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ᴀɴɴᴀ ᴀʟɪᴄᴇ 📖ꜱãᴏ ᴘᴀᴜʟᴏ, ᴄᴀᴘɪᴛᴀʟ

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ᴀɴɴᴀ ᴀʟɪᴄᴇ
📖ꜱãᴏ ᴘᴀᴜʟᴏ, ᴄᴀᴘɪᴛᴀʟ

— Tá — abre um pedaço de papel, solto uma risada baixa quando identifico minha letra na folha. Ele imprimiu o que eu mandei no whatsapp — O que?

— Por que você tá com isso? — pego o papel nas mãos lendo e ele puxa da minha mão — Ei!

— É a minha cola, não quero fazer nada errado — da de ombros.

— O que tá escrito aí? Deixa eu ver — me inclino pro seu lado e ele fecha — Por que eu não posso ler?

— Por que é uma surpresa. Vem.

Passamos pela recepção da biblioteca e minha boca se abre automaticamente. Eu posso trabalhar anos com livros, mas sempre vou ficar impressionada vendo um lugar desse. Meu sonho sempre foi trabalhar com algo que amava, e eu sempre soube que eram os livros.

Trabalhar com livros — seja na escrita ou diretamente com os livros — te abre para um mundo totalmente diferente, e chega ser difícil acreditar que somente algumas palavrinhas são capaz de te fazer viajar por mundos e eras diferentes da sua. E entrar num lugar como esse, é como olhar pra diversos portais diferentes e escolher qual você quer entrar dessa vez.

— Qual nossa programação? — pergunto quando passamos por algumas estantes.

— Pela sua lista — dou risada — O passo um pra um relacionamento é se conhecer e descobrir gostos parecidos.

— Você parece meio cético, apesar de ter dado essa ideia maluca. — aponto e percebo ele dar um mínimo passo para o lado.

Qualquer pessoa não notaria, mas eu sim. Por que passei o caminho inteiro até a biblioteca com medo de sequer encostar nele, e aqui dentro não é diferente. Andamos paralelo um ao outro, mas qualquer pessoa que visse de fora acharia que mal nos conhecemos.

E não é mentira, nós realmente não nos conhecemos.

Chega ser esquisito pensar que eu simplesmente aceitei a ideia de um maluco só pra conseguir escrever um livro. Mas não é só isso, a sensação de que eu minto nos meus livros quando escrevo sobre amor ou relacionamentos tava me consumindo aos poucos. Como eu posso escrever um livro onde duas pessoas se apaixonam perdidamente se eu tenho medo de andar ao lado ou sequer conversar com outra pessoa?

A pressão de aceitar essa ideia maluca não veio nem das meninas, e sim da minha própria consciência. De provar pra mim mesma que eu não sou uma amadora, e de que eu posso fazer isso dar certo.

— Não cético — nega com a cabeça entrando em um dos corredores de livros — Mas acho que nem todo relacionamento tem isso de se conhecer antes. Sei lá, só não acho que seja uma receita de bolo, sabe?

— Como assim? — me encosto na estante cruzando os braços.

Ele solta um suspiro baixo e se encosta na que fica em minha frente, imitando minha pose. E sabe aquele momento em que você se sente num filme? Aquele em que os personagens estão conversando sobre coisas profundas em um lugar cheio de livros. Essa é a sensação.

𝑬𝑺𝑪𝑹𝑬𝑽𝑨-𝑴𝑬 • 𝑹𝑨𝑷𝑯𝑨𝑬𝑳 𝑽𝑬𝑰𝑮𝑨Onde histórias criam vida. Descubra agora