Carta para um Poeta que Vive

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Nos confins dos sentimentos, o mundo das ideias.

Da sensação de desconhecido,

aos feixes de todo conhecimento inteligível.

De uma reflexão de segunda feira,
ao maior ponto de interrogação do
enigma da minha existência.

Mas que jeito você encontrou de se tornar o maior professor de todos os tempos.


Às vezes me pergunto, sobre como (não) poderia,

seria, deveria ter sido, se você não tivesse se tornado uma ideia.

E eu não consigo sequer idealizar uma resposta.


Eu teria me formado alguém diferente sem as dúvidas do mórbido infinito?

Tudo que penso é que gostaria de ter minha mente expandida, por mais uma vez,

enquanto seus olhos brilhavam com o conhecimento,

mas agora brilham os meus, nessa incessante busca de perguntas que só o senhor seria bom suficiente para fazê-las.


O Senhor me ensinou a ver a existência da arte no mundo cotidiano,

em ver a vida adulta, o conhecimento e a expressão humana, como liberdade.

A entender, que quanto mais eu sei sobre mim,

menos sobre tudo eu saberei,

entender, que há beleza no vazio,

e está tudo bem.



Você parecia ser tão apegado as pequenas coisas,

que irônico toda essa grandeza póstuma.

Ainda penso, que quero ser bom como o senhor,

inteligente, e escrever como você,

mas sei que nunca vou ser,

pois quem sabe,

sejamos banhados de diferentes quereres e dever ser.


Nunca consigo me denominar um poeta,

pois isso significaria ser um pouco mais parecido com você,

e que peso é esse a se ter.


Frequentemente penso no senhor,

quando uma palavra deixo de conhecer,

o vazio do conhecimento passa a me preencher,

quando existem ideias que não consigo entender.


Não sou um malabarista,

e nem gostaria tanto de aprender,

mas se o senhor desse aulas de piano,

um novo Mozart eu tentaria ser.


Não existem palavras que possam voltar o tempo,

mas volto no tempo através delas,

para que um pouco mais de lições,

quem sabe eu consiga ter.


Demorei tanto tempo pra publicar isso,

com receio, de minha singela escrita,

seu legado ofender,

mas acho que o Senhor não apoiaria,

o medo minha caneta prender.


Eu trocaria tantas coisas por mais um segundo ao seu lado,

mas nunca todo o conhecimento que veio após a dor.

Vejo o mundo com outros olhos,

pois o senhor vive em meus sentidos,

como a representação,

o esplendor da sabedoria,

a luz da saída que busco, e nunca alcançarei,

como o mais sábio e consciente, professor.


Gostaria de pensar que você está no céu, nesse momento,

conversando com, quem sabe Sócrates, Aristóteles e Platão,

quem sabe, rindo com Santo Agostinho,

debatendo com Locke e refutando Adam Smith,

mas não, o Senhor nunca iria para esse lugar,

pois nunca chegou a morrer.


Você viveu pelos poemas, para sempre escrever,

e escreveu, para sempre viver.

Suas mãos não funcionam mais,

mas ainda poetiza, nesse grandioso e perpétuo

poema de ausente ser.


Você se foi sem deixar respostas,

mas tudo que sempre importou,

eram as questões.


O Senhor reascendeu o fogo da arte em mim,

e nas chamas dela, pra sempre viverei.





Para meu eterno ponto de interrogação,

Querido Professor, Toya Libânio.

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