O maior tesouro do Capitão Barba-Colin

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EU NÃO SEI ESCREVER DISCUSSÕES, então, por favor, relevem se isso daqui estiver superficial.
Todo o capítulo será narrado no ponto de vista do Colin (ainda em 3ª pessoa).
Boa leitura, nos vemos lá no final 🖤

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A dor no rosto dela enquanto se levantava e deixava para trás uma bagunça no restaurante descarregou em Colin um pico de adrenalina que fez suas pernas se moverem para dentro do salão novamente e sua boca formar o nome dela em súplica. Sua visão, no entanto, parecia estar com um filtro de vinheta sobreposto: ele não enxergava nada além da figura de Penelope saindo pela mesma porta que eles tinham entrado antes de mãos dadas e bochechas coradas pelas provocações.

O coração disparado, o peito doendo, a urgência em desviar das pessoas e mesas, a pressa em ignorar os chamados de James ou Arthur, Colin estava correndo totalmente entregue ao seu instinto de sobrevivência que apitava em seus tímpanos sobre o rompimento iminente de algo intocável.

Quando os pés dele tocaram a parte de fora do restaurante, seus olhos rapidamente captaram aquilo que poderia facilmente ser uma das coisas mais dolorosas que ficariam registradas para sempre em sua memória:

Penelope estava do outro lado da rua, de costas para ele e se apoiando na parede à frente enquanto seu corpo se curvava em soluços longos e um choro doloroso. Os ombros dela tremiam e ela parecia se esforçar para reduzir os sons da sua lamentação.

– P-Pen, o-o que aconteceu... – Ele tentou formular quando se aproximou e a puxou para si.

Penelope não ofereceu resistência. Ela se virou para ele e sua expressão facial estava dez vezes pior do que a expressão corporal. Os lábios dela estavam curvados para baixo e tremendo enquanto as lágrimas rolavam desenfreadamente.

Colin sabia que sua pergunta era retórica. Ao olhar para o rosto dela, ele soube exatamente o que tinha acontecido e o que ela sabia, o que ela estava pensando e no fato de que ele havia mentido para ela - e ela precisava entender seus motivos, mas ainda assim, a culpa tomou cada célula do corpo dele.

Penelope estava sofrendo. E ele era o culpado.

– Vamos conversar, eu posso explicar tudo, eu só-

Penelope balançou a cabeça negativamente, incapaz de colocar qualquer coisa em palavras. Ela deu passos para trás, se afastando e limpando de forma rude as lágrimas que continuavam caindo.

O afastamento dela causou em Colin algo muito mais pungente do que qualquer outra coisa que ele já havia experimentado em sua vida. Eles estavam vivendo em uma bolha de intimidade e proximidade pelos últimos melhores dias de sua vida e, de repente, ela estava dando dois passos para tomar distância dele.

De repente, ela estava com o rosto vermelho e com falta de ar.

De repente, ela estava olhando para ele com dor.

Deus, ela precisava entender.

– Amor, p-por favor... – Por que a voz dele estava gaguejando? Por que as palavras pareciam difíceis? Ele repetia a si mesmo que tinha motivos – Só vamos sentar e eu vou explicar tudo, eu juro, eu tenho...

A frase morreu quando ele percebeu que estava chorando também. Ele segurou Penelope pelos braços numa tentativa de fazê-la voltar a olhá-lo como ela olhava antes que eles tivessem vindo para esse desastroso almoço, mas tudo o que recebeu foi mais e mais daquele olhar dela com dúvidas transbordando.

Penelope estava... Duvidando dele? Do relacionamento deles? Do amor dele?

Talvez o olhar dele também estivesse cheio de dúvidas.

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