Epílogo

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Epílogo

2036


Colin pigarreou uma vez antes de continuar, garantindo que sua voz atingisse um tom diferente para arrancar as risadinhas do seu público tão difícil e exigente. Arrumando o óculos na ponta do nariz, ele continuou, propositalmente entortando sua boca para o lado e fazendo uma careta para acompanhar a voz grave:

– O verdadeiro tesouro não é ouro, mas aquele que encara o destino sem medo, arrrrgh!

Ele sorriu de alívio, sem desviar os olhos do livro enquanto uma sequência de risadas explodia na biblioteca de Aubrey Hall, como sempre acontecia quando ele fazia sua voz de pirata. 

Voltando ao seu tom normal, ele continuou:

– E assim, o Capitão Barba-Colin seguiu navegando, não atrás de riquezas, mas de histórias que viveriam para sempre nos cantos dos marinheiros. – Ele ergueu a cabeça para os cinco pares de olhos que brilhavam em entusiasmo.

Logo que ele declarou que a história havia chegado ao fim, aquela bolha de entretenimento pareceu estourar e todas as crianças começaram a pular em seus lugares enquanto aplaudiam e gritavam.

– De novo! De novo! – Pediu a garotinha com cabelos ruivos e lisos, erguendo-se sobre suas pernas rechonchudas e correndo na direção dele com todo o entusiasmo que uma criança de quatro anos poderia ter (ou seja, muito).

– O Capitão Barba-Colin precisa descansar um pouco, Ceci.

Como se já não fosse uma cópia perfeita de sua irmã mais velha, Agatha, Ceci também tinha herdado aquela expressão facial pidona originada diretamente de sua tia Hyacinth.

Colin quase cedeu e recomeçou a história d'As Aventuras do Capitão Barba-Colin, edição seis.

Mas, então, sua atenção foi tomada quando a porta se abriu do outro lado da biblioteca.

Usando um vestido cor de rosa com as pétalas de uma flor suave e macia, Penelope se encostou no batente e lançou um sorriso para o marido, sabendo que tinha acabado de salvá-lo de ser engolido novamente pelos próprios filhos e sobrinhos.

O cabelo dela, agora na altura dos ombros, estava meio preso em uma presilha que deixava que cachos bem finalizados caíssem em sua testa. Os óculos de leitura estavam descansando no topo da cabeça e Colin sabia que ela tinha terminado com seu trabalho da aula de literatura naquele dia.

Ela sorriu para ele e, sim, eles estavam há mais de dez anos casados e Colin ainda sentia toda sua pele se aquecer com aquele sorriso.

Ainda? – Penelope perguntou, balançando a cabeça negativamente.

– Viu só, Fred? – Colin perguntou para o menino de cabelos castanhos e óculos imensos que tinha se aproximado – Sua tia está brava comigo porque vocês não me deixam trabalhar.

– Mas, papai, você só fica em casa. – Falou Ceci, arrancando de Colin uma risada sincera.

– Para sua informação, mocinha... – Ele começou, erguendo-se e fazendo-a gritar ao puxar ela pra cima junto com ele – Ser um marido-troféu e pai de quatro crianças exige muito de mim.

Malido tloféu? – Perguntou Thomas que, aos três anos, ainda se via incapaz de ver sua mãe no mesmo ambiente sem correr para abraçar suas pernas – Mamãe, o que é um malido tloféu?

Penelope lançou um olhar acusatório para Colin enquanto pegava seu filho caçula no colo.

– Seu pai quis dizer que ele é um bom marido e um bom pai, amor. – Ela respondeu ternamente – Tão bom pai que ainda não terminou de escrever aquela coluna porque preferiu imitar um pirata para vocês.

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