Tajima observava Madara com olhos desconfiados. Havia algo de diferente em seu filho, um descompasso invisível, um silêncio que nunca existira antes. Sentia o afastamento, mas não conseguia nomear o que provocava essa distância. Izuna, por outro lado, parecia cada vez mais envolto em um segredo próprio. A conexão inesperada entre ele e Tobirama era um laço oculto sob as sombras, uma teia que nem mesmo Madara suspeitava.
Nas profundezas do Vale do Fim, o lugar onde a rivalidade de seus clãs culminaria em uma lenda, Izuna e Tobirama se encontravam. Ali, longe dos olhares de seus irmãos, o campo de batalha se transformava em um refúgio onde promessas de paz eram sussurradas entre palavras de amor. Tobirama, sempre severo e inflexível, revelava uma ternura incomum ao lado de Izuna. Seus corações, sempre destinados à guerra, haviam encontrado repouso um no outro, numa união que, ao contrário do destino, era forjada pela escolha.
Izuna suspirava ao lado de Tobirama, ambos cientes de que seus irmãos, Hashirama e Madara, estavam cada vez mais distantes, como se carregassem o peso do mundo nas costas. "Madara mudou", Izuna dizia em uma dessas noites, a voz suave e melancólica, "E Hashirama também. Talvez seja o destino, talvez seja algo que não podemos mudar." Tobirama, mesmo com sua dureza, compreendia o que Izuna queria dizer. Ele sabia o que significava carregar o peso de uma guerra que parecia eterna, mas nos braços de Izuna, ele esquecia, ainda que por breves momentos, o peso de ser um Senju.
Mas o véu do segredo que envolvia os dois foi rasgado quando, numa tarde silenciosa, Izuna seguiu Tobirama e o encontrou conversando com uma mulher do clã Senju. O ciúme, antes adormecido, tomou conta de seu coração com a força de uma tempestade. A dor transbordou de seus lábios em um sussurro entrecortado por lágrimas: "Você tem vergonha de mim, Tobirama?" As palavras cortaram o ar como lâminas, ferindo Tobirama profundamente. Nunca antes ele vira Izuna tão vulnerável, tão entregue ao medo de perder o único lugar onde se sentia inteiro.
Aquelas palavras o atingiram com a força de um vendaval, e pela primeira vez, Tobirama, o Senju de coração frio, se abriu por completo. O orgulho e a dureza de seu ser se desfizeram. Ele segurou Izuna com força, como se o mundo pudesse despedaçá-los a qualquer momento, e entre promessas sussurradas com a voz embargada, jurou a ele um amor que jamais havia jurado a outro. "Você nunca será um segredo, Izuna," ele murmurou, com os olhos ardendo de verdade, "Eu o amo como jamais amei outro. Meu Uchiha, maldito, amado. Você é a minha ruína e o meu renascimento."
Naquela noite, como nunca antes, eles se entregaram um ao outro. Tobirama, quebrando todas as barreiras que sempre erguera ao seu redor, fez de Izuna sua marca, mesmo sabendo que a união entre dois alfas jamais seria definitiva. Porém, naquele momento, o tempo não existia. Os sussurros de Tobirama misturavam-se aos gemidos de Izuna, seus corpos entrelaçados como se fossem uma só alma. A dor, a guerra, os clãs... tudo desaparecia, substituído apenas pelo calor e pelo desejo de estarem juntos.
"Meu Uchiha," Tobirama sussurrava, as palavras se fundindo com o ar. "Meu amor, meu maldito Uchiha."
E Izuna, sentindo Tobirama dentro de si, apagava todas as incertezas. No toque de seu amante, ele esquecia o peso da guerra, o fardo de ser um Uchiha. Nos braços de Tobirama, havia apenas amor – um amor que, embora passageiro como a noite, ardia eterno nos corações daqueles que ousaram amar em tempos de ódio.
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Entre sombras e destinos
Storie d'amore"Entre Sombras e Destinos"** No turbulento universo do Japão feudal, onde a guerra entre os clãs Senju e Uchiha se intensifica, a hierarquia social é rigidamente definida por status ABO. Os Uchiha, temidos e rotulados como demônios, lutam para mante...
