeito que eu quiser e você vai ficar quietinha, ouviu? – Ele disse baixo – Se você gritar, eu vou quebrar essa sua cara de vagabunda, entendeu?
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NAS ESTRELAS | polin
RomanceComo se estivesse escrito nas estrelas, Colin e Penelope têm um encontro inesperado no interior da Irlanda - enquanto Penelope tenta escapar de uma vida que parece vazia após uma série de desilusões, Colin luta para encontrar um propósito genuíno no...
