Tentando uma trégua

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Chan os levou para uma sala reservada dentro da casa, um espaço mais tranquilo onde poderiam conversar sem interrupções. O restante da alcateia ficou esperando do lado de fora, com exceção de Mia, que entrou junto com eles. A sala estava decorada de maneira simples, com uma grande mesa de madeira no centro e algumas cadeiras ao redor.

Felix se sentou, ainda sentindo o peso do pesadelo da noite anterior. Hyunjin estava ao seu lado, segurando sua mão em um gesto de apoio. Chan e Mia sentaram-se em frente a eles, prontos para ouvir.

— Então, o que aconteceu? — Chan perguntou, olhando diretamente para Felix.

Felix respirou fundo antes de começar a falar.

— Eu tive um pesadelo na noite passada. Foi tão real... Vi Hyunjin sendo morto, a casa sendo invadida e eu sendo jogado no fogo. Mas o mais perturbador foi a voz que ouvi em minha mente. Eu... eu acho que conheço essa pessoa.

Chan franziu a testa, intrigado.

— E quem você acha que é?

Felix hesitou, mas finalmente soltou a verdade que vinha o atormentando.

— Acho que pode ser Jeongin. O jeito que ele falava, a forma como se movia... tudo me parecia familiar.

Chan assentiu lentamente, considerando as palavras de Felix.

— Jeongin... ele sempre foi um bom garoto, desde antes de trabalhar no castelo de Hyunjin. Antes de ir embora da Transilvânia, ele estava um pouco distante, mais introspectivo. Mas nunca pensei que ele pudesse estar envolvido em algo assim.

Hyunjin, já sabendo do palpite de Felix, ficou visivelmente incomodado com a menção de Jeongin.

— Chan, isso não pode ser ignorado. Se Felix tem essa sensação, precisamos investigar. Ele não se sentiria assim sem motivo.

Chan suspirou, lembrando-se dos últimos dias de Jeongin na Transilvânia.

— Ele estava diferente, sim. Mais calado, evitando contato visual. Quando perguntei se algo estava errado, ele sempre dizia que estava bem, que só precisava de um tempo para si mesmo. Eu pensei que ele estivesse apenas lidando com algum problema pessoal.

Mia, que estava ouvindo tudo atentamente, se inclinou para frente.

— Quem é esse Jeongin? — Ela perguntou. — Parece que ele é uma peça importante nesse quebra-cabeça.

Chan assentiu.

— Jeongin é um conhecido nosso da Transilvânia. Ele trabalhava para Hyunjin, mas aconteceram... coisas. Ele fugiu e ficou morando um tempo comigo. Sempre foi ótimo, mas parece que algo mudou. Precisamos descobrir o que está acontecendo com ele.

Hyunjin, porém, estava ficando cada vez mais irritado.

— Chan, isso é o que estou tentando dizer! Não podemos continuar agindo como se tudo estivesse bem. Algo mudou, e precisamos agir agora.

Chan levantou a mão, tentando acalmar Hyunjin.

— Precisamos ser cuidadosos. Não podemos fazer acusações sem provas concretas.

Hyunjin, no entanto, perdeu a paciência.

— Cuidado? Estamos em uma guerra invisível, Chan! Cada segundo que passamos sendo "cuidadosos" é um segundo em que estamos em perigo. Se você não consegue ver isso, talvez essa parceria não funcione.

Chan ficou em silêncio por um momento, seus olhos se estreitando enquanto olhava para Hyunjin. A tensão na sala era palpável, cada um dos presentes sentindo o peso das palavras de Hyunjin.

— E o que você sugere, Hyunjin? Que simplesmente investiguemos um garoto que nem sabemos se está envolvido porque você está assustado?

Hyunjin avançou, seus olhos brilhando com uma raiva controlada.

— Não é medo, Chan. É precaução. E se você realmente valoriza sua alcateia, entenderia isso. Se Jeongin estiver envolvido, precisamos saber agora. Não mais tarde, não depois. Agora.

Chan se levantou lentamente, sua postura ameaçadora.

— Cuidado com suas palavras, Hyunjin. Lembre-se de que você está em nosso território. Não tolerarei ameaças veladas.

Felix, percebendo que a situação estava prestes a explodir, interveio.

— Por favor, parem! Estamos todos no mesmo barco aqui. Precisamos descobrir a verdade, não brigar entre nós.

Mia assentiu, apoiando Felix.

— Ele está certo. Brigar não vai nos levar a lugar nenhum. Precisamos de um plano.

Hyunjin olhou para Felix, sua expressão suavizando um pouco, mas ainda tensa.

— Tudo bem. Mas Chan, se você não pode garantir a segurança da sua própria alcateia e a nossa, então talvez essa parceria esteja condenada.

Chan apertou os punhos, mas finalmente assentiu.

— Eu vou falar com o resto da alcateia. Mas lembrem-se, sem provas concretas, não podemos tomar ações drásticas.

Felix suspirou aliviado, mas sabia que a tensão entre Chan e Hyunjin não iria desaparecer tão facilmente.

— Obrigado, Chan.

Chan deu um leve aceno de cabeça e se virou para sair da sala, seguido por Mia. Felix e Hyunjin ficaram para trás, sentindo o peso das decisões que precisariam tomar nos próximos dias.

— Isso não vai ser fácil, — Hyunjin murmurou, segurando a mão de Felix.

Felix suspirou, puxando Hyunjin para um abraço.

— Eu sei, mas vamos passar por isso. Não importa o que aconteça.

Night shadows - 3º temporadaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora