A vida de Anna Alice na escrita sempre foi fácil. Autora aclamada de inúmeros livros de romance, pra ela sempre foi muito fácil se expressar através das palavras. Até se deparar com seu pior desafio, escrever um romance real.
Apesar de viver o glam...
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ᴀɴɴᴀ ᴀʟɪᴄᴇ 📖 ꜱãᴏ ᴘᴀᴜʟᴏ, ᴄᴀᴘɪᴛᴀʟ
— Nem vem — Duda revira os olhos — Se você tivesse transado com um cara igual aquele, passaria bem mais do que dois dias sem responder.
— Você não tem nem vergonha na cara, né? — dou risada enquanto caminhamos de volta pra mesa.
Duda tinha marcado uma reunião comigo na minha cafeteria favorita perto da livraria, estávamos ali a no mínimo uma hora e até agora nada da tal reunião realmente acontecer.
— Você marcou uma reunião pra justificar o por que passou dois dias sem responder? — brinco me sentando de frente ao computador — Eu sei que deve ter sido muito bom, mas não precisava me convocar pra isso.
— Droga, a reunião — bate a mão na testa fazendo careta — Você tirou meu foco.
— Eu não tirei nada — levanto as mãos em defesa — Você quem começou, eu só não impedi. — dou de ombros bebericando meu suco de manga — Inclusive, por que marcou uma reunião assim? Não dava pra ser em casa não?
Confesso que estranhei a tal "convocação", sempre fizemos qualquer reunião que fosse em casa mesmo, ou até no whatsapp. Mas seu tom de urgência na ligação me fez sair da livraria mais cedo só pra encontrá-la aqui.
— Tô tentando ser séria — seguro uma risada — Para de rir, Anna.
— To tentando — minha risada aumenta quando sinto um guardanapo acertar meu rosto — Nossa, como você é séria, Eduarda.
— Foca aqui — estala a língua — Você sabe que eu te amo, e que eu odeio fazer isso, não é? Não me leva a mal por favor.
— Tô sendo cobrada né — interrompo e ela assente — Fica calma amiga, já sabia que isso ia acontecer. Qual a da vez?
— Eles querem pelo menos alguns capítulos — brinca com o canudo — Tentei segurar por alguns dias, mas agora eles querem mesmo.
— Ele me cobrou na conferência — relembro do caos que foi aquela conversa — Pediu que eu mandasse em até um mês.
— Eu posso tentar desconversar mais uma vez lá.
— Não — a corto — Não precisa, eu vou enviar.
Como eu não sei. Passei duas semanas sem escrever uma mísera palavra, cheguei a reler o livro inteiro — não que seja difícil, já que tem no máximo 13 páginas —, escrevi quatrocentas palavras no próximo capítulo, reli e apaguei em menos de um minuto.
Mudei a ideia não sei quantas vezes, pedi ajuda pra Bia e chorei como uma criancinha quando não deu certo. Sem contar aquela ideia maluca que Raphael me propôs que não sai da minha cabeça a dias, faz quase duas semanas desde o pequeno encontro na livraria e desde então eu não tive paz nos meus pensamentos.