Um ritual para salvar Jeongin

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Na casa da alcateia, o ambiente estava tenso. Jeongin foi colocado no sofá, ainda desacordado, enquanto os outros se moviam ao redor, preparando o ritual que acreditavam ser a única forma de libertar Jeongin da magia maligna que o atormentava. O ar estava carregado de uma mistura de nervosismo e pressa.

Mia, com o livro antigo em mãos, estudava atentamente as páginas amareladas, sussurrando as palavras para si mesma. Ela parecia concentrada, mas suas mãos tremiam levemente. Changbin e Minho estavam de pé ao lado dela, trocando olhares nervosos.

Changbin, inquieto, murmurou:
— Tem certeza que isso vai funcionar, Mia? — Ele lançou um olhar incerto para o livro. — Eu não confio muito em feitiços antigos...

Minho, balançando a cabeça, cruzou os braços:
— Temos que tentar. Não temos outra opção.

Mia, determinada, ergueu os olhos do livro e olhou para ambos:
— É a única chance de afastar essa magia. Se não fizermos isso, Jeongin pode nunca mais ser o mesmo.

Do outro lado da sala, Seungmin estava agachado sobre a mesa, suas mãos ágeis misturando as ervas com precisão enquanto preparava a poção. Ele olhou brevemente para o grupo antes de voltar ao seu trabalho, suas mãos mexendo os ingredientes com cuidado. O cheiro pungente das ervas começava a encher o ar, criando uma atmosfera quase sufocante.

Seungmin murmurou para si mesmo:
— Ervas de proteção... ervas de cura... tudo tem que estar no ponto certo.

Enquanto isso, Chan puxou Jisung de canto. O alfa sabia que tudo aquilo havia acontecido porque Jisung havia desaparecido naquela noite. Eles se afastaram dos outros, e Chan o encarou com seriedade, tentando manter a calma.

Chan, com os braços cruzados e o olhar firme, perguntou:
— Jisung, me diga a verdade. Por que você fugiu naquela noite? — A voz dele era firme, mas não agressiva, como se esperasse que Jisung confessasse.

Jisung, por sua vez, desviou o olhar por um momento, claramente desconfortável com a pergunta. Ele passou a mão pelos cabelos, tentando encontrar as palavras certas.

Jisung, suspirando pesadamente, murmurou:
— Eu... eu estava com ciúmes de Felix — Sua voz estava baixa, quase imperceptível. — Não aguentava ver ele com Hyunjin... Como pode alguém tão puro, incrível e gentil amar aquele... Aquele...

Chan, inclinando-se um pouco mais perto, com os olhos fixos nos de Jisung:
— Você fugiu por que estava... apaixonado por Felix? — A tensão era palpável.

Jisung, hesitando, respirou fundo:
— Felix é a pessoa mais gentil que eu já conheci. Mesmo que eu nunca tivesse tido muito contato com ele... — Jisung olhou para o chão — Mas não aguentei ve-lo com Hyunjin. Hyunjin não o merece, Chan. Felix é bom demais para ele.

Chan, rangendo os dentes, deu um passo para trás, esfregando a testa enquanto tentava processar tudo:
— Você agiu como um idiota. — A decepção era visível em seu tom.

Jisung, balançando a cabeça, finalmente ergueu os olhos, enfrentando o alfa:
— Eu sei. Foi um erro. Eu errei, Chan. Mas não posso mudar o que já aconteceu. Só quero ajudar a consertar as coisas agora.

Chan, suspirando, esfregou o queixo:
— E você vai. E vai começar esquecendo Felix. Ele e Hyunjin nunca irão se separar... Tenha isso em mente.

Enquanto os dois conversavam, o clima na sala só ficava mais carregado. Mia, terminando de ler as palavras no livro, fechou-o com um baque e olhou para os outros.

Mia falou com firmeza, chamando a atenção de todos: — Está na hora. Precisamos começar o ritual agora. Seungmin, a poção está pronta?

Seungmin, erguendo o frasco com o líquido verde brilhante, respondeu:
— Está pronto. Vamos fazer isso funcionar.

Changbin e Minho, ainda nervosos, se posicionaram ao redor do sofá onde Jeongin estava deitado. Todos sabiam que aquele era um momento crucial. As mãos de Mia tremiam levemente enquanto ela se posicionava na frente de Jeongin, respirando fundo antes de começar a recitar as palavras antigas que invocariam a cura e afastariam a magia do mal.

Enquanto as palavras ecoavam pelo ar e o som do ritual crescia, o peso do que estava por vir se instalava sobre todos na sala.

O ritual começou com uma tensão sufocante. Mia, de pé ao lado do sofá, segurava o livro antigo com as palavras sagradas enquanto Changbin, Minho, Seungmin, Jisung e Chan mantinham suas posições ao redor do corpo desacordado de Jeongin. As ervas que Seungmin havia preparado estavam espalhadas em volta do sofá, criando um círculo de proteção.

Mia respirou fundo, sua voz trêmula no início enquanto começava a recitar as palavras antigas que ecoavam com poder pela sala. As palavras soavam como uma melodia distante, uma força que começava a agitar o ar ao redor deles.

Assim que as palavras deixaram os lábios de Mia, Jeongin reagiu violentamente. Seu corpo, antes inerte, começou a sacudir com uma força inumana, como se estivesse sendo puxado de dentro para fora. Seus músculos tensionaram, e ele começou a contorcer-se sobre o sofá.

— Segurem-no! — Chan gritou, seus olhos arregalados ao ver o corpo de Jeongin tremendo. Changbin, Jisung e Minho rapidamente se aproximaram, pressionando seus braços e pernas para mantê-lo no lugar, enquanto Seungmin segurava sua cabeça para que ele não se machucasse.

Os olhos de Jeongin se abriram de repente, mas estavam completamente negros, sem qualquer traço de humanidade. Ele soltou um grito primal, como se estivesse possuído por algo terrível e antigo. Mia continuou recitando o feitiço, mas sua voz agora era firme e decidida, mesmo com a crescente intensidade ao seu redor.

O corpo de Jeongin começou a espumar pela boca, um líquido negro e espesso escorrendo de seus lábios, como se a escuridão estivesse sendo expulsa de dentro dele. Ele convulsionava violentamente, seus membros sacudindo com força enquanto os lobos o seguravam com todo o poder que tinham.

— Mia, mais rápido! — Changbin gritou, lutando para manter o corpo de Jeongin no sofá.

A voz de Mia ficou mais alta e firme. Nesse momento, o corpo de Jeongin arqueou violentamente, suas costas se erguendo do sofá enquanto ele soltava um grito agonizante. Seus olhos, ainda negros, agora sangravam pelas bordas, e suas mãos se contorciam como garras tentando rasgar a si mesmo. Chan rosnou, usando toda sua força para conter o corpo enfurecido.

Seungmin, mantendo a calma apesar do horror, derramou a poção sobre o peito de Jeongin, o líquido verde brilhante se espalhando pela pele pálida e imediatamente reagindo com a magia. O cheiro acre de queimado invadiu o ambiente, e Jeongin soltou um rugido que ecoou pela casa.

— Está funcionando! A magia está reagindo! — Seungmin disse, com os olhos arregalados, assistindo o líquido formar uma fumaça negra que se levantava do corpo de Jeongin.

O corpo de Jeongin começou a brilhar com uma luz dourada, um contraste violento com a escuridão que o consumia. O brilho se intensificou, e o grito dele foi se tornando mais agudo, até que, finalmente, uma explosão de energia percorreu o ambiente, lançando todos para trás.

Jeongin caiu de volta no sofá, seu corpo completamente imóvel, a respiração pesada e irregular. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.

Mia, ofegante, deixou o livro cair ao seu lado, suas mãos tremendo. Chan foi o primeiro a se aproximar de Jeongin, verificando seus sinais vitais. Depois de um momento que pareceu durar uma eternidade, ele finalmente olhou para os outros, exausto mas aliviado.

— Está feito. Ele está vivo.

Night shadows - 3º temporadaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora