Olá! Era para ser somente um capítulo, mas me empolguei na revisão e adicionei algumas coisas para dar mais contexto para uma coisa que vai vir aí rs Muitos desencontros acontecem aqui, mas confiem no processo.
OBRIGADA POR TODOS OS VOTOS E COMENTÁRIOS! <3
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Marselha, França
23 de Março
Quando Colin acordou naquele início de manhã, sentiu um afeto profundo dominando cada parte do seu corpo quando percebeu que o barulho que ouvia era do ronco de Penelope que ainda estava aninhada em seus braços.
Ele quis rir - o barulho não era alto, mas parecia uma porta velha rangendo. Queria gravar e mostrar para ela, quem sabe arrancar seu primeiro sorriso do dia.
Por Deus... Seu novo vício era, com certeza, ouvir a risada dela como primeiro som ao acordar.
Quando ele fechou os olhos novamente e se apertou mais no corpo quente que envolvia, de repente, o afeto profundo que o dominava começou a dar espaço para o terror da noite anterior quando teve a percepção de que, por mais que tentasse, por mais que quisesse, ainda assim Penelope não seria dele.
E o sentimento de querer que ela fosse dele não estava relacionado à posse.
Era sobre entrega.
Nos últimos dias, principalmente depois da noite no terraço, Colin sentiu que realmente estava progredindo em algo. Deixou de controlar parte das suas vontades de sempre tocá-la ou agradá-la e ela parecia gostar - algumas vezes, até retribuía.
Quando ele imaginou que tinha avançado alguma etapa, que ela queria estar aninhada em seus braços assim como estava agora... Ele a viu fugir pela sua mão como se estivesse tentando segurar água corrente com os dedos abertos.
Talvez Penelope fosse isso: água corrente.
Agora, dormindo em seus braços com o cabelo espalhado pelo travesseiro e pelo seu peito, ela talvez fosse mais como um riacho. Calmo, plano, exalando tranquilidade. O lugar em que você pode sentar na beirada, molhar os pés e apenas apreciar a vista enquanto contempla sua beleza.
Colin amava contemplar a beleza de Penelope enquanto estava amassado contra seu corpo.
Quando ele pensava que tudo era apenas sobre contemplar a água cristalina do riacho, ele descobria então a grande cachoeira que desaguava nele, com a correnteza forte, com quedas d'água brutas e que não permitia que os mais desavisados ali entrassem. Tinha que saber nadar se quisesse se banhar. Essa era a Penelope provocadora, desinibida, brincalhona, astuta, inteligente, afiada...
Essa foi a Penelope pela qual Colin Bridgerton esteve apaixonado há vários anos.
Colin pensava que sabia nadar. Que podia nadar naquela cachoeira.
Mas, então... Quando tudo era sobre saber nadar e aproveitar a vista, chovia na nascente. O riacho enchia, a correnteza destruía tudo pelo caminho, saber nadar não era mais o suficiente, querer nadar não bastava, tudo transbordava. Tudo se tornava um caos.
E foi essa Penelope que Colin descobriu que amava.
Porque, mesmo que chovesse na nascente, mesmo que o rio transbordasse, mesmo que a correnteza destruísse... Ainda assim, ele queria nadar. Ele queria apreciar. Ele queria ficar.
Ele, que sempre quis ir para uma nova cidade, conhecer uma nova cultura, viajar para um novo país, queria ficar.
E, novamente: isso não é sobre uma localização.
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NAS ESTRELAS | polin
RomanceComo se estivesse escrito nas estrelas, Colin e Penelope têm um encontro inesperado no interior da Irlanda - enquanto Penelope tenta escapar de uma vida que parece vazia após uma série de desilusões, Colin luta para encontrar um propósito genuíno no...
