Sob o Céu de Los Angeles

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Buck estava sentado na mesa da cozinha do quartel, o som das vozes e das risadas dos outros membros da equipe soava ao fundo, abafado pela confusão que rodopiava em sua mente. Ele girava a caneca de café entre as mãos, sentindo o calor do líquido que mal havia tocado. Bobby o observava de longe, percebendo a inquietação em Buck, algo que ele reconhecia de tempos passados. Havia uma sombra no olhar do jovem bombeiro, algo mais profundo que a mera exaustão física.

Depois de um tempo, Bobby se aproximou calmamente, pegando a cadeira ao lado de Buck.

— Quer conversar? — perguntou Bobby, com o tom de voz gentil e paciente, mas com a firmeza de quem sabia que aquele era um momento necessário.

Buck suspirou, desviando o olhar da caneca e encarando Bobby por um segundo antes de desviar novamente.

— Não sei, Bobby. Tem tanta coisa... — Ele balançou a cabeça, como se tentasse organizar os pensamentos. — Eu... Eu fiz tanta besteira.

Bobby ficou em silêncio, permitindo que Buck achasse suas palavras.

— Eu sei que... quando eu processei a equipe, eu estava magoado, frustrado... mas agora... — Buck passou a mão pelos cabelos, um gesto que demonstrava seu nervosismo crescente. — Eu me arrependo tanto disso. De ter colocado vocês numa posição impossível. Vocês são minha família, e eu... eu quase destruí isso.

Bobby respirou fundo, seu olhar suave, mas firme.

— Você errou, Buck. Não vou mentir pra você sobre isso. Mas eu acho que, mais do que qualquer outra coisa, foi um grito por ajuda. Você estava machucado, por dentro e por fora, e nós não vimos o quanto. Mas nós também erramos. Não estávamos lá do jeito que deveríamos ter estado.

Buck olhou para Bobby com surpresa. Ele nunca havia considerado que a culpa poderia ser compartilhada, sempre a carregando inteira sobre seus próprios ombros.

— Mas o que importa agora, Buck, é como você vai seguir em frente — continuou Bobby. — Você está voltando a trabalhar em si mesmo, a terapia está ajudando. Mas parece que ainda tem algo mais pesando em você.

Buck soltou um riso fraco, sem humor, e apoiou os cotovelos na mesa, esfregando as mãos no rosto.

— Não é só o processo. Tem outra coisa. — Ele respirou fundo, tentando organizar seus pensamentos antes de continuar. — Eu e o Eddie... estamos juntos agora, Bobby. E... por mais que isso seja incrível, às vezes sinto como se eu não fosse o suficiente, sabe? Como se eu ainda estivesse tentando provar que mereço tudo isso — o relacionamento, a confiança dele, a amizade de todos vocês.

Bobby o encarou com uma expressão suave, compreendendo a profundidade daquilo que Buck estava compartilhando.

— Buck, o que você e o Eddie têm é especial, e todos nós podemos ver isso. Mas o que você precisa entender é que ninguém, especialmente o Eddie, espera que você seja perfeito. Você não precisa carregar o peso do mundo nas costas ou tentar compensar o passado com ações futuras. A gente te perdoou, você sabe disso. E mais importante, você tem que se perdoar.

As palavras de Bobby tocaram fundo em Buck, que sentiu os olhos começarem a se encher de lágrimas. Ele sabia, racionalmente, que Bobby estava certo. Mas ainda havia uma parte dele que continuava a se punir pelos erros do passado, pela mágoa que causou àqueles que amava.

— Eu só não quero estragar mais nada, Bobby — admitiu Buck, sua voz carregada de emoção. — Eu finalmente encontrei algo bom, algo real. O Eddie e o Chris... eles são minha família, e eu não posso perder isso.

Bobby colocou uma mão firme sobre o ombro de Buck.

— Buck, a verdadeira família não se afasta quando as coisas ficam difíceis. Ela fica. E o Eddie está do seu lado, assim como todos nós. Mas você precisa confiar nisso, confiar nele — e confiar em si mesmo. Tudo que você fez até agora mostra que você está tentando, e é isso que importa. O resto, vocês dois vão descobrir juntos.

Invisible String | BuddieHistórias para pegar e não largar. Descubra agora