Capítulo 5

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Pov Natasha

Eu não era acostumada a demonstrar e receber afeto, além do meu filho, e isso para mim nunca fez a mínima diferença. Sentimentos, para mim, sempre foram uma fraqueza. Mas algo mudou quando Wanda estava ali, me abraçando com tanta ternura e sinceridade.

Era uma sensação que eu não conseguia explicar, algo que fazia meu peito relaxar, como se o peso que eu carregava todos os dias tivesse desaparecido, mesmo que só por um instante.

O calor do abraço dela me acalmava, e pela primeira vez em muitos anos, eu senti uma paz genuína, algo que eu quase esqueci que era possível. E de alguma forma, essa sensação era boa, era a diferente de qualquer coisa que eu já tinha experimentado. Pelo menos foi o que eu achei. Eu pensava que só uma pessoa pudesse me fazer sentir isso... Mas já faz muito tempo.

Meus olhos buscaram os dela, tentando entender o que estava acontecendo comigo. Os olhos verdes de Wanda eram a coisa mais linda que eu já tinha visto, especialmente tão de perto.

O verde claro dos olhos dela contrastava perfeitamente com os cabelos castanhos que desciam até sua cintura. Wanda era linda, e aquela proximidade me fazia sentir algo profundo, algo que eu não queria admitir nem para mim mesma que poderia acontecer.

Já fazia tanto tempo que eu não sentia algo parecido, mas com Wanda... Eu senti algo diferente. Eu estava incerta, confusa com esses sentimentos, mas Wanda conseguiu, de alguma forma, trazer uma onda de paz ao meu caos interior.

No entanto, uma parte de mim sabia que isso não poderia continuar. Eu não podia me permitir depender de ninguém, muito menos colocá-la em risco. Não enquanto eu estivesse envolvida na vida que eu levo. Era perigoso demais, e eu não queria que ela se arriscasse, não por mim, não pela pessoa que eu sou.

Saio do abraço, sentindo o calor do corpo dela se afastar do meu, deixando um vazio desconfortável. Minha expressão mudou imediatamente, voltando à frieza habitual que eu conhecia tão bem. Era um reflexo, uma máscara que eu colocava sempre que me sentia vulnerável.

- Okay... Eu agradeço, Wanda, por ter me ajudado - digo, tentando soar o mais indiferente possível, enquanto me levantava da cama.

Wanda me olhou claramente confusa com a mudança repentina no meu comportamento. O olhar dela era quase desconcertante, como se ela estivesse tentando entender por que eu estava agindo assim. Eu sabia que estava sendo injusta, mas era o único jeito que eu conhecia de me proteger. O único jeito que eu sabia fazer.

- Ah, eu achei que... - Ela começou, olhando para as próprias mãos, a insegurança evidente na voz dela.

Eu não deixei que ela terminasse a frase. Interrompi ela rápido, endurecendo ainda mais meu tom de voz.

- Achou nada - cortei, mantendo o controle. - Eu agradeço, mas agora pode ir descansar.

A dor que eu vi nos olhos dela depois que falei isso quase me fez voltar atrás, quase me fez ceder e permitir que ela ficasse. Mas eu sabia que se eu permitisse isso, não haveria volta. Eu não podia me deixar ser fraca, não mais do que já tinha sido.

Wanda hesitou, como se estivesse esperando que eu mudasse de ideia, que dissesse algo diferente. Que eu a deixasse ficar. Mas eu mantive minha postura, escondendo qualquer sinal de emoção que pudesse trair o que eu realmente sentia por dentro. Então finalmente, ela se levantou da cama, o olhar decepcionado mas firme, a mesma feição de quando estávamos naquela sala.

Ela caminhou lentamente até a porta e por um segundo, eu quase a chamei de volta, quase pedi que ficasse. Mas em vez disso, eu me mantive em silêncio, observando enquanto ela deixava o quarto. A porta se fechou atrás dela e o quarto pareceu subitamente mais frio, mais vazio.

Entre Armas e RosasOnde histórias criam vida. Descubra agora