A isca perfeita

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Jisung acordou sentindo o chão gelado sob seu corpo. Tudo estava escuro, e o frio se infiltrava em sua pele como agulhas. Ele tentou se mover, mas percebeu que estava preso por correntes que seguravam seus pulsos e tornozelos. O pânico começou a crescer dentro dele, e ele lutou contra as amarras sem sucesso.

— Onde eu estou? — ele murmurou, a voz rouca e entrecortada pelo frio e sede.

Ele tentou chamar por ajuda, mas nada além de seu próprio eco respondeu. Desesperado, Jisung gritou mais alto:

— Alguém!

Um som metálico interrompeu o silêncio, e a porta pesada de madeira começou a se abrir. A luz fraca que entrou fez Jisung apertar os olhos, e logo ele reconheceu a figura que entrou na sala.

— Você... — Jisung rosnou, a raiva borbulhando em suas veias. — Jeongin.

Jeongin parou à porta, observando Jisung com aquele sorriso malicioso que ele odiava. Seus olhos avaliavam Jisung como se ele fosse um animal preso, sem chances de fuga.

— Vejo que acordou — disse Jeongin, com a voz suave, mas cheia de um cinismo frio.

Jisung puxou as correntes mais uma vez, a fúria crescendo dentro de si.

— O que você fez? Onde eu estou? — ele gritou, os olhos queimando de raiva. — Me solta agora!

Jeongin deu alguns passos na direção de Jisung, ajoelhando-se para ficar mais próximo de seu rosto.

— Você é a isca perfeita, Jisung — ele murmurou, o sorriso se alargando de forma perturbadora. — Todos vão vir atrás de você. Chan, os outros lobos... E especialmente Hyunjin.

Ao ouvir o nome de Hyunjin, Jisung sentiu um nó se formar em seu estômago. Jeongin notou a mudança na expressão dele e sorriu ainda mais.

— Isso mesmo, Hyunjin — continuou Jeongin, a voz gotejando malícia. — Porque, no fim, o meu objetivo verdadeiro... é matá-lo.

Os olhos de Jisung se arregalaram, e ele tentou se levantar novamente, as correntes rangendo.

— Você é doente! Por que está fazendo isso?

Jeongin inclinou a cabeça ligeiramente, os olhos frios e calculistas.

— Porque ele está no meu caminho. Sempre esteve. — Jeongin se aproximou ainda mais, sussurrando. — Felix deveria ser meu. Eu vou matar Hyunjin, e então Felix vai finalmente entender que ele pertence a mim.

Jisung sentiu o sangue borbulhar em suas veias ao ouvir Jeongin falar sobre Felix. Sua raiva, que já estava latente, se inflamou como fogo.

— Você nunca vai chegar perto dele — Jisung rosnou, os dentes cerrados. — Eu vou acabar com você antes que consiga tocar um fio de cabelo de Felix.

Jeongin riu, um som vazio, cheio de desprezo.

— E o que você vai fazer? — ele provocou. — Está preso, Jisung. E mesmo que conseguisse escapar, acha que poderia me impedir? Eu já ganhei esse jogo. Felix vai ser meu, e não há nada que você ou Hyunjin possam fazer para mudar isso.

Jisung puxou as correntes com tanta força que o metal cravou em sua pele, mas ele não se importou. A raiva era tanta que ele mal sentia o corpo.

— Quando eu sair daqui, vou te matar com minhas próprias mãos — ele prometeu, a voz baixa e cheia de ódio.

Jeongin apenas deu de ombros e se levantou, caminhando até a porta.

— Boa sorte com isso — disse ele, lançando um último olhar antes de sair e fechar a porta com um estrondo.

Jisung ficou sozinho novamente, a escuridão se fechando ao seu redor. Mas agora, mais do que o frio ou o medo, era a raiva que dominava seus pensamentos. Ele precisava sair dali. Precisava salvar Felix e impedir Jeongin.

Night shadows - 3º temporadaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora