•Mundo de sentimentos

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Gabi: Aqui é um dos meus lugares favoritos - disse, me puxando para sentar ao seu lado nas almofadas. - Sempre venho aqui também quando quero pensar ou só... fugir um pouco do mundo.

Olhei para ela, surpresa.

- Você vem aqui sozinha?

Ela deu de ombros, sorrindo de leve.

Gabi: Agora não mais. Agora esse lugar é nosso.

Meus olhos se encheram de lágrimas, mas segurei o choro. Não era tristeza, era uma felicidade tão grande que parecia quase impossível de conter. Eu nunca pensei que me sentiria assim, tão acolhida, tão amada, com alguém que via todas as minhas partes, as boas e as ruins, e ainda assim, escolhia estar ali.

- Obrigada, amor. Por tudo isso. Por... me mostrar esse lado seu - falei, minha voz um pouco embargada.

Ela me puxou para perto de novo, e nos deitamos ali nas almofadas, com os olhos voltados para o céu estrelado. A noite estava calma, a brisa suave, e eu sabia que aquele momento, com Gabi ao meu lado, seria um dos que eu guardaria para sempre.

Gabi: Eu te amo, Nala - sussurrou, de repente, como se as palavras tivessem escapado sem ela planejar.

Eu sorri, com o coração acelerado, mas ao mesmo tempo em paz.

- Eu te amo, Gabi.

E ali ficamos, sob o céu estrelado, com o mundo lá fora esperando, mas, por enquanto, tudo o que importava éramos nós duas.

Eu me aninhei nos braços de Gabi, ainda sentindo a pulsação acelerada da emoção que havia acabado de viver. O calor do corpo dela era reconfortante, e o toque do anel em meu dedo me fazia sorrir sempre que eu olhava. Tudo parecia se encaixar de uma forma tão perfeita que eu mal podia acreditar.

Depois de um momento de silêncio confortável, Gabi se afastou um pouco, o suficiente para me olhar diretamente nos olhos. Seu rosto estava iluminado por um sorriso suave, mas havia uma seriedade no fundo daqueles olhos castanhos que me prendeu completamente.

Gabi: Nala, eu nunca fui boa com palavras. - Ela começou, rindo um pouco de si mesma, o que fez meu coração aquecer ainda mais. - Mas tem uma coisa que eu preciso te dizer, que eu não posso deixar passar.

Ela segurou minhas mãos, seus polegares acariciando minha pele de forma quase distraída, como se quisesse garantir que eu estivesse completamente presente naquele momento.

Gabi: Eu já tive outras relações antes, outras paixões. Mas com você... é diferente. Desde o primeiro momento em que te vi, senti algo mudar dentro de mim. Você trouxe algo que eu nem sabia que faltava. - Sua voz era firme, mas eu podia sentir a vulnerabilidade em cada palavra, o quanto aquilo significava para ela. - Estar com você é como se eu finalmente tivesse encontrado um lar. Um lugar onde posso ser eu mesma, sem medos, sem máscaras. E eu nunca pensei que pudesse sentir isso por alguém.

Eu senti um nó se formar na minha garganta enquanto ela continuava.

Gabi: Você me faz querer ser uma pessoa melhor, todos os dias. E isso não é só sobre os momentos felizes, mas sobre todas as vezes que você me desafiou, me fez pensar, me fez questionar quem eu sou e o que eu quero para o futuro. E a resposta, Nala, é você. Sempre vai ser você. Eu te amo de um jeito que eu nem sei explicar direito, mas eu sei que é real, e eu sei que quero isso para sempre.

Meus olhos já estavam marejados novamente, e eu lutei para não desabar completamente em lágrimas. Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, ela segurou meu rosto entre suas mãos e se inclinou para me dar um beijo. Foi um beijo lento, cheio de significado, como se cada toque fosse uma promessa silenciosa.

Gabi me segurou em seus braços por mais alguns instantes, até que lentamente se afastou, me encarando com aquele brilho nos olhos que sempre me deixava sem fôlego. Ela segurou minhas mãos com delicadeza, os polegares acariciando suavemente minha pele, e pude sentir algo diferente no ar, algo que fazia meu coração bater mais rápido.

Gabi: Nala - ela começou, com uma voz que carregava um misto de nervosismo e emoção. - Tem algo que eu quero fazer já faz um tempo, e acho que essa noite é o momento perfeito.

Eu a observei com curiosidade, sentindo uma excitação se espalhar pelo meu corpo, mas sem conseguir prever o que estava prestes a acontecer. Então, Gabi sorriu, aquele sorriso encantador e cheio de afeto, antes de enfiar a mão no bolso de sua jaqueta. Meu coração deu um salto quando ela retirou uma pequena caixinha de veludo preta.

- Gabi... o que é isso? - perguntei, a voz saindo quase como um sussurro, o peito começando a se encher de expectativa.

Ela abriu a caixinha, revelando dois anéis de prata delicadamente trabalhados, com pequenas pedras coloridas que formavam a bandeira LGBT. As pedras cintilavam suavemente sob a luz da lua, e a visão me fez prender a respiração.

Gabi: Nala, eu pensei muito sobre como fazer isso... sobre o que nós somos e o que estamos construindo. - Ela parou por um momento, como se estivesse reunindo coragem. - Eu quero que você seja minha namorada, oficialmente. Não só de coração, mas com esse símbolo, com esse compromisso. Eu não quero apenas viver momentos ao seu lado, eu quero construir algo real, sólido. - Gabi deslizou o dedo pelo aro de um dos anéis, sorrindo de forma doce, mas visivelmente emocionada. - Esses anéis representam mais do que nosso amor. Eles representam quem somos, nossas lutas, nossa identidade. E eu quero usar isso como um símbolo de tudo que a gente significa.

Ela pegou um dos anéis e, com as mãos levemente trêmulas, segurou a minha mão.

Gabi: Nala, você aceita ser minha namorada? Aceita construir essa vida comigo? - Sua voz estava carregada de emoção, e nos seus olhos eu vi um mundo de sentimentos, de promessas não ditas, mas que eram sentidas profundamente.

Meus olhos começaram a se encher de lágrimas, e eu mal conseguia processar o que estava acontecendo. Era como se cada palavra dela estivesse envolta em um sonho, algo que eu nunca imaginei que sentiria com tanta intensidade. Eu olhei para o anel em sua mão e depois para ela, sentindo meu coração transbordar.

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