Capítulo 36

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POV PIETRO

Eu estava indo em rumo à última localização onde Peter foi visto: Londres.
O nome dele queimava na minha mente como fogo. Peter. O desgraçado que tirou de mim o que eu tinha de mais precioso. Ele matou minha esposa... e desde aquele dia, cada batida do meu coração latejava apenas em um ritmo: vingança.

Não importava o tempo que levasse, não importava o quanto eu tivesse que caçar esse fantasma pelos cantos do mundo. Ele ia pagar. Com sangue.

Encostei no carro preto parado na rua secundária e puxei o celular do bolso. Meus dedos estavam rígidos de raiva quando disquei o número da Natasha.

Ela atendeu no segundo toque.

- Natasha. - minha voz saiu seca, baixa. - Preciso de você. E de alguns homens. Londres. Última localização confirmada do Peter.

Do outro lado da linha houve um silêncio pesado, até que ela respondeu, firme:

- Pietro... você tem certeza?

- Mais do que nunca. - apertei o volante do carro com tanta força que minhas unhas quase rasgaram a pele da palma. - Mas ninguém pode saber. Nem Wanda, nem ninguém da família. Isso é entre eu e ele.

- Entendido. - Natasha suspirou. - Vou mandar dois dos meus melhores homens junto. Não fala nada até eu chegar.

Desliguei e joguei o celular no banco do passageiro, respirando fundo. O reflexo no retrovisor mostrava um homem que eu mal reconhecia. O irmão mais velho, o tio brincalhão... O pai de Giovanni... Tudo isso tinha morrido junto com ela. Agora só restava alguém consumido pela sede de justiça.

Peter tinha levado minha esposa.
E eu ia levar tudo dele.

A estrada até o bunker da família parecia durar uma eternidade, embora fossem apenas minutos. As luzes da cidade iam ficando para trás e, entre prédios e fábricas, o velho armazém que servia de fachada ao nosso abrigo surgiu como um monólito imóvel. Parei o carro na sombra de uma árvore e respirei fundo, tentando empurrar a raiva para um lugar onde eu ainda pudesse raciocinar.

Entrei com passos controlados. O corredor de aço cheirava a óleo e metal frio; havia mapas pregados nas paredes, caixas de munição empilhadas, e o som distante de vozes baixas - homens em alerta, cada qual cumprindo sua função. A luz era dura, contundente; não havia espaço para romantismos ali, apenas para preparo.

No escritório central, montei o que precisava. Kit médico mínimo, luvas, faca de lâmina afiada (não para espetáculo, para eficácia), dois pistoleiros com sinais de prioridade em meus bolsos, e uma pistola com silenciador que eu não tive receio de colocar sobre a mesa, sentindo o seu peso. Tudo bilíngue: ordem e propósito. Não queria surpresas. Não queria falhas.

Minhas mãos tremiam um pouco quando coloquei as balas no pente. Era mais do que raiva; era uma espécie de vazio que eu transformava em foco. No canto, uma foto antiga de Charlotte me encarava, e eu respirei como se puxasse força de um lugar profundo e sombrio.

Ouvi o motor antes de ver as sombras no portão: Natasha chegando com reforço. Ela entrou no bunker acompanhada por seis dos homens em quem ela mais confiava. Nat estava com o rosto fechado, a expressão afiada como uma lâmina. Não sorriu. Não precisava.

- Pietro. - A voz dela cortou o ar. Era curta, prática, sem rodeios.

- Nat. - Levantei a cabeça. - Obrigado por vir. E por manter isso entre nós.

Ela se aproximou, os passos firmes, e colocou as mãos nos bolsos do casaco. Havia uma tensão contida em cada músculo. Do bolso interno, ela retirou uma pequena maleta com munição sobressalente e um rádio de frequência encriptada. A abrir a maleta, o som do metal batendo parecia se alinhar com meu próprio pulso.

Entre Armas e RosasOnde histórias criam vida. Descubra agora