Capítulo 8

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POV Natasha

Já era de manhã e Wanda estava dormindo serena na cama enquanto eu a observava. Quando Carol havia me ligado dizendo que ela tinha desmaiado novamente e eu vim correndo pra casa.

Eu preciso logo que Clint traga mais informações pra mim conseguir comprar as medicações de Wanda e a levar pro hospital.

Eu passei a noite inteira vigiando ela, eu estava com medo dela passar mal novamente então me previni ficando com ela essa noite.

As palavras de Clint ecoavam na minha mente, cada uma delas como uma faca cortando camadas que eu tentei enterrar profundamente.

"Você pode estar tendo a chance da felicidade em mãos, outra vez." Eu não sabia se estava pronta para isso.

Não sabia se era forte o suficiente para deixar alguém entrar de novo, mas havia algo em Wanda que me puxava, algo que quebrava minhas barreiras sem esforço.

Desde a morte de Maria, não consigo ser a mesma. Ela era minha âncora, minha parceira, minha primeira e última esperança de um futuro diferente. Quando a perdi, senti que todo o meu mundo havia sido arrancado de mim, deixando apenas um buraco negro onde antes havia amor e propósito.

E Tommy. Ele é a prova viva do que tivemos, do amor que compartilhamos. Meu filho foi a única coisa que me impediu de afundar completamente na escuridão. Ele me dava uma razão para continuar, um motivo para lutar, mesmo quando eu sentia que não tinha mais nada dentro de mim.

Maria foi quem me mostrou que eu não precisava ser o monstro que todos temiam. Ela me ensinou que havia força em abaixar a guarda, em permitir-se confiar. Mas então ela morreu.

E foi por minha culpa.

Essa verdade me consumia. Era o peso que eu carregava todos os dias, o fardo que me lembrava de não me apegar novamente. Porque, quando eu amava, as pessoas acabavam feridas... ou mortas.

Eu me fechei por completo.

Olho para Wanda, ainda dormindo tranquilamente ao meu lado. Sua respiração suave preenche o quarto, cada movimento do peito subindo e descendo como uma melodia calma que me hipnotiza.

Não deveria ser tão fácil me importar com ela, mas era. Desde o momento em que entrou na minha vida, Wanda desafiou tudo que eu acreditava sobre amor e vulnerabilidade.

Clint estava certo. Eu me importo com ela mais do que deveria. Mais do que era seguro.

Eu passo os dedos de leve pelo rosto dela, afastando uma mecha de cabelo que havia caído sobre sua testa. Seu corpo se mexe levemente, mas ela não acorda.

Vejo sua expressão serena, a forma como seus lábios estão ligeiramente entreabertos, e sinto um calor invadir meu peito.

"Foi ela que me mostrou que eu não preciso ser um monstro," penso lembrando de Maria e agora, talvez, de Wanda.

Essas mulheres tão diferentes e ainda assim tão iguais em sua capacidade de me fazer querer ser melhor.

Mas o medo ainda está aqui. O medo de que, se eu me entregar, tudo acabe da mesma forma.

Suspiro, sentindo o peso do meu passado. Fecho os olhos, tentando encontrar alguma paz, mas tudo o que vejo é Maria, tudo o que ouço é sua voz.

"Você é mais do que acredita, Natasha." Ela dizia isso tantas vezes.

Talvez, com Wanda, eu pudesse ser.

Mas será que eu conseguiria me permitir isso?

Por enquanto, fico ali, observando-a dormir. Porque, nesse momento, ela é a coisa mais pura que eu tenho.

Entre Armas e RosasOnde histórias criam vida. Descubra agora