Portuga
- Fechando chefia? - entrei no bar de seu Ezequiel pós plantão
- Cara pra você tá sempre aberto
- Aí sim
- Vai tomar uma?
- Desce uma gelada pra mim
- Agorinha - ele abriu uma e pôs no balcão
- Valeu - dei um gole e me virei ao ouvir umas vozes ao fundo
Estranhei ao ver quem estava sentando a mesa com dois homens
Melissa
- Pensei que tinha apagado - um deles puxou seu braço, a forçando sentar na cadeira
- Eu vou embora - ela disse com a voz trêmula e os olhos inchados
- Deixa de manha gatinha - o outro apertou sua coxa
- Ó. Até deixo uma contigo pa tu levar pra tua casa em - ele empurrou uma carreira pra ela, que tirou a mão de sua coxa, a batendo com força na mesa
Os olhava enquanto dava uns goles. Um deles rapidamente notou minha presença e cutucou o outro
- Qual foi, Portuga - balancei a cabeça num gesto de cumprimento, sem tirar o olho dela, que ao ouvir meu nome levantou a cabeça, com os olhos cheios d'água
- Bora logo levar essa gatinha, pra ela pagar um boquete - ele se aproximou dela, que fechou os olhos, revelando um roxo enorme - tá afim também, irmão? - ele se voltou a mim de novo
- Não, por favor não - ela suplicou entre lágrimas
- Cala a boca piranha - o outro deu um chute em sua canela - hoje tu vai ter o que veio procurar aqui - ele apertou o pau enquanto a encarava
- Bora Portuga, mó gostosa - sorri e fui em direção a eles, ainda de olho nela
- Ué - peguei a garrafa na mesa deles e a quebrei na cabeça do mão boba, o apagando
- Qual foi? Que isso cara? - o outro pôs as mãos na cabeça gritando
- Isso é o que eu faço com estuprador por aqui - puxei a arma das costas e disparei contra seu rosto
Voltei minha atenção a ela, que tremia da cabeça aos pés e respirava afobada, com dificuldade
- Vem - dei a mão a ela devagar, tentando não a assustar mais - vou te levar pra casa
- Não - ela agarrou na porta, apertando a barriga com a outra mão - pra casa não
Pus a mão em suas costas e começamos a andar
- Cuidado pra não tropeçar - apontava pros buracos, mas ela só conseguia olhar pra atrás
- Ele não vai vir atrás de mim não? - ela se embolava em meio as palavras
- Não vai vir ninguém, fica tranquila
- E ele? - ela respirava cada vez mais rápido
- Calma, tu não tem culpa de nada
- Você tem certeza que ele não tá aqui? - passei a mão pelo rosto, confuso
- Olha só Melissa - peguei em seus pulsos - tá tudo bem, você sabe quem eu sou
- É - ela tentava controlar sua respiração - o Portuga
- Isso e eu to com você agora. E agora eu vou te deixar na sua casa
- Não, não - ela voltou a olhar pra trás desesperadamente
- Tá bem - aumentei a voz, a calando - ta bem, respira, e vamos
- Se não fosse você eu podia - ela começou a chorar
- Respira - a segurei, que se desequilibrava a cada soluço
- Eu to passando meio mal
- Calma
- Acho que eu exagerei
- Vai passar
- É que eu cherei - ele levou as mãos a testa
- Eu sei, eu sei - a envolvi com meu braço - vou te levar pra minha casa, já tá chegando tá
- Tá bom
.
A guiei até meu banheiro e liguei a água quente. Me virei e ela estava sentada no vaso, com o rosto entre os braços, chorando baixo
- Foram eles quem fizeram isso? - ajoelhei em sua frente e tirei seus braços de frente de seu rosto, passando os dedos sobre seu olho
- Não - ela tirou minha mão e levantou a blusa
- Caralho - um roxo tomava conta de metade da barriga dela
- Tá doendo - ela pôs as duas mãos na barriga
- Vem cá - a levei até minha cama e joguei uma blusa em sua direção - se troca - dei de costas
Fiz uma compressa com um pano guardado em meu armário e pus em sua barriga com cuidado, igual Dona Maria fazia quando me envolvia em briga de rua, ela pôs suas mãos sobre as minhas, senti uma pontada no peito e tirei as mãos rapidamente, ficando apenas a olhar
- Quem foi? - sentei no chão de frente pra ela
Ela me olhava em absoluto silêncio, abria a boca pra dar uns gemidos de dor conforme mudava o pano de lugar
- Foi o meu pai - ela disse desviando o olhar
- Filho da puta - levantei rapidamente, ficando inquieto novamente
- Por isso eu subi - ela mantinha os olhos no teto
- Ta bom, tá legal. E agora você vai descansar - ela pôs o pano na barriga e se virou de leve
- Vai estar aqui quando eu acordar? - ela voltou a me olhar
- Vou - desta vez eu quem desviei
Peguei a arma na gaveta, acendi um e fui lá pra fora
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AMANTES
Fanfiction📍Complexo do Alemão "Intensos momentos naqueles poucos instantes nosso tesao tão perto nosso amor tão distante garota eu nunca te pedi pra me entender não posso ser nada além do que um simples amante"
