Existe um caminho, em linha reta, infinito, cercado por paredes de pano estáticas,
de quem sabe, também, incontáveis quilômetros de tecido,
mas meus olhos só conseguem ver alguns metros para cima,
até que o céu cinza se distorça em eretos traços brancos.
Cada passo por esse chão cria sombras e luzes atrás desse véu,
no formato dos meus pesadelos e sonhos,
como se cada passo iluminasse o além que nunca cheguei a ver, tocar ou atravessar,
mas idealizo pelas sombras, que transparecem até mim, esse lugar.
Quando estou caminhando, observo suas silhuetas, me observando,
correndo ao meu lado, e as vezes as figuras na esquerda,
tentam me alcançar, mas se perdem em uma disputa fracassada de laterais,
onde o monstro da direita sempre consegue ganhar.
Todas as vezes que fecho os olhos para descansar,
imagens desse lugar vem até minha mente,
e eu não consigo raciocinar, pensar ou parar,
apenas lutar, lutar e lutar.
Assisto batalhas que deveriam, poderiam acontecer,
entre mim e meus fantasmas,
mas o véu nunca me permite chegar até lá.
Crio argumentos, respostas, golpes, gritos e estratégias,
mas eu não consigo o véu atravessar,
preso, nesse corredor,
assistindo, meus bichos papões, me humilharem.
Tenho certeza que já te derrotei antes,
mas não sei, realmente, quando,
eu perdi um jogo,
que eu nem estava jogando.
Eu só conheço sua silhueta,
e a luz que meus passos moldaram atrás dela,
mas me imagino quebrando sua cara o tempo todo,
e entre a racionalidade e a imprudência,
caminho, sem fechar os olhos,
se não, volto até, meus esboços obscuros de você.
Você é maior que eu?
ou só é uma sombra?
Às vezes, posso jurar que esse tecido estático está a se movimentar,
às vezes, a penumbra atinge tão forte minha cabeça,
que vejo o tecido alegórico,
tentando voar,
em um lugar sem atmosfera,
em um labirinto, de um caminho só.
