Capítulo 28

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POV NATASHA

O vento gelado da Rússia batia contra meu rosto enquanto eu me encostava na parede do meu escritório, acendendo mais um cigarro. O cheiro forte da fumaça se misturava ao perfume amadeirado que impregnava o ambiente, mas nada disso me ajudava a aliviar a tensão crescente dentro de mim.

Deixei Wanda e Tommy em Nova York, na casa da Nathalya. Foi a melhor escolha. Não queria envolver eles nisso, não enquanto eu não soubesse exatamente com o que estava lidando.

Passei a mão pelo rosto, sentindo o cansaço pesar sobre mim. Os últimos dias foram um inferno. A conversa com Melina ainda ecoava na minha mente, suas palavras enigmáticas me irritando mais do que qualquer outra coisa.

"Você precisa tomar cuidado, Natasha."

Ótimo conselho, mãe. Como se eu já não passasse cada segundo da minha vida pisando em um campo minado.

Soltei a fumaça devagar, olhando pela janela. Moscou continuava do mesmo jeito de sempre, fria e impiedosa. Como eu.

Peguei meu celular, vendo várias mensagens não lidas de Wanda.

Wanda: Tommy está dormindo, ele perguntou de você...
Wanda: Você já voltou para casa?
Wanda: Tasha?

Fechei os olhos por um momento antes de responder.

Eu: Sim. Estou em casa. Descanse, meu amor.

Guardei o celular no bolso e me afundei na poltrona. Eu precisava pensar. Se Melina veio atrás de mim depois de tanto tempo, significava que a merda estava bem bagunçada.

Flashback on•

POV NATASHA

O cheiro de mofo impregnava as paredes de concreto, misturado ao ferro do sangue seco. A iluminação era baixa, lâmpadas piscando intermitentemente no teto, como se o próprio lugar estivesse sufocando sob seu próprio peso.

Meu corpo doía.

Cada respiração queimava minhas costelas, os hematomas marcando minha pele como cicatrizes prematuras. Meus músculos tremiam de exaustão. Os dedos das minhas mãos estavam cortados, descascados de tanto socar o chão sempre que errava um movimento.

Mas eu não parava.

Eu não podia parar.

À minha frente, Irina arfava, segurando o próprio braço deslocado. Seus ombros subiam e desciam rapidamente enquanto tentava estabilizar a respiração. Ela tinha sangue nos lábios, o rosto inchado dos golpes que eu mesma havia dado.

Mas os olhos dela ainda brilhavam com um vestígio de determinação.

- De novo. - A voz fria do instrutor ecoou pelo espaço, cortando o silêncio como uma lâmina afiada.

Irina olhou para mim. Seus olhos estavam marejados, mas ela não implorou. Nenhuma de nós implorava. Eu sabia o que acontecia com quem implorava.

Eu queria parar.

Eu queria ajudar ela.

Mas hesitação era o mesmo que morrer.

Fiz um movimento para trás, preparando minha postura. Minhas pernas estavam pesadas, meu corpo gritava para descansar, mas meu cérebro me forçava a continuar.

Irina avançou primeiro, mas eu fui mais rápida.

Ela tentou me atingir com um chute giratório, e eu me abaixei no último instante. Seu pé passou rente ao meu rosto. Quando ela aterrissou no chão, desequilibrada, me joguei contra ela com força.

Entre Armas e RosasOnde histórias criam vida. Descubra agora