Pov Yelena
Eu podia parecer a garota mimada e egocêntrica por querer Natasha o tempo todo, por mais que brigássemos quando eu não tinha o que queria. Mas eu não era assim.
Eu só queria garantir que aquela mulher, que sempre cuidou de mim, estivesse viva pra estar no aniversário de seu filho, que estivesse em casa conosco ou em uma viagem qualquer durante o Natal. Ou que descansasse os dias exaustivos em sua cama, na casa em que morávamos. Queria vê-la transitar pela casa ou gritar comigo quando discutíssemos... Eu só a queria viva.
Infelizmente, a realidade que enfrentávamos era outra.
Natasha não era mais a irmã que conheci quando éramos crianças. A vida, com todas as suas brutalidades, a havia transformado em algo mais frio, distante. Eu não via mais em seus olhos a genuinidade ou gentileza que expressava quando mais nova.
Aquela faísca de alegria, aquele calor que às vezes transparecia, foram substituídos por uma sombra de dor e frieza. Seus toques eram frios e dolorosos, e sua voz rouca sempre exalava desprezo.
O que ela se tornou era uma consequência inevitável de tudo que enfrentou. Ninguém nasce ruim, é sempre uma consequência de um passado e das escolhas tomadas a partir dele. E Natasha escolheu um caminho difícil, um caminho que a moldou em uma arma letal.
Tudo que ela passou se tornou o combustível para esse fogo frio que arde dentro dela. Nem eu, nem Bucky, conhecíamos tamanha dor. Nem sabíamos o que era sofrer em relação a tudo que Natasha sabia.
A mais verdadeira e intensa dor é quando tiram tudo de você... Como fizeram com ela. Tiraram tudo de si. Aqueles que tinham seu amor recíproco pagaram por um preço caro. Minha irmã teve que machucar os próprios amigos e só assim perceber que, no fim, não era nada sem esse ódio amargo que ela cultivou.
Eu entendia sua vontade de fazer os outros sofrerem em dobro tudo que lhe foi obrigada a sentir. Entendia, mas não aceitava. Eu queria a Natasha de antes, mas sabia que ela estava enterrada sob camadas de sofrimento, que a realidade não permitiria que ela voltasse.
Eu compreendia o medo das pessoas ao ouvirem seu nome. A caça reconhece o caçador. Natasha e todos ao seu redor sabiam que, no fim, não existia paz para alguém como ela. Se Natasha estava em um ambiente, este ambiente não estava intacto. E se minha irmã tinha sede de morte, aniquilações seriam feitas sem hesitações.
Se comparado a ela em todos os aspectos, nós, meros restantes Romanoff, não éramos ninguém. Natasha era uma força da natureza, imparável e implacável.
Cada país um nome apresentável alternativo. E seja lá qual era o nome que se remetiam a ela, temor havia. Natasha acumulava inimigos, e todos a temiam.
A chefe da Máfia russa era procurada em todo continente Americano e, possivelmente, na Europa. Mas Natasha era tão persuasiva ao ponto de comprá-los com propinas todos os meses em troca de queima de arquivos ou qualquer outra coisa.
Não sabiam sua identidade verdadeira, mas ela fazia isso justamente para que não tivessem nem 1% de suposição em mãos. Natasha estava a um nível icônico, lendário e intocável. Sua inteligência e agilidade eram invejáveis.
Mas... apesar de toda sua sabedoria e costume com isso, eu morria um pouco mais quando ela saía pela porta e eu ficava na dúvida se receberia seu corpo vivo e sua expressão séria, ou uma ligação de celular descartável avisando que ela estava morta ou presa.
O medo constante de perdê-la era uma sombra que me seguia a cada dia, a cada noite sem ela. Porque, no fundo, por mais que eu tentasse ser forte, eu sabia que não poderia viver em um mundo onde Natasha não existisse.
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Entre Armas e Rosas
Hayran KurguNatasha Romanoff uma mulher poderosa e a mais temida pela Rússia inteira. Ela é dona da maior máfia da Rússia e do mundo inteiro. Wanda Maximoff é uma jovem mulher muito talentosa e adora seu trabalho como psicóloga. Ela se mudou pra Rússia a pouco...
